Especialistas avaliam que adoção não resolve problema de crianças vítimas de crack

 imagesA solidariedade tem proporcionado um futuro melhor às crianças filhas de adolescentes viciadas em crack. No entanto, está longe de representar uma solução para o problema. O técnico de rede, Djalma da Silveira Gusmão e sua família, por exemplo, adotaram quatro crianças de uma só vez. Eles participavam de um trabalho comunitário na favela onde morava a mãe das crianças, usuária de crack. A decisão foi há dois anos, depois que a filha mais nova, com apenas 17 dias de vida, foi deixada em casa sozinha após ser jogada no chão.

“Ligaram no meio da madrugada para nossa casa dizendo que a bebezinha tinha sido jogada no chão. Fomos até o local, a Esterzinha [nome da criança] estava com uma fratura na cabeça e a levamos para uma Unidade de Pronto-Atendimento. E foi aí que começou nossa história com elas”, contou Djalma. Quatro meses depois do início do processo de adoção, a esposa de Djalma morreu, mas ele não desistiu da adoção e teve a ajuda da filha de 18 anos na criação das gêmeas, Isabelle e Isadora, hoje com 6 anos, Ester, de 2 anos, e Pietro, de 3 anos.

“Elas quase não têm lembrança da mãe biológica, pois eram muito novas e graças a Deus, não têm nenhuma sequela e são todas saudáveis”, disse ele. “Fica mais complicado quando as crianças já são maiores”, ponderou Djalma. A história de adoção dos quatro filhos de Djalma é uma exceção no universo de crianças filhas de dependentes de crack, segundo a conselheira tutelar Liliane Lo Bianco.

“Na vida real, as crianças ficam pela rua, a gente não consegue tirar. Hoje temos um grande número de crianças que são filhas do crack. São meninas viciadas que se prostituem para a compra da droga. O crackamortece, despersonaliza esse sujeito”, explicou ela. “Eles criam afeto pelo crack, que dá o que eles não têm no núcleo familiar, que é prazer, liberdade”, acrescentou. Para a diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ivone Ponczek, é importante criar medidas para estimular o vínculo da mãe com o bebê e evitar a perpetuação de um ciclo de abandono.

“A adoção é uma alternativa, mas antes da adoção temos que tentar criar vínculo com a família, por mais precária que ela seja. Se a mãe não puder, pode ser uma tia, uma avó, alguém que exerça essa função materna”, declarou ela, que defendeu que o vínculo materno é, inclusive, um estímulo para a mãe abandonar o vício.

Fonte: Agência Brasil

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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