Odebrecht não queria ser identificada por obra em sítio, diz engenheiro

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Frederico Barbosa, ex-engenheiro da Odebrecht, disse ao juiz Sergio Moro nesta quarta-feira (7) que foi orientado a garantir que os funcionários da obra no sítio de Atibaia (SP) não utilizassem uniformes com identificação da empreiteira, para que a empresa não fosse exposta.

Ele prestou depoimento como testemunha de acusação na ação penal que investiga se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se beneficiou de R$ 1,02 milhão em benfeitorias no sítio, que teriam sido pagas pelas construtoras Odebrecht e OAS.

Barbosa reafirmou que participou das obras a pedido da empresa e disse ter sido comunicado de que os trabalhos seriam para Lula. Relatou, ainda, que também realizou a avaliação de uma obra no apartamento do petista, em São Bernardo do Campo.

Ele também disse que Rogério Aurélio Pimentel, ex-assessor de Lula, era responsável e tinha todo o poder de decisão sobre a obra. Segundo ele, Aurélio interferiu pouco na execução, mas acompanhou a evolução do trabalho, aprovando o que seria feito.

O engenheiro afirmou que, a pedido de Emyr Costa, seu superior, contatou uma empresa pequena, do empreiteiro Carlos Rodrigues Prado, para realizar a obra. Como o empresário teria dito que não conseguiria executar o trabalho sozinho, o engenheiro relatou que a Odebrecht decidiu ajudar na construção.

Emyr teria afirmado a Barbosa que a Odebrecht ficaria responsável pelos recursos para a obra. Em seu depoimento, Barbosa estimou os custos de materiais em R$ 500 mil, sem contar com o pagamento da empresa de Carlos Rodrigues Prado, cuja operacionalização o engenheiro disse desconhecer.

Ele declarou, ainda, que não sabe se a Odebrecht foi ressarcida pelos valores. “O recurso era oriundo do Emyr. Se houve remessa para o Emyr eu desconheço.” O engenheiro disse a Moro que a recomendação de Emyr era de que Aurélio procedesse com os pagamentos dos materiais, porque Barbosa não deveria fazê-lo em nome da empresa.

Em quatro ocasiões, ele teria recebido de Emyr dinheiro em espécie, em envelopes fechados, cada um com cerca de R$ 70 mil. Em seguida, teria repassado os valores a Aurélio. Segundo ele, não foi formalizado contrato para a obra.

Empréstimo
Em depoimento a Moro, Salim Schahin, colaborador e sócio do grupo Schahin, voltou a afirmar que o pecuarista José Carlos Bumlai o procurou, em 2004, acompanhado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que teria dito que o partido precisava de empréstimo urgente. Schahin relatou que Bumlai foi cobrado diversas vezes pelo empréstimo de R$ 12 milhões porque não teria honrado o pagamento.

Schahin afirmou que, posteriormente, o grupo ficou sabendo da oportunidade de operar o navio-sonda Vitória 10.000. Ele disse que tinham “grande experiência” e condições de pleitear a operação, mas que perguntou a João Vaccari, então tesoureiro do PT, se haveria a possibilidade de ter um apoio político.

Vaccari teria afirmado que sim, desde que o empréstimo de Bumlai fosse quitado. Ele teria dito que o ex-presidente Lula estava a par da situação. A negociação foi confirmada pelo irmão de Salim, Milton, que também prestou depoimento nesta quarta.

Na tarde desta segunda-feira (5), também falaram ao juiz Sergio Moro o casal de marqueteiros e colaboradores Mônica Moura e João Santana e o ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa.

Relembre o caso
No processo que envolve o sítio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, o ex-presidente se beneficiou de R$ 1,02 milhão em benfeitorias no imóvel, que era frequentado por Lula e seus familiares. As reformas teriam sido pagas pelas empreiteiras Odebrecht e OAS.

De acordo com a Procuradoria, os valores usados nas reformas teriam vindo de contratos das empreiteiras na Petrobras, e repassados como vantagem ilícita ao ex-presidente.

Lula também teria pedido R$ 150.500 ao pecuarista José Carlos Bumlai, seu amigo, para que fossem realizadas reformas no sítio. Em setembro de 2016, Moro condenou Bumlai por ter adquirido em 2004 um empréstimo de R$ 12 milhões com o grupo Schahin em nome do PT. A dívida, segundo a acusação, foi quitada posteriormente por meio do contrato de operação do navio-sonda Vitória 10.000.

Uma reportagem da Folha de S.Paulo, em janeiro de 2016, revelou que a Odebrecht realizou a maior parte das obras no sítio, gastando R$ 500 mil apenas em materiais. Para a Procuradoria, o sítio, que está em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, pertencia, na realidade, a Lula, “proprietário de fato” do local, e foi comprado em seu benefício.

Entre as provas mencionadas pelos procuradores, estão e-mails enviados a endereços do Instituto Lula, que citam cardápios de almoço no sítio e viagens do petista a Atibaia. O Ministério Público Federal chegou a apresentar ao juiz Sergio Moro uma planilha fornecida por Emyr Costa Junior, engenheiro da Odebrecht e colaborador. O documento, segundo o delator, demonstraria o empenho de R$ 700 mil na compra de materiais e serviços relativos à reforma do sítio em Atibaia (SP).

A defesa do ex-presidente, por sua vez, disse que não há qualquer conexão entre a planilha, o ex-presidente Lula e o sítio de Atibaia. O advogado Cristiano Zanin afirmou que o documento, além de não ter valor probatório, não apresenta relação com os sete contratos da Petrobras que fundamentam a acusação. A defesa de Lula vem afirmando que o sítio não é do ex-presidente.

http://www.folhape.com.br/politica/politica/politica/2018/02/07/NWS,58232,7,547,POLITICA,2193-ODEBRECHT-NAO-QUERIA-SER-IDENTIFICADA-POR-OBRA-SITIO-DIZ-ENGENHEIRO.aspx

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