Construção de usinas solares ameaça Caatinga

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Especialistas defendem que as estruturas sejam construídas em áreas já degradadas, e não em regiões com o bioma intactoSem o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), uma empresa espanhola pretende construir usinas solares sobre mais de dois mil hectares na zona rural de São José de Belmonte, Sertão pernambucano, onde predomina a vegetação de Caatinga. A área equivale a cerca de dois mil campos de futebol. A proposta, da empresa Solatio Energia Gestão de Projetos Ltda., será discutida nesta quinta-feira (6), às 15h, em reunião técnica com a Agência Estadual de Meio Ambiente(CPRH), órgão à frente do licenciamento ambiental para a implantação dos dois complexos fotovoltaicos. O encontro, aberto à participação pública, ocorre na Casa da Juventude (antigo Clube Social Belmontense), no centro do município.

Um dos projetos que será apresentado compõe o Complexo Fotovoltaico Belmonte, que prevê a implantação das usinas solares Belmonte I, Belmonte II, Brígida I e Brígida Solar. Só essa estrutura ocupará 1.281,8732 hectares. Já o segundo complexo, a ser implantado numa área de 1.002,04 hectares, será composto pelas usinas Bom Nome I, Novo Brígida e Novo Brígida II. Essa área, segundo o Relatório Ambiental Simplificado (RAS) enviado à CPRH, é caracterizada por pastagens com criação de gado e plantio de tomate, banana e melancia, com cerca de 20% a 30% de toda a área predominada por Caatinga.

Na avaliação do diretor-presidente do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), Severino Ribeiro, o RAS, por ser um estudo simplificado, não é suficiente para dimensionar os impactos que os complexos fotovoltaicos causarão à vegetação nativa.Para ele, chega a ser preocupante e, ao mesmo tempo, abusivo, a gestão estadual autorizar um empreendimento dessa dimensão sem que a empresa tenha apresentado um EIA/Rima. “Estamos falando da perda de um grande capital natural de Caatinga, num momento que, recentemente, divulgamos que o Estado perdeu mais da metade da sua cobertura nativa do biomaDesmatar é avançar os efeitos das mudanças climáticas em Pernambuco, que já está entre os estados vulneráveis a essas mudanças. Uma prova disso é que já vivemos uma grave crise hídrica“, avalia.

Ainda de acordo com Ribeiro, a solução mais viável para esse caso seria a realocação do projeto para áreas já degradadas, a fim de resguardar os hectares de Caatinga ainda conservados. “Ninguém está dizendo que não é para instalar essa usina, mas é preciso ter um estudo, pelo menos de realocação, dessa obra”, reforça Ribeiro. Sobre essa questão, o presidente da CPRH, Eduardo Elvino, adiantou que esse é um dos pontos a serem discutidos durante a reunião. “Inclusive, vamos chegar ao local pela manhã para reconhecer em campo áreas já em processos erosivos. A ideia é que se faça o tratamento do solo em áreas degradadas para a implantação das usinas, ao invés de mexer em vegetação intacta“, assegura.

Ainda segundo o gestor da CPRH, os projetos não foram enviados à agência ambiental da forma solicitada. “Exigiremos estudos complementares diante do porte desses complexos e da falta de detalhes técnicos, os quais caberão o EIA/Rima“, conclui. A Folhatentou contato com a Solatio Energia Gestão de Projetos Ltda., mas não obteve êxito até a publicação da reportagem.

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Governo voltará a se reunir com caminhoneiros para tentar evitar greve

