Bangladesh enfrenta violentos protestos após desabamento matar mais de 300

Milhares de operários da indústria têxtil de Bangladesh tumultuaram as áreas industriais da capital bengalesa na sexta-feira, depredando veículos com varas de bambu e incendiando pelo menos duas fábricas, em violentos protestos deflagrados pelo desabamento de um edifício que causou a morte de pelo menos 304 trabalhadores, esta semana.

Os protestos surgiram enquanto as equipes de resgate se esforçavam pelo terceiro dia para encontrar sobreviventes nas ruínas do edifício, o Rana Plaza, em um subúrbio de Dacca, a capital bengalesa.

As autoridades bengalesas reportaram que 72 pessoas foram encontradas vivas nos escombros, o que representa uma das poucas boas notícias quanto ao que vem sendo visto como o mais mortífero acidente na história do setor têxtil –e a expectativa é de que o número de vítimas continue subindo.

A primeira-ministra bengalesa, Sheikh Hasina, ordenou a detenção do proprietário do Rana Plaza e dos de quatro fábricas de roupas que operavam nos pavimentos superiores do edifício de oito andares.

Também está crescendo a pressão sobre as marcas de roupas ocidentais que dependem pesadamente de Bangladesh para a fabricação de seus produtos; ativistas trabalhistas encontraram em meio aos escombros rótulos de marcas como J. C. Penney, Cato Fashion, Primark (uma cadeia britânica de varejo de roupas) e outras companhias.

Uma comissão especial foi formada pelo governo de Bangladesh para investigar o acidente e já começam a surgir questões sobre os motivos para que mais de 3.000 operários estivessem trabalhando lá quando o edifício desabou, na manhã desta quarta-feira (24).

Um dia antes, haviam sido encontradas rachaduras na estrutura, e oficiais da polícia e líderes do setor têxtil bengalês dizem que haviam solicitado aos donos das fábricas que suspendessem o trabalho até que o edifício fosse inspecionado. “Eu não definiria o acontecido como acidente”, disse o ministro da Informação bengalês, Hasanul Haque Inu, a jornalistas. “Eu definiria como homicídio.”

Os violentos protestos da sexta-feira ricochetearam entre diferentes bairros industriais de Dacca, quando os operários têxteis saíram às ruas para dar vazão à sua fúria. Muitos dos manifestantes queriam pena de morte para Sohel Rana, o dono do edifício, bem como para os donos das fábricas de roupas localizadas nos pavimentos superiores.

Há informações de que mais de 150 veículos foram danificados e de que alguns manifestantes causaram incêndios em duas fábricas.

Em Narayanganj, um bairro industrial nas cercanias da capital, os manifestantes vandalizaram pelo menos cinco fábricas de roupas e entraram em choque com a polícia. Pelo menos dez pessoas saíram feridas e quase duas dúzias de operários foram detidos por acusações de vandalismo, depois que as manifestações interromperam o tráfego em uma via importante. Por toda a região da capital, muitos motoristas optaram por tirar seus veículos das ruas a fim de evitar os manifestantes.

PRESSÃO

Enquanto isso, organizações trabalhistas americanas distribuíram na sexta-feira fotos mostrando que rótulos da J. C. Penney e do grupo de varejo espanhol El Corte Ingles haviam sido encontradas no local do desabamento.

Tentando forçar os grupos americanos de varejo a fazer mais para garantir a segurança das fábricas em Bangladesh, dezenas de defensores dos direitos dos trabalhadores realizaram protestos nesta quinta-feira diante da sede da Gap em San Francisco e de uma loja da Wal-Mart em Renton, Washington.

Ativistas trabalhistas e grupos de defesa dos direitos humanos apelaram aos grupos de varejo e marcas mundiais por ajuda no custeio de programas de melhora da segurança das fábricas e atualização dos equipamentos de combate a incêndio, necessidade que ficou clara em um incêndio acontecido em novembro no qual 112 trabalhadores que produziam shorts e suéteres para exportação foram mortos em Bangladesh.

Os ativistas dizem que gastar US$ 600 milhões ao ano por cinco anos poderia sustentar melhoras consideráveis nas 5.000 fábricas de roupas de Bangladesh –e apontaram para o fato de que as marcas mundiais poderiam bancar esse programa se aumentassem em US$ 0,10 por peça o preço pago aos produtores bengaleses pelos mais de 6 bilhões de peças de roupas que exportam ao ano.

Os líderes das duas mais poderosas associações setoriais da indústria têxtil de Bangladesh anunciaram na sexta-feira que as fábricas de seus integrantes ficariam fechadas no final de semana para que os trabalhadores pudessem ajudar no trabalho de resgate no Ranu Plaza. Atiqul Islam, presidente da Associação dos Fabricantes e Exportadores de Roupas de Bangladesh, apelou aos proprietários do Rana Plaza e das fábricas que operavam no edifício que se entreguem às autoridades.

Islam também disse que a organização setorial contrataria engenheiros, nos próximos meses, para examinar a estabilidade estrutural de todas as fábricas de roupas do país. Enquanto isso, as Forças Armadas bengalesas estabeleceram um posto de comando perto do Rana Plaza para coordenar os esforços de resgate. Equipes de soldados, forças paramilitares e cidadãos comuns estão escavando cuidadosamente os escombros, em certos lugares com as mãos nuas.

Fonte: Folha de S.Paulo

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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