Diretor-geral da OMC alerta para recorde de disputas comerciais

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O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevêdo, revelou que em 2018 foi batido o recorde de número de disputas abertas na instituição – fruto das crescentes tensões comerciais no mundo. “Cerca de 30 novas disputas foram iniciadas apenas este ano. Esse já é o maior número de novos casos em 16 anos – e estamos ainda em outubro”, revelou Azevêdo, em entrevista por e-mail à Agência Brasil. “Claramente o sistema está sob pressão”, avaliou. “Mas é justamente ele que pode acalmar os ânimos”, completou.

O diretor-geral reiterou a importância da OMC no contexto atual para facilitar o diálogo entre os países e diminuir as turbulências do sistema multilateral de comércio. A escalada na rivalidade comercial entre Estados Unidos e China vem causando, há meses, insegurança no comércio global.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, revelou recorde de disputas comerciais em 2018 – Arquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Para Azevêdo, a mudança de governo que virá com a eleição de um novo presidente pode ser uma boa oportunidade para se discutir como melhorar a inserção do Brasil na economia mundial e como aumentar a produtividade da economia brasileira. “O Brasil tem historicamente uma participação muito ativa na OMC. E faz sentido que isso se mantenha qualquer que seja o resultado das eleições”.

O embaixador também comentou as declarações dadas pelo presidente Donald Trump que classificou de “injustas” as relações comerciais entre Estados Unidos e Brasil. Trump afirmou que o Brasil “está entre os mais duros do mundo” no trato com as empresas estrangeiras. Azevêdo defendeu o diálogo: “Naturalmente, cabe aos dois lados conversar e buscar entendimento”.

Veja a íntegra da entrevista:

Agência Brasil: De que forma o crescente protecionismo e a disputa comercial entre Estados Unidos e China repercutem no sistema multilateral de comércio?

Roberto Azevêdo: Há um aumento das tensões comerciais no mundo hoje, o que é perigoso. Essas turbulências obviamente repercutem no nosso trabalho. A OMC serve de plataforma para facilitar o diálogo e diminuir essas tensões, algo extremamente importante porque as dificuldades atuais só podem ser resolvidas por meio do diálogo. A organização também serve como fórum para resolver disputas comerciais. Cerca de 30 novas disputas foram iniciadas apenas este ano. Esse já é o maior número de novos casos em 16 anos – e estamos ainda em outubro. Claramente o sistema está sob pressão. Mas é justamente ele que pode ajudar a acalmar os ânimos. A OMC, assim, é extremamente importante no contexto atual.

Agência Brasil: Como o ano de 2018 deve fechar em relação ao comércio global e quais são as perspectivas para 2019?

Azevêdo: Nossa previsão é de que o comércio internacional de bens cresça, em volume, 3,9% em 2018, acompanhado por um crescimento do PIB mundial de 3,1%. Para 2019, a expectativa é de que o comércio cresça um pouco menos, 3,7%, em função de um crescimento global mais lento, de 2,9%. As tensões comerciais constituem o maior risco para essas estimativas. É importante evitar uma deterioração das relações comerciais especialmente entre as grandes economias.

Agência Brasil: Qual o posicionamento esperado pela OMC do novo governo brasileiro que será eleito em relação à participação do país no sistema multilateral de comércio?

Azevêdo: Pessoalmente, vejo uma mudança de governo como uma boa oportunidade para se pensar em política comercial no Brasil, para se discutir como melhorar a inserção do Brasil na economia mundial e como aumentar a produtividade da economia brasileira. Sob o ponto de vista da OMC, lidamos com mudanças políticas todo o tempo, temos 164 membros. O Brasil tem historicamente uma participação muito ativa na OMC. E faz sentido que isso se mantenha qualquer que seja o resultado das eleições. Essa participação ativa do Brasil no sistema multilateral não precisa se dar em detrimento de buscas de oportunidades comerciais em outros contextos, como o regional ou bilateral. O Brasil pode ter sempre uma atitude pragmática na defesa de seus interesses comerciais – como, aliás, fazem os demais países.

Agência Brasil: Qual é sua opinião sobre declarações dadas no último dia 1º pelo presidente Donald Trump sobre as relações comerciais entre EUA e Brasil?

Azevêdo: De forma geral, as posições americanas na área comercial são conhecidas. Não surpreende que os EUA busquem ter melhor acesso ao mercado brasileiro. Isso é natural. O Brasil também terá suas demandas e suas queixas em relação ao comércio com os EUA. Naturalmente, cabe aos dois lados conversar e buscar entendimento.

Agência Brasil: As dificuldades econômicas de países vizinhos, como Argentina e Venezuela, podem afetar o Brasil na questão comercial e no seu crescimento econômico?

Azevêdo: Podem, claro. A Argentina, por exemplo, é um destino muito importante para as exportações brasileiras, especialmente de produtos manufaturados. Também tende a ser um destino preferencial de exportação de pequenas e médias empresas brasileiras. Dificuldades na Argentina, ou em qualquer país da região, afetam o Brasil. Da mesma forma, nos últimos anos, os problemas econômicos no Brasil também afetaram os vizinhos.

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