Atlético Clube de Amadores, em Afogados, fecha as portas

Arlindo Marciel, presidente do clube, chora o fechamento do local / Foto: Diego Nigro/JC ImagemA cobrança de uma dívida trabalhista resultou no fechamento do Atlético Clube de Amadores, localizado na Estrada dos Remédios, em Afogados, bairro da Zona Oeste do Recife. Fundada em 1943, a casa de eventos comemorou 70 anos de atividades mês passado. Na última segunda-feira, a Justiça determinou a desocupação imediata do prédio. A medida também se aplica a seis estabelecimentos comerciais que funcionam no terreno do clube.

De acordo com o presidente do Atlético, Arlindo Maciel, o imóvel de mais de 6 mil metros quadrados de área foi penhorado pela Justiça e arrematado por R$ 385 mil, em 2005. “O leilão estava rolando e a presidência do clube, na época, não se defendeu e nem liquidou o débito”, diz ele, acrescentando que assumiu a gestão em janeiro de 2007, sem saber da questão trabalhista.

“Quando virei presidente, procurei a reclamante e sugeri pagar o débito após o Baile dos Casados (festa realizada pela casa desde 1959, no período carnavalesco), mas ela não aceitou”, declara. Inicialmente avaliada em R$ 42 mil pela Justiça, a dívida com a ex-funcionária chegou a R$ 73 mil. “Fiz o depósito em juízo, no ano de 2010, e achei que a situação estava resolvida”, diz Arlindo.

Nos últimos seis anos, o clube enfrentou três ações de despejo e conseguiu revogar duas das decisões, com mandado de segurança, informa. Agora, a Justiça do Trabalho concedeu, novamente, a imissão de posse ao novo proprietário. “Eu lutei pelo clube, não vendi e nem fiquei com o dinheiro, como estão me acusando, peguei empréstimo para fazer o depósito de R$ 73 mil”, desabafa, chorando, Arlindo Maciel.

Ele conta que pediu ajuda à Prefeitura do Recife, para salvar o Atlético, este ano. “O prefeito publicou decreto no Diário Oficial (nº 26.972 de 20 de fevereiro de 2013) tornando o imóvel de utilidade pública para fins de desapropriação. A sede seria preservada e o restante do terreno seria uma Unidade de Pronto Atendimento–Especialidade (UPA–E). Todos ficamos contentes, mas parece que não adiantou.”

Os inquilinos dos estabelecimentos comerciais instalados no imóvel reclamam da demora do presidente do clube em comunicar a ordem judicial. “Ficamos sabendo disso sábado passado, às 18h30. Seu Arlindo disse que a gente tinha de desocupar urgentemente porque a Justiça determinou. E a gente vai para onde? Como vou fazer uma mudança assim, de repente?”, questiona Maria de Lurdes Correia Vieira, que mantém um bar há dez anos.

Deverão ser desocupados, além do clube, três bares, um salão de beleza, uma academia de ginástica e uma banca de jogos. “Meu contrato com o clube vence em janeiro de 2014, pago meu aluguel em dia, não posso sair desse jeito, sem ser avisada com antecedência. Eu vivia perguntando a seu Arlindo se a gente ia sair e ele dizia que era tudo boato”, critica Rita Maria do Nascimento, que mantém um bar no local há sete anos.

“Avisei no fim de tudo porque estava aguardando outro desfecho, esperava uma ajuda da prefeitura. O Atlético Clube de Amadores é um patrimônio da cidade”, defende-se Arlindo Maciel. “Acabou-se a alegria de Afogados, é muito ruim tudo isso, o Atlético tem 70 anos de glória”, lamenta Reginaldo Paulo da Silva, funcionário do clube há 34 anos. Arlindo Maciel pretende usar o dinheiro da penhora para abrir o clube em outro lugar. “Só quando morrer perderei essa esperança.” O clube está recolhendo peças do prédio para guardar.

Fonte: Jornal do Commércio

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