América Latina é região que mais rejeita “bullying” no trabalho

Escritório | Foto: ReutersOs latino-americanos estão entre os que mais rejeitam situações de pressão, assédio, divisão injusta de tarefas ou reprovação que possam ser consideradas como “bullying” no ambiente de trabalho, revela um estudo realizado na França que coletou dados em 14 países ao redor do mundo.

De acordo com a pesquisa, que entrevistou 1.484 alunos e ex-alunos de cursos de MBA em seis continentes, a cultura do local onde uma empresa está baseada tem uma influência direta sobre como seus funcionários tendem a aceitar ou rejeitar “abusos” por parte de seus chefes.

Um dos autores do estudo, o professor Nikos Bozionelos, da Escola de Administração de Audencia, em Nantes, na França, explica que há uma série de atitudes que podem configurar “bullying”.

“Visitas frequentes de seu supervisor à sua mesa ou escritório, perguntas excessivas sobre prazos, deadlines ou avaliações constantes de performance são atitudes que podem ser abusivas, de forma sutil”, diz.

Especialista em psicologia do trabalho, Boniozelos explica que atualmente é menos frequente que os superiores hierárquicos gritem ou ridicularizem um funcionário diante da equipe – com exceção de alguns países asiáticos.

Ele diz que atualmente os efeitos nocivos das atitudes dos chefes sobre as pessoas se dão através de pressões ou comentários muito menos óbvios, e uma das razões principais por trás da mudança é o fato de que nos últimos anos cresceu o número de processos judiciais por assédio e dano moral no ambiente de trabalho.

Por ser muito mais sutil, no entanto, a nova natureza dos abusos é muitas vezes algo difícil de provar judicialmente.

“Fornecer feedback frequente, por exemplo, dizendo repetidamente onde a pessoa poderia ter se saído melhor, onde poderia ter tido uma performance mais elevada, acaba destruindo a auto-confiança do funcionário. Mas é algo que aparentemente pode não ser visto como bullying”, avalia.

Como efeito desse tipo de comportamento, os funcionários podem desenvolver quadros de ansiedade, depressão, além de se sentirem isolados. Alguns podem até chegar a cogitar o suicídio, dependendo do país.

Cultura local

Os organizadores do estudo explicam que o objetivo era avaliar o grau de aceitabilidade do “bullying” no ambiente de trabalho, e não medir o número de ocorrências dos abusos.

Para isso, os participantes foram confrontados com um questionário contendo uma série de situações do dia a dia corporativo, tanto em empresas menores, familiares, quanto em corporações de maiores proporções.

A pesquisa mostrou que embora o tipo de indústria, salário, e o sexo dos funcionários tenha influência, nada exerce maior papel sobre o grau de aceitação de “bullying” do que a cultura local.

Os pesquisadores entrevistaram funcionários de diferentes empresas em 14 países: Argentina, Austrália, Colômbia, Grã-Bretanha, Grécia, Hong Kong, Hungria, Índia, México, Nigéria, Cingapura, Taiwan, Polônia e Estados Unidos.

Diferenças regionais

Os resultados do estudo mostraram que a América Latina é uma das regiões onde as pessoas têm menos aceitação a práticas que podem ser consideradas abusivas por parte de seus chefes.

“Basicamente nesses países as pessoas colocam o respeito ao ser humano, suas necessidades, sensibilidades, em primeiro lugar. Há a expectativa de que os líderes consultem seus subordinados e tratem o grupo como uma família. O chefe que se isola no topo, sozinho, e faz todas as decisões de forma individual, não é bem visto nessa parte do mundo”, explica Bozionelos.

Em comparação, países como Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália se encontram em um grupo no qual a alta performance é bastante valorizada, além de um senso de urgência e de comunicação direta.

Funcionários dessas nações tendem a aceitar algum grau de “bullying” de seus superiores, desde que identifiquem que tais ações contribuam para que a empresa alcance seus objetivos.

Já os chefes de empresas em países asiáticos, sobretudo Cingapura, Taiwan e Hong Kong, tendem a exercer “bullying” sobre seus funcionários com bastante frequência, incluindo gritos e ofensas, mas o comportamento é visto como parte da cultura local.