O governo têm promovido diálogo com representantes mas, devido a falta de coesão entre as lideranças da categoria, admite a dificuldade nas negociações. Embora venha monitorando representantes dos caminhoneiros e conversando com alguns líderes, o Governo Federal admite a dificuldade para negociar com todas as lideranças da categoria devido à falta de coesão. Temendo uma nova greve como a realizada em maio de 2018, novas rodadas de conversas estão marcadas para a próxima semana, segundo informações do site Congresso em Foco. Uma ala mais radical, que não tem participado das conversas com o Palácio do Planalto, fala em uma paralisação a partir do dia 29 de abril, em resposta ao aumento de R$ 0,10 no preço do diesel. Outra, mais ponderada e que tem dialogado com o governo, considera a medida precipitada e deve voltar a se reunir com ministros e técnicos da equipe de Jair Bolsonaro para avaliar o cenário. O valor do diesel deve subir dos atuais R$ 2,14 para R$ 2,24, em média, nos 35 pontos de distribuição no país. Apesar do reajuste, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, acredita que são baixas as chances de greve. Cobrança Em entrevista ao site Congresso em Foco, Wallace Landim, presidente da Cooperativa dos Transportes Autônomos do Brasil (Branscoop), ressalta a necessidade de respostas rápidas para solucionar os problemas da categoria. “Sei que estamos todos na UTI, mas vamos tentar segurar o máximo possível. O governo está trabalhando, mas precisamos de ações urgentes. Espero que consigamos resolver todas as questões a tempo de salvar a todos”, afirmou. Ele explica que, desde a greve de maio do ano passado, que paralisou o país, a categoria começou a se organizar mais, embora ainda não hajam “lideranças estabelecidas” e o WhatsApp continue sendo o meio preferido para os diálogos internos. Para Wallace, apenas da sensação geral de descontentamento que ainda prevalece, o sentimento é de que “o governo está disposto a conversas”. Ele afirmou que estará em Brasília na próxima semana para tratar com os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, da Agricultura, Tereza Cristina, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e tentará mostrar à categoria que o Planalto está aberto ao diálogo. Em nota ao Congresso em Foco, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), parceira de 54 entidades da classe, que diz representar 600 mil autônomos, afirmou estar recebendo, desde o anúncio do aumento do combustível, inúmeras reclamações, mas “ainda não é possível afirmar que a categoria está se organizando para uma nova paralisação”. Reajuste Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro, que, segundo Castello Branco, não havia sido informado com antecedência do reajuste do diesel e disse que quer entender o custo que justifica o reajuste. “Na terça-feira convoquei todos da Petrobras para me esclarecerem por que 5,7 por cento de reajuste quando a inflação projetada para este ano está abaixo de 5 (por cento). Só isso, mais nada. Se me convencerem, tudo bem. Se não me convencerem, nós vamos dar a resposta adequada para vocês”, disse no dia …

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Minha Casa Minha Vida receberá 1,6 bilhão de aporte

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) anunciou um montante de R$1,6 bilhão, distribuídos em três meses, para o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Os recursos, assegurados pelo Governo Federal, visa garantir a continuidade de obras em todo País, para todas as faixas do Programa. Serão R$ 550 milhões nos meses de abril e maio e mais R$ 500 milhões em junho. De acordo com Thiago Melo, vice-presidente da Associação das Empresas Imobiliárias de Pernambuco (Ademi-PE), são cerca de 90 dias que as empresas operantes na faixa 1 estão sem receber. O governo ainda tem uma conta em aberto, devendo R$450 milhões às empresas de pequeno e médio porte. “Não existe programa sem subsidio. No caso da faixa 1 é fundamental que o Governo faça os repasses para garantir à parcela mais baixa da população acesso a moradia”, explicou. Com o subsídio há um clima de perspectiva na retomada de novas contratações na faixa 1,5 do Programa. Presidente da Associação Brasileira dos Mutuários de Habitação (ABMH), Vinicius Costa, explica que os contratos na faixa 1,5, estavam pendentes desde novembro de 2018. “A expectativa é que com esse aporte os contratos que estavam pendentes sejam cumpridos. Mas ainda não sabemos se o recurso terá viabilidade para novas contratações”, disse. Costa ainda esclarece que faixa 1,5 é um setor que movimenta bastante a economia, pois as classes C e D têm comprado cada vez mais imóveis e as construções estão se voltando para fazer vendas a esta classe. “Quando acontece de um recurso acabar é porque a procura foi maior do que o esperado”, finalizou.

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Movimento nos aeroportos deve crescer 2% no feriado, diz Infraero

No feriado prolongado da Semana Santa, o movimento de passageiros nos aeroportos administrados pela Infraero deve crescer 2%. A expectativa é que entre esta quinta-feira (18) e segunda-feira (22), 1,05 milhão de viajantes passem pelos terminais. Na quinta-feira e segunda (22) serão os dias de maior movimentação.