”Cadastro de adoção é um formalismo”, diz Uchoa

Uchoa afirma que se tivesse participado, estaria fazendo um bem / Clemilson Campos\JC ImagemEm entrevista à rádio JC News, nessa sexta-feira, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa (PDT), falou pela primeira vez sobre o caso de suspeita de tráfico de influência envolvendo seu nome em um processo de guarda provisória de uma criança. Confira abaixo os principais trechos da entrevista, concedida ao apresentador Aldo Vilela.
A ADOÇÃO
Minha filha Giovanna foi procurada por um casal amigo, Fabíola e Fernando. Esses amigos disseram que a irmã de Fabíola havia ido à Flórida (EUA) e lá conheceu um casal que tinha o interesse (de adotar uma criança), uma vez que a mulher era pernambucana e tinha apartamento no Rio de Janeiro, e o marido havia se aposentado pela American Airlines. Como eles não podiam ter filhos, desejavam adotar.
A FILHA
Ela (Giovanna) nasceu em Igarassu, e lá toda a comunidade conhece a forma como ela age perante a comunidade pobre. Iniciou uma candidatura a prefeita, mas desistiu logo de início porque, na verdade, é uma pessoa abnegada para fazer o bem. Se perguntar, em Igarassu, quantas cadeiras de roda, quantas cirurgias de catarata, quantas pessoas foram formadas no núcleo de assistência social Walfrido Uchoa, quantas vezes ela não negou um remédio a alguém. Ela é uma pessoa que tem essa tendência de procurar ajudar.
O ABRIGO
Quando o casal veio a Pernambuco, a amiga comum informou que tinha um abrigo em Olinda. Era bom que a imprensa visitasse esse abrigo, aqui na beira-mar de Olinda, para ver as condições de higiene e de moradia. Eu, por curiosidade e de tanto se falar, como moro em Olinda, passei por lá, pela frente, não cheguei a entrar, e vi como é maltratado esse abrigo.
A CRIANÇA
Nessa pesquisa de busca por uma criança, foram a esse abrigo e encontraram uma criança de cor escura, com mais de um ano de idade. A mulher, Cris, que não sei o nome dela, simpatizou por essa garota.
INFLUÊNCIA
Giovanna procurou um advogado, que trabalha em meu gabinete na Assembleia, mas que tem escritório particular, para requerer a guarda provisória. Nunca fui no fórum, não conheço a juíza, não conheço a promotora, nunca vi a menina. Vi o casal na missa de Mãe Rainha, que todo dia 18 eu frequento. Pronto, encerrou minha participação nesse episódio. E ainda que eu tivesse me envolvido nisso, e tivesse procurado ajudar essa criança, eu não vejo nenhum crime cometido por isso. (A menina) não está em cadastro de adoção. Esse formalismo é para gente pobre, miserável, porque você viu o formalismo (do caso do Mensalão) no que deu no Supremo.
PARA O BEM
E, ainda assim, se eu tivesse essa participação, eu estaria fazendo um bem, porque não é brincadeira ter uma criança enjeitada por uma mãe dentro de um abrigo há mais de um ano. Pelas condições que Giovanna me falou, ela estava com um tumor na perna, cheia de mordidas de muriçocas, ninguém queria adotá-la, só procuravam meninas de olhos verdes e pele branca. E, quando apareceu essa criatura (a carioca Cristiane Marvin, interessada em adotar), Giovanna foi até o fórum com o advogado dar entrada no processo.
DENÚNCIA
É muito provável (haver cunho político na denúncia), porque nessa vida pública é um jogo de empurra-empurra. Uns agem de forma a querer macular a imagem de alguém pelo fato de ter um tráfico de influência. Se todo mundo no Brasil que fizer tráfico de influência usá-lo para tirar uma criança pobre de um abrigo, é o maior tráfico de influência que conheço, o mais honesto, mais direito, mais humano que pode existir nesse mundo.
CENSURA
Eu não conheço sequer o advogado que subscreveu a ação (que proibiu órgãos de imprensa de citarem o seu nome). Eu vou até agradecê-lo. Ele protestou pela juntada posterior de uma procuração, quando eu cheguei eu assinei, pedindo para sustar, pelo menos, as propagandas, os escândalos, as conotações que eram dadas sobre meu nome nesse caso. Porque trabalhar para pobre não é fácil. É difícil, porque depende de muita coisa. Depende até de se expor. Minha mulher (que foi operada) retirou os pontos domingo e está lá em São Paulo internada. A imprensa escrita já procurou saber o número do apartamento para saber se é verdade, se eu estaria querendo vender o sensacionalismo com a doença da minha esposa. Não é possível. Houve essa tentativa. Quando eu voltei, três dias depois, fui à imprensa e pedi a retirada da ação.
JORNALISTAS
Se eu não respeitasse a imprensa, se não gostasse da liberdade de imprensa… Nessas 100 vagas que estou abrindo para o concurso público, 20 são de jornalistas, para tirar todos os jornalistas comissionados da Assembleia e nomear os concursados. E o salário começa em R$ 11 mil. Eu não acho que é um salário que toda imprensa paga a um jornalista em Pernambuco. E não é possível que pague menos, porque o trabalho que o jornalista faz é muito importante. Ele leva notícia, não dorme, não come direito, não tem final de semana.
PERSEGUIÇÃO
Tem uma determinada jornalista que diariamente… Houve o (anúncio do) concurso e eu citei que estou nomeando dois engenheiros, ou cinco técnicos. Isso porque, às vezes, passam mulheres e elas têm o direito de maternidade, de férias. Sabe o que foi dito hoje? Que Guilherme Uchoa é irônico. É uma coisa que eu disse, até numa brincadeira, que as mulheres conquistaram a igualdade, mas não renunciaram aos privilégios. Brincando, isso. Então eu estou proibido de brincar. Para você ter uma ideia: dia 18, quarta-feira, eu fui para a missa de Mãe Rainha, como faço há 14 anos, quando estava na fila para receber a hóstia, estava lá a imprensa me fotografando com a boca aberta e a hóstia na mão. Pronto, basta dizer isso. Se isso é normal, eu não sei.
ORIGEM
Tenho uma vida muito modesta. Comecei como professor em Igarassu, na Escola João Pessoa Guerra. Passei oito anos em sala de aula, eu e minha mulher, ensinando. Fui diretor de escola em Itapissuma. Depois, fui ser agente de polícia, trabalhei na rua, prendendo bandido. Como escrivão de polícia, trabalhei no plantão. Fiz Direito na UFPE porque não podia pagar uma faculdade particular. Na época eu era professor do Estado e casado, com dois filhos. Terminei a faculdade, fiz concurso para juiz de direito. Passei 14 anos na magistratura.
Fonte: JConline
Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)
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