‘Transtorno dos números’: candidata fará Enem sem noção de contas fáceis ou de tempo; entenda o que é a discalculia

Clipping

Beatriz Carvalho tem discalculia. Na foto, ela recebe o auxílio da professora Selene Di Martynes, especializada em transtornos de aprendizagem. — Foto: Arquivo pessoalBeatriz Carvalho, de 17 anos, prestará o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no próximo domingo (11), quando resolverá questões de exatas. Ela não consegue calcular troco ao fazer compras, não sabe olhar as horas em um relógio de ponteiro, não faz cálculos mentalmente e não tem noção da diferença entre 3 km ou 300 metros, por exemplo.

Nenhuma dessas dificuldades é resultado de falta de capacidade ou de baixo interesse pelos números. Ela se dedica aos estudos e tira notas altas em disciplinas como história e geografia. A matemática é um obstáculo para Beatriz por causa de um transtorno de aprendizagem pouco conhecido: a discalculia. Em inglês, é conhecido também como “number blindness”, ou seja, “cegueira numérica”.

Para fazer o Enem, Beatriz terá direito a uma calculadora, a uma hora a mais para fazer a prova e a uma pessoa que lerá as questões para ela. Ao todo, 337 pessoas com discalculia terão atendimento especializado nesta edição do exame.

“Fiz o Enem como treineira no ano passado e esses recursos me ajudaram bastante. O ledor, infelizmente, não costuma saber o que é discalculia. Explico os sintomas e ele me auxilia a digitar os números corretamente na calculadora e não me deixa confundir um algarismo com outro”, diz Beatriz. Até na prova de geografia, o auxílio é útil – afinal, gráficos e mapas precisam ser interpretados.

Candidata com discalculia terá direito a usar uma calculadora na prova do Enem. — Foto: Pixabay/Arquivo

Na infância, pode se manifestar pelo atraso em aprender a contar de 1 a 10, por exemplo, ou no desenvolvimento mais lento da motricidade. Segundo o neurologista, os mesmos circuitos cerebrais usados na matemática podem ter repercussão na coordenação motora fina, no ritmo e na leitura de partituras musicais.

Beatriz conta que, quando era pequena, já demonstrava sinais claros da discalculia. “Não engatinhei, porque tinha dificuldade na localização espacial; demorei para aprender a contar, não sabia amarrar o tênis”, diz. Posteriormente, na vida escolar, a questão se agravou. Ela não aprendia a fazer as quatro operações nem conseguia estimar o tempo necessário para alguma tarefa. Para somar 3 + 3, por exemplo, usava os lápis do estojo para contar os objetos.

Não chegou a ser reprovada, porque tinha boas notas de comportamento e apresentava bom desempenho em provas na área de humanas. Mas a dificuldade com os números e a falta do diagnóstico abalavam a autoestima de Beatriz.

“Eu não entendia por que não conseguia fazer as contas. Me sentia burra, incapaz. Comecei a ter transtorno de ansiedade forte antes das provas de matemática. Passava mal antes dos testes, ficava muito tensa, rezava para não ser escolhida nas chamadas orais”, diz.

Justamente por causa da ansiedade, sua mãe a levou para uma consulta ao psiquiatra. Foi quando ouviu do especialista, aos 15 anos, que todas as suas dificuldades tinham um motivo: a discalculia. Passou por avaliações clínicas que confirmaram o diagnóstico.

“Senti um alívio enorme. Vi vídeos na internet de outros pacientes com o transtorno e o que eles descreviam era literalmente a minha vida. Eles também iam mal nas aulas de música e de educação física. Tinham problemas de equilíbrio como eu. Não conseguiam lidar com os números, com as horas, com a localização”, explica Beatriz.

Como ser independente?

A discalculia não tem cura. Segundo o neurologista Antonio Carlos, o tratamento deve ser feito de acordo com as dificuldades mais acentuadas dos pacientes – fonoaudiólogos ou psicopedagogos podem ajudar a encontrar alternativas que aliviem os sintomas. Beatriz, desde que foi diagnosticada, tem aulas de reforço com a professora Selene Di Martynes, especializada em transtornos de aprendizagem.

Em sua rotina, a jovem encontrou formas de conviver com o transtorno e de ser independente. Ela é bolsista no Colégio Moppi, no Rio de Janeiro, onde recebe auxílio dos professores e pode resolver as questões de matemática em dupla com algum colega.

Pela casa, espalhou relógios digitais, até no banheiro. Eles ajudam a jovem a ter uma noção melhor da passagem do tempo. Na bolsa, não pode faltar a calculadora: ela é usada para calcular trocos, por exemplo.

O sonho da jovem é cursar licenciatura em história. Ela quer ser professora justamente por perceber, ao longo de sua trajetória, a importância do docente na vida dos estudantes que têm alguma dificuldade de aprendizagem. “Meus professores foram essenciais. Me passaram calma, pensamento crítico e elevaram minha autoestima”, conta. “Quero tornar a educação mais inclusiva.”

