Melhores professores deveriam atuar nas escolas com os alunos mais pobres, mas Brasil não aplica essa política, diz OCDE

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O Brasil, assim como diversos países ibero-americanos, não pratica, como política pública, a seleção de seus melhores professores para atuarem nas escolas com os estudantes mais pobres. A medida pode ajudar a melhorar a qualidade da educação, segundo dois levantamentos divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na manhã desta segunda-feira (11).

Os dados do estudo “Professores ibero-americanos: insights do Pisa e da Talis” fazem, pela primeira vez, segundo a OCDE, um cruzamento de informações de vários questionários aplicados nas escolas dos países participantes das duas pesquisas, com diretores, professores e alunos. Parte das respostas são subjetivas e refletem as percepções de cada grupo de participantes. Mas, segundo a OCDE, o cruzamento também reúne “medidas objetivas” retiradas do Pisa sobre a formação inicial e a experiência de professores.

“Poucos países compensam a desvantagem dos estudantes alocando seus professores mais qualificados e experientes nas escolas com maior necessidade, seja por mecanismos centralizados ou descentralizados”, diz o estudo.

O estudo, que usou indicadores de 19 países, incluindo dez ibero-americanos, mostra que:

  • Os professores de escolas públicas brasileiras, apesar de serem concursados, podem optar pelo local de trabalho, sendo que os mais experientes têm prioridade, mas não recebem muitos incentivos para optarem pelas escolas com mais desafios
  • Nas escolas com alunos mais pobres no Brasil, em média 20% dos professores de ciência têm contratos temporários de até um ano; essa proporção cai para 4% nas escolas com alunos mais ricos
  • No Brasil, professores de áreas não científicas nas escolas com alunos mais pobres precisam ensinar temas para os quais não receberam formação com maior frequência que nas escolas com os alunos mais ricos
  • Cada ano a mais de carreira do professor ajuda a melhorar o desempenho dos alunos
  • Países como Japão e Coreia do Sul mantêm sistemas em que os professores são obrigados a mudar de escola depois de um determinado período, para “equilibrar” o acesso das escolas a professores em diversas fase na carreira
  • No Chile, Colômbia, México, Peru, Portugal, Espanha e Uruguai, escolas com mais desvantagens têm classes com menos alunos do que as escolas com mais vantagens; no Brasil, esse número não difere tanto

A questão socioeconômica

A “desvantagem” citada no estudo representa a desigualdade no nível socioeconômico entre as escolas, já que escolas que ficam em regiões mais pobres tendem a ter estudantes vindos de famílias também mais pobres.

De acordo com a OCDE, muitos estudos já têm se debruçado na correlação entre o nível socioeconômico dos estudantes e o desempenho educacional das escolas. Os dados mostram que o perfil dos alunos faz diferença no seu aprendizado. Mas o impacto não é só da renda. Outros fatores incluem o grau de instrução dos pais (principalmente da mãe), por exemplo. As pesquisas indicam que isso influencia, por exemplo, em um maior engajamento dos filhos em atividades culturais e hábitos de leitura.

A seleção dos melhores professores

Em comparação, continua o estudo, “pouca atenção tem sido dada à variação entre o número e a qualidade dos professores em escolas com diferentes perfis de alunos, e à influência que essa variação tem na equidade do dese

mpenho dos estudantes”.

De acordo com o documento, “professores em escolas em desvantagem nos países ibero-americanos não estão mais preparados ou têm mais experiência que os professores trabalhando em escolas menos desafiadoras”.

Além disso, tanto os diretores quanto os professores dessas escolas dizem perceber que “professores pouco qualificados podem estar atrapalhando o aprendizado dos estudantes”.

Percepção da qualidade dos professores no Brasil
Compare as respostas de diretores e professores de escolas com alunos mais pobres (VERMELHO) e mais ricos (ROXO)
% que acham que professores não têm qualificação adequada2121141420201111232399DIRETORESPROFESSORES (CIÊNCIA)PROFESSORES (OUTROS)02,557,51012,51517,52022,525

PROFESSORES (OUTROS)
23
Fonte: OCDE (dados mais recentes da Talis)

A formação dos professores

A OCDE diz que o Brasil, assim como a Costa Rica e a República Dominicana, apresenta pouca diferença na formação dos professores das escolas com desvantagens do que os demais colégios: as turmas têm em média o mesmo número de alunos, e os professores têm qualificações parecidas.

Em outros países ibero-americanos, como Chile, Colômbia, México, Peru e Portugal, a qualificação dos professores também não varia, mas pelo menos as salas de aulas das escolas com alunos mais pobres tendem a ter menos alunos, o que melhor a relação de alunos por professor.

Além disso, no Brasil, professores das escolas mais pobres que não dão aulas de ciências afirmaram que já tiveram que ensinar em sala de aula temas que não estavam incluídos na sua formação, treinamento ou programas de qualificado, com mais frequência do que os professores contratados pelas escolas com mais alunos ricos.

A experiência dos professores

De acordo com os resultados de cada país no Pisa, e analisando os dados sobre a formação dos professores, o estudo diz que, a cada ano a mais de experiência de um professor, melhor fica o desempenho dos estudantes. Embora não haja detalhes quantitativos sobre essa relação, a OCDE diz que essa melhora no desempenho tende a ser maior nos primeiros cinco anos de carreira dos professores.

A maioria dos estudos descobre que a experiência do professor e o desempenho do estudante estão relacionadas de maneira positiva”, diz a OCDE. “Colocar os professores mais experientes nas escolas com mais desvantagens pode, portanto, ser uma maneira de compensar pelas desvantagens dos alunos.”