“É interessante perceber que um funcionário britânico pode ser alvo de bullying assim como um asiático. No entanto, o asiático não ‘sofre’ tanto com as consequências, já que isto é considerado parte da cultura. Na Grã-Bretanha, o mecanismo não condiz com o que a pessoa acha mais certo, mas é aceito pelo bem do resultado final, o que gera um sofrimento maior”, explica.

Fonte: BBC Brasil

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Clipping
Inverno deve ser mais frio em 2022 por conta do fenômeno ‘La Niña’

O frio intenso em pleno outono, com algumas cidades brasileiras registrando até neve e ciclone, tem chocado a população, que se questiona se o inverno, que ocorre entre 21 de junho e 23 de setembro e já apresenta um clima gelado habitual em parte do país, pode ser ainda mais frio neste ano. Para dois meteorologistas entrevistados pelo R7, essas condições devem se repetir com mais frequência e tornar o inverno mais rigoroso, especialmente nos estados do centro-sul do Brasil. O grande culpado é o fenômeno chamado de ‘La Niña’ — causado pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico —, que acentua eventos climáticos extremos em diversos países.  “O La Ninã influencia as temperaturas a serem mais baixas, e consequentemente as massas de ar que se originam no polo Sul pode chegar aqui mais intensas e causar frios recordes”, diz o meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) Cléber Souza. “Ela favorece o frio intenso principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, e também no sul da Amazônia, que pega principalmente o Acre e Rondônia. (…) Como também favorece nessas mesmas áreas a ser menos chuvoso e seco.”  Já a meteorologista da FieldPRO Dóris Palma prevê que o efeito não deve impactar tanto na falta de chuvas – que causaram uma seca histórica no final de 2021. As mínimas, porém, deverão ser mais baixas. “A máxima fica dentro da média, então não teremos grandes desvios. Mas as manhãs tendem a ser mais frias que o normal entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina por conta da influência do fenômeno. Ele não tende a causar eventos extremos durante o inverno [no Brasil]”, comenta.  Fonte: R7

Clipping
Quatro a cada dez brasileiros aptos estão sem terceira dose de vacina contra a Covid

O mês de maio já pode ser considerado o de menor avanço da vacinação contra a Covid-19 no Brasil em 2022, refletindo a estagnação do patamar de cobertura atingido. Nos primeiros 15 dias, a média diária de doses aplicadas foi de 250 mil, uma queda de 40,7% em relação ao mesmo período de abril. A aplicação da terceira dose caiu 57,6% na primeira quinzena deste mês, em comparação com abril, apesar de quatro a cada dez brasileiros aptos (acima de 18 anos e que tenham tomado a segunda dose há mais de quatro meses) ainda não terem recebido o reforço. Dos 143 milhões de pessoas que tomaram as duas doses ou a dose única e, portanto, estariam elegíveis para a terceira dose, 86,5 milhões (60,5%) tomaram o reforço. Cerca de 56,5 milhões de indivíduos estão com apenas duas doses. Outros 18,5 milhões tomaram somente a primeira dose até agora. A vacinação havia ganhado fôlego no primeiro trimestre, com a inclusão de crianças de cinco a 11 anos. Nos primeiros 15 dias de fevereiro, por exemplo, 1 milhão de doses foram aplicadas, patamar que caiu para 630 mil na primeira quinzena de março e para 422 mil no mesmo período de abril. “Preocupa, neste sentido, a estagnação no crescimento da cobertura vacinal na população adulta, além da desaceleração da curva de cobertura de terceira dose, especialmente pela adesão substancialmente menor de adultos à aplicação da dose de reforço”, alertam pesquisadores do Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em um boletim divulgado na quinta-feira (19). O médico Renato Kfouri, membro da diretoria da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 do Ministério da Saúde, concorda que há pouco espaço para aumentar o número de pessoas vacinadas. “Estamos chegando perto desse número final, em que se consegue avançar muito pouco. Sempre há espaço para avançar mais, mas em um ritmo muito lento – aquilo que a gente vacinava em um dia agora vacina em dois meses.” O ideal, segundo o especialista, seria uma cobertura vacinal de 90% com três doses, mas atualmente, 88,9% dos brasileiros com cinco anos ou mais (que podem ser imunizados) tomaram a primeira dose. Destes, 82% receberam o esquema de duas doses ou dose única. Para a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), a percepção de risco sobre a doença tem um papel na queda da busca pela imunização. “Continuamos com transmissão ainda da doença, com mortes, e agora estamos vendo um aumento de positividade das amostras. Também tem um efeito da diminuição das pessoas procurarem o teste. Elas têm uma síndrome gripal, a percepção do risco é menor. Tem uma dificuldade de ter bons indicadores sobre a doença.” A média móvel de novos casos de Covid-19 nos últimos sete dias está em 17,7 mil, uma alta de quase 18% em relação ao observado há duas semanas. Ainda assim, é um patamar baixo, mas que certamente está envolto em um grande número de diagnósticos subnotificados, segundo os especialistas. …

