Ozonioterapia é experimental e médicos não podem cobrar por tratamento, determina CFM

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O Conselho Federal de Medicina determinou que a terapia com ozônio, conhecida como ozonioterapia, só pode ser aplicada em caráter experimental, dentro de protocolo de estudo definido pela Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep). Na prática, isso significa que médicos não vão poder cobrar de pacientes em nenhuma etapa da aplicação, o sigilo e anonimato deve ser garantido e especialistas devem oferecer atendimento médico-hospitalar no caso de reações adversas.

A determinação do Conselho Federal de medicina foi publicada essa semana no Diário Oficial da União. Matéria do “Fantástico” exibida no domingo (16) mostrou que médicos chegam a cobrar R$ 16 mil por tratamento contra a Aids.

A ozonioterapia é uma técnica que utiliza uma mistura de gases oxigênios e ozônio por várias vias: são aplicadas injeções ou a administração pode ser via retal, por exemplo. A finalidade é terapêutica, mas, segundo o CFM, não há estudos com metodologia adequada que comprovem as várias promessas da terapia.

O Conselho Federal de Medicina diz que a decisão foi tomada após análise de uma série de estudos e trabalhos científicos sobre o tema. “Os trabalhos são ainda incipientes e não oferecem aos médicos e aos pacientes a certeza de que a ozonioterapia é eficaz e segura”, diz Leonardo Sérvio Luz, médico e um dos conselheiros do CFM.

Em nota, a Associação Brasileira de Ozonioterapia (ABOZ) diz que vai apresentar estudos com evidências ao Conselho Federal de Medicina. Já o conselho, diz que já avaliou mais de 26 mil trabalhos a pedido da associação e que, em geral, os estudos não apresentam metodologia adequada.

“Ao final, o CFM entendeu que seriam necessários mais estudos com metodologia adequada e comparação da ozonioterapia a procedimentos placebos, assim como estudos comprovando as diversas doses e meios de aplicação de ozônio” — Conselho Federal de Medicina.

“A equipe de pesquisa científica da ABOZ encontrou artigos que favorecem a técnica da ozonioterapia no Brasil com estudos muito atuais, ainda não disponíveis em plataformas públicas de pesquisa, mas que obedecem os critérios da medicina baseada em evidência. Tenhamos calma e bom senso para que tudo seja apresentado ao CFM” — ABOZ.

Questionada pela ciência, terapia com ozônio ganha espaço em consultórios

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R$ 16 mil para a cura da Aids

Em matéria no “Fantástico” veiculada no domingo (8), repórteres visitaram consultórios em Natal (RN ) e em São Paulo. No Rio Grande do Norte, médico cobrou R$ 16 mil para tramento da cura da Aids. Já em São Paulo, especialista cobrou até R$ 5400 para terapia contra hepatite C.

Um dos médicos consultados e em Natal xplica que o ozônio não é capaz de adentrar em células saudáveis, mas trata doenças porque consegue “quebrar especificamente protozoários, fungos e vírus”.

Na esteira da explicação, o médico prometeu tratamento anti-HIV com o método e cobrou R$ 16 mil para um tratamento de quatro meses.

Entrevistado pelo programa, o infectologista Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, diz que “a explicação é muito simplória e não reflete necessariamente o que a gente vê na multiplicação do vírus.”

“O médico ofereceu um tratamento sem comprovação alguma. Não se pode usar um paciente como cobaias para demonstrar hipóteses” — Esper Kallás (USP).

Em São Paulo, a reportagem do Fantástico mostrou médico que promoteu tratamento contra a Hepatite C. O médico explica que o ozônio é introduzido no sangue e, com isso, provoca a eliminação do vírus.

“O ozônio, quando entra no organismo, queima tudo o que está ácido. Tudo o que tiver inflamado, ou doído, ou com problemas de funcionamento está ácido”, diz. A consulta com o especialista custou R$ 150. E o tratamento poderia chegar a cusar R$ 5400 (20 sessões de R$ 270 cada uma).

O “Fantástico” entrevistou o especialista Raymundo Paraná, especialista em hepatites virais e professor da Faculade de Medicina da Universidade Federal da Bahia sobre a promessa do especialista em São Paulo.

“O ozônio não pode entrar no organismo e queimar tudo o que está ácido. Absolutamente não. Isso não é uma teoria possível do ponto de vista da fisiologia humana. Não conheço nenhuma publicação sobre esse assunto” — Raymundo Paraná (UFBA).

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