Escolas pouco atrativas

Outro empecilho para que os melhores professores trabalhem nas escolas com estudantes mais pobres é que uma série de fatores as tornam menos atrativas, além do fato de que as escolas com os alunos mais ricos e as notas mais altas ganharem um “status” mais alto.

O estudo cita, por exemplo, o fato de essas escolas ficarem em bairros mais afastados do centro das cidades ou oferecem equipamentos piores, o que pode fazer com que professores desistam da ideia de trabalhar lá mesmo que o salário seja mais alto.

Esses atrativos fazem com que as escolas com mais vantagens retenham seus professores durante mais tempo, o que, em consequência, também tem efeito positivo no desempenho dos estudantes, já que os professores acabam conhecendo mais os detalhes e problemas de cada aluno, além de desenvolver relações mais próximas com as famílias.

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Governo voltará a se reunir com caminhoneiros para tentar evitar greve

O governo têm promovido diálogo com representantes mas, devido a falta de coesão entre as lideranças da categoria, admite a dificuldade nas negociações. Embora venha monitorando representantes dos caminhoneiros e conversando com alguns líderes, o Governo Federal admite a dificuldade para negociar com todas as lideranças da categoria devido à falta de coesão. Temendo uma nova greve como a realizada em maio de 2018, novas rodadas de conversas estão marcadas para a próxima semana, segundo informações do site Congresso em Foco. Uma ala mais radical, que não tem participado das conversas com o Palácio do Planalto, fala em uma paralisação a partir do dia 29 de abril, em resposta ao aumento de R$ 0,10 no preço do diesel. Outra, mais ponderada e que tem dialogado com o governo, considera a medida precipitada e deve voltar a se reunir com ministros e técnicos da equipe de Jair Bolsonaro para avaliar o cenário. O valor do diesel deve subir dos atuais R$ 2,14 para R$ 2,24, em média, nos 35 pontos de distribuição no país. Apesar do reajuste, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, acredita que são baixas as chances de greve. Cobrança Em entrevista ao site Congresso em Foco, Wallace Landim, presidente da Cooperativa dos Transportes Autônomos do Brasil (Branscoop), ressalta a necessidade de respostas rápidas para solucionar os problemas da categoria. “Sei que estamos todos na UTI, mas vamos tentar segurar o máximo possível. O governo está trabalhando, mas precisamos de ações urgentes. Espero que consigamos resolver todas as questões a tempo de salvar a todos”, afirmou. Ele explica que, desde a greve de maio do ano passado, que paralisou o país, a categoria começou a se organizar mais, embora ainda não hajam “lideranças estabelecidas” e o WhatsApp continue sendo o meio preferido para os diálogos internos. Para Wallace, apenas da sensação geral de descontentamento que ainda prevalece, o sentimento é de que “o governo está disposto a conversas”. Ele afirmou que estará em Brasília na próxima semana para tratar com os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, da Agricultura, Tereza Cristina, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e tentará mostrar à categoria que o Planalto está aberto ao diálogo. Em nota ao Congresso em Foco, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), parceira de 54 entidades da classe, que diz representar 600 mil autônomos, afirmou estar recebendo, desde o anúncio do aumento do combustível, inúmeras reclamações, mas “ainda não é possível afirmar que a categoria está se organizando para uma nova paralisação”. Reajuste Na última semana, o presidente Jair Bolsonaro, que, segundo Castello Branco, não havia sido informado com antecedência do reajuste do diesel e disse que quer entender o custo que justifica o reajuste. “Na terça-feira convoquei todos da Petrobras para me esclarecerem por que 5,7 por cento de reajuste quando a inflação projetada para este ano está abaixo de 5 (por cento). Só isso, mais nada. Se me convencerem, tudo bem. Se não me convencerem, nós vamos dar a resposta adequada para vocês”, disse no dia …

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Minha Casa Minha Vida receberá 1,6 bilhão de aporte

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) anunciou um montante de R$1,6 bilhão, distribuídos em três meses, para o Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Os recursos, assegurados pelo Governo Federal, visa garantir a continuidade de obras em todo País, para todas as faixas do Programa. Serão R$ 550 milhões nos meses de abril e maio e mais R$ 500 milhões em junho. De acordo com Thiago Melo, vice-presidente da Associação das Empresas Imobiliárias de Pernambuco (Ademi-PE), são cerca de 90 dias que as empresas operantes na faixa 1 estão sem receber. O governo ainda tem uma conta em aberto, devendo R$450 milhões às empresas de pequeno e médio porte. “Não existe programa sem subsidio. No caso da faixa 1 é fundamental que o Governo faça os repasses para garantir à parcela mais baixa da população acesso a moradia”, explicou. Com o subsídio há um clima de perspectiva na retomada de novas contratações na faixa 1,5 do Programa. Presidente da Associação Brasileira dos Mutuários de Habitação (ABMH), Vinicius Costa, explica que os contratos na faixa 1,5, estavam pendentes desde novembro de 2018. “A expectativa é que com esse aporte os contratos que estavam pendentes sejam cumpridos. Mas ainda não sabemos se o recurso terá viabilidade para novas contratações”, disse. Costa ainda esclarece que faixa 1,5 é um setor que movimenta bastante a economia, pois as classes C e D têm comprado cada vez mais imóveis e as construções estão se voltando para fazer vendas a esta classe. “Quando acontece de um recurso acabar é porque a procura foi maior do que o esperado”, finalizou.

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Movimento nos aeroportos deve crescer 2% no feriado, diz Infraero

No feriado prolongado da Semana Santa, o movimento de passageiros nos aeroportos administrados pela Infraero deve crescer 2%. A expectativa é que entre esta quinta-feira (18) e segunda-feira (22), 1,05 milhão de viajantes passem pelos terminais. Na quinta-feira e segunda (22) serão os dias de maior movimentação.