Clipping
TV aberta e canais por assinatura concentram 79% do consumo de vídeo do brasileiro

Apesar do boom dos serviços de streaming nos últimos anos, o consumidor brasileiro dedica cerca de quatro vezes mais tempo à TV linear (que engloba canais tradicionais, abertos ou fechados, com programação fixa e predefinida) do que às plataformas digitais. É o que aponta o estudo Inside Video, feito pela Kantar Ibope Media e divulgado na quarta-feira. A pesquisa revelou que os brasileiros dedicam 79% do seu tempo de consumo de vídeo em casa ao modelo tradicional de exibição, contra 21% para plataformas de streaming. A medição foi feita a partir de softwares instalados nas TVs e nos roteadores de internet dos domicílios participantes. O estudo também apontou o alcance da TV linear no território brasileiro. Em termos mensais, as emissoras dessa modalidade alcançaram 93% da população. Em 2021, 205.876.165 pessoas assistiram aos canais de TV aberta e por assinatura. Se cruzados estes dados com os dados do IBGE, chega-se a 96,51% da população brasileira.  Já o tempo médio diário que se passa em frente à tela ficou em 5h37m por pessoa. É o quarto maior consumo na América Latina, atrás de Argentina (6h16m), Panamá (5h54m) e Chile (5h33m). O espectador dedica 25% do tempo voltado à televisão ao jornalismo. Depois vêm as novelas, com 18%, programas de auditório (9%) e reality shows (4%). Futuro passa pelo digital Para Marlise Viegas Brenol, associada da Associação Brasileira dos Agentes Digitais (Abradi) e doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS, o estudo reafirma a televisão como um lugar de referência para as famílias brasileiras, ainda que o comportamento do consumidor tenha se tornado mais complexo com o avanço das plataformas digitais. Ela ressalta ainda que o futuro da TV linear passa pelo digital, por causa do novo padrão hiperconectado do consumidor: O estudo também traz dados sobre as plataformas on-line. Dos 21% do tempo a elas dedicado, 15% são do sistema AVOD (Video Advertising on Demand, de plataformas gratuitas financiadas por publicidade). Já o modelo SVOD (Video Subscription on Demand, serviço financiado por assinatura do usuário) representa 6%. Segundo a Kantar, o preço e o catálogo de novos filmes e séries são as duas principais razões que levam as pessoas a assinarem serviços de streaming. Em seguida vêm o bom funcionamento do aplicativo, catálogo de filmes e séries antigos, e a facilidade de navegação. A maior concorrência entre os serviços de streaming também fez com que as plataformas elevassem seus investimentos em publicidade em 243% entre 2019 e 2021. Mercado publicitário O elevado consumo de vídeo pelos brasileiros segue no radar do mercado publicitário. Em 2021, 63% de todo o investimento publicitário foi feito em formatos de vídeo. Os reality shows, com altos índices de audiência, se destacam. Eles têm índice de intensidade de consumo de 366, contra 276 de programas jornalísticos e de auditório. Segundo a Kantar, houve um crescimento de 20% no volume de ações de branded content nos reality shows entre 2019 e 2021. Considerando os Top 5 entre esses programas, houve salto de 128%. “O mercado de vídeo está em pleno movimento. Ao passo que temos a consolidação de novos hábitos de consumo, os produtores e distribuidores de conteúdo se expandem e se transformam”, ressaltou a CEO da Kantar Ibope …