Atendimento especializados no Enem 2018, por tipo

  • Autismo – 774 inscritos
  • Baixa visão – 5.232
  • Cegueira – 787
  • Déficit de atenção – 2.408
  • Deficiência auditiva – 8.915
  • Deficiência física – 1.951
  • Deficiência intelectual (mental) – 7.188
  • Discalculia – 337
  • Dislexia – 1.418
  • Surdez – 1.444
  • Surdocegueira – 16
  • Visão monocular – 1.377
Clipping
Número de eleitores cadastrados por biometria chega a 69%, diz TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou hoje (23) que o número de eleitores cadastrados no sistema biométrico de votação chegou a 69,57%. Conforme os dados, 101 milhões dos 146 milhões de eleitores brasileiros estão com as digitais inseridas no sistema eletrônico da Justiça Eleitoral.  Segundo o TSE, 11 estados concluíram o processo de cadastramento. Acre, Alagoas, Amapá, Distrito Federal, Goiás, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins atingiram marca de 100% de eleitores identificados pela biometria.  A meta da Justiça Eleitoral é alcançar mais de 35 milhões de eleitores até o fim de 2020. Os primeiros cadastros biométricos foram feitos em 2008. 

Clipping
Governo lança programa de estratégias para cidades inteligentes

O governo federal lançou, hoje (23), em São Paulo, o Programa Nacional de Estratégias para Cidades Inteligentes Sustentáveis, no Smart City Business Brazil. O programa estabelecerá indicadores e metas e impulsionará soluções para a transformação das cidades brasileiras em cidades inteligentes. O secretário nacional de Telecomunicações e Políticas Digitais do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Vitor Menezes, disse que o conceito de cidade inteligente envolve cidades que usam infraestrutura de tecnologia, inovação e comunicação, “e que promove o bem-estar da comunidade através de quatro vertentes: social, ambiental, cultural e econômico”. Durante a apresentação do plano, o secretário citou como exemplos de ações que podem ser desenvolvidas pelas cidades, a instalação de câmeras de segurança, a identificação facial, o monitoramento de lavouras, os sistemas de aproveitamento de água de chuva, o prontuário eletrônico e a mobilidade urbana. “Esse plano nacional é uma política pública do governo, [lançado] pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que vai organizar e agregar os demais ministérios ao projeto. A ideia é que a gente possa trabalhar, inclusive em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Regional, dentro de uma Câmara de Cidades Inteligentes, que devemos criar nos próximos dias”, explicou o secretário. Câmara Nacional De acordo com o secretário, o plano começará com a criação da Câmara Nacional de Cidades Inteligentes, o que deve ocorrer até agosto. “Nessa câmara deveremos trazer o projeto nacional de cidades inteligentes, os indicadores, de que maneira a gente vai trabalhar, o que vamos perseguir, quais são nossos alvos, de que maneira vamos nivelar as cidades”, explicou. “O Brasil tem um problema de infraestrutura. A maioria das cidades, muitas vezes, não têm infraestrutura de conectividade. Então não dá para falar em cidades inteligentes se não temos conectividade. Precisamos evoluir com nivelamento, cercando indicadores, para que possamos ter um plano nacional bastante estruturado. Isso não é um programa de meses, mas de anos. E é um programa de constante evolução também”, disse. Vitor Menezes adiantou que deverá ser publicado, em breve, um decreto estabelecendo a política nacional para as cidades inteligentes sustentáveis. “O decreto prevê qual é o nosso conceito para cidades inteligentes e algumas questões mais específicas de funcionamento da câmara. Vamos ter um pouco mais de detalhamento acerca do funcionamento desse programa”, explicou o secretário. “Acreditamos que o detalhamento das fases e dos projetos será feito na própria câmara. Mas a gente quer que, pelo menos, o programa estruturado, os indicadores e o nivelamento das cidades comecem ainda este ano”, acrescentou. Segundo o secretário, o plano é importante porque a maior parte da população brasileira – cerca de 85% do total – vive nas cidades. “E é importante que as cidades hoje tenham maior qualidade de vida, que elas tenham capacidade de gerar riqueza para a população, que elas tenham segurança, que os pais tenham tranquilidade com seus filhos e que as pessoas daquela cidade tenham acesso à tecnologia”. “A gente percebe hoje que um programa de cidades inteligentes, além de tudo, gera eficiência para a cidade. Se você, …

Clipping
Inep prorroga prazo de inscrição de servidores para trabalhar no Enem

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) prorrogou até o dia 29 de julho o prazo para que servidores públicos federais e professores da rede pública estadual ou municipal interessados em trabalhar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) façam a inscrição na internet. O prazo terminaria ontem (22). A oportunidade é para atuação na Rede Nacional de Certificadores (RNC) do Enem, nos dois domingos de aplicação da prova, nos dias 3 e 10 de novembro. Os certificadores atuam como representantes do Inep em todos os locais de prova e são responsáveis por conferir vários procedimentos como a chegada e a abertura dos malotes, a distribuição das provas, o trabalho dos chefes de sala, aplicadores e fiscais, entre outros. Todo o trabalho é feito por meio de um aplicativo, pelo qual os certificadores enviam alertas e relatórios ao Inep durante todo o processo. O valor pago é de R$ 342 por dia, o que equivale a R$ 28,50 por hora de trabalho. Os interessados precisam cumprir alguns critérios antes de se inscreverem pela internet, no Sistema RNC ou pelo aplicativo da Rede. Além de serem servidores públicos do Executivo, em exercício, ou professores da rede pública, precisam ter formação mínima de nível médio; não estar inscritos nem terem parentes inscritos no Enem 2019 além de não terem vínculo com qualquer atividade do Enem ou do Inep. Segundo o Inep, todos os inscritos que atenderem aos critérios serão convocados para uma capacitação a distância. Aqueles que obtiverem a nota mínima exigida estarão aptos a atuar como certificadores do Enem. As demandas de trabalho são emitidas na semana da prova, de acordo com a necessidade do Inep para cada local de prova. Em 2019, o Enem será aplicado em 1.728 municípios.