Médicos estrangeiros passam por teste em unidades de saúde do Recife

Profissionais aproveitaram intervalo do treinamento para falar com a família pela internet (Foto: Lorena Aquino / G1)Médicos estrangeiros serão avaliados, na próxima sexta-feira (30), durante visita às unidades de saúde do Recife. Pela primeira vez, os profissionais deixarão a sala de aula para observar o atendimento à população. Eles poderão conversar com equipes e pacientes, mas não vão realizar consultas. Nesta terça (27), segundo dia de treinamento do programa ‘Mais Médicos’, eles tiveram aula sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e língua portuguesa. No entanto, a cartilha do idioma produzida pelo Ministério da Educação ainda não foi entregue aos estrangeiros.

A aula de hoje ocorreu nas dependências da Escola Técnica Miguel Arraes, em Vitória de Santo Antão, na Mata Sul de Pernambuco. Postos de saúde desse município também receberão a visita dos profissionais. “Eles não vão realizar atendimento nas unidades, mas poderão conversar com a equipe médica e pacientes. Vamos observá-los e fazer uma avaliação. Todos os dias são testados”, explicou o médico tutor do programa ‘Mais Médicos’ na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Rodrigo Cariri.

Parte dos 115 profissionais em treinamento no estado já teve experiências em programas humanitários em outros países. Alguns falam português. Ainda assim, os médicos apontaram o que observaram de diferente depois das duas primeiras aulas do idioma. Especialista em medicina geral e formada há 22 anos, a cubana Wilma Zamora Rodrigues trabalhou por três anos no Tocantins, entre 2001 e 2003. Na segunda vinda ao Brasil, relembrou como a língua, apesar de muito parecida, tem seus próprios termos. “Alguns estados tem suas particularidades, tem palavras no Tocantins que não se usa aqui em Pernambuco. Da primeira vez que vim, aprendi a falar caxumba, papeira, e outras palavras”, afirmou. “São muitas diferenças, mas isso não tem problema. Vou aprender fazendo”.

as aulas de língua portuguesa, a cubana contou que aprendeu regras básicas de conversação aplicadas à consulta. “Estudamos a comunicação, os números, aprendemos como perguntar o nome, a idade, onde mora”, disse, no intervalo para almoço. “Ainda não entramos em vocabulário específico, mas estamos introduzindo termos”, acrescentou falando português

Casado com uma brasileira e com dois filhos nascidos no Brasil, o uruguaio César Gabriel Perez Beguiristain conciliou o último ano de vida com viagens entre os dois países. A cada 15 dias atendendo em Montevidéu (capital uruguaia) e na cidade de Las Pedras, ele passava 15 dias com a família no Recife. Agora, vai viver três anos aqui pelo Mais Médicos, defendendo que a oportunidade dada pelo programa envolve muitos outros aspectos além do Revalida, exame que dá a validação do diploma estrangeiro no Brasil.

“Sempre vai ter gente contra e a favor. Eu acho que tem que ser feito, pretendo fazer o Revalida porque é o caminho legal para atuar aqui. Sou a favor que tenha uma forma de controle, mas o programa é uma forma interessante de resolver o problema. O fato de [o programa] não ter o Revalida não prejudica em nada”, declarou César. Com família brasileira, o português dele não deixa a desejar. Ainda assim, acredita que vai sentir dificuldades com os termos específicos do interior como ‘espinhela caída’. “Não sei o que significa, mas muitos médicos brasileiros também não sabem. Ainda assim, mesmo sem saber o significado, podemos fazer o diagnóstico de outras formas”, pontuou.

O roteiro das visitas guiadas às unidades de saúde ainda não foi definido. De acordo com Rodrigo Cariri, os resultados dos testes não serão necessariamente eliminatórios. “A avaliação será feita a cada sexta e envolve os elementos práticos. Os médicos que não tiverem condições de exercer, vamos informar ao Ministério da Saúde e decidimos. Mas a nossa impressão é muito positiva”, comentou.

Ação
O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) decidiu por unanimidade, em assembleia realizada na noite de segunda (26), denunciar ao Conselho Regional de Medicina (Cremepe), em um processo ético-profissional, os médicos que estão envolvidos com o curso preparatório dos profissionais estrangeiros no estado. Foram citados vários artigos do Código de Ética Médico e, até o fim da semana, o processo deve ser encaminhado ao Cremepe.

Para o tutor do programa Mais Médicos, a atitude foi ‘lamentável e coercitiva’. “Ainda não temos nenhuma materialidade, mas não faz nenhum sentido. Eles não nos chamaram para conversar, não pararam para ouvir nossa opinião. Quem não deve, não teme”, alegou Rodrigo Cariri. Ele garantiu que a defesa será feita diretamente com a Advocacia Geral da União (AGU) e quem vai dar posicionamentos oficiais sobre o assunto é a própria universidade.

Fonte: G1 PE

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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