Para pesquisador da UFRN, Brasil não está preparado para terremotos

terremotoÉ preciso deixar de lado a crença de que não existem terremotos no Brasil e aprender a lidar com a possibilidade de ocorrência do fenômeno, defendeu o professor professor Joaquim Mendes Ferreira, da equipe de estudos simícos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Se estamos preparados 27 anos depois do terremoto de João Câmara (RN)? Eu acho que não. Se acontecer de novo, algumas coisas estão melhores, mas outras estão muito piores”, afirmou o docente durante a conferência ‘Terremotos no Nordeste do Brasil: seus efeitos e estudo de suas causas’, na programação da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira Para o Conhecimento (SBPC), no Recife, nesta sexta-feira (26).

O terremoto em João Câmara, em 1986, teve uma magnitude de 5.1, dentro da escala magnitude de momento sísmico (Mw), destruiu casas e fez com que diversas pessoas vendessem suas propriedades a preços baixos, deixando a cidade. “Ninguém estava preparado para esse evento, o pânico da população foi aproveitado desde para politicagem à compra de terras a preço de banana. Demorou muito até que se estabelecesse a forma adequada de lidar com o problema”, explica Ferreira.

A principal diferença entre o que aconteceria atualmente e o que foi visto em 1986, disse o professor em conversa com o G1, seria a questão da reconstrução da cidade. “Naquela época, você tinha a Sudene, que ficou responsável. O Exército construiu casas. Agora? Agora o governo federal liberaria dinheiro, mas o município ficaria responsável. E se o município não tiver um engenheiro para fazer o projeto e liberar o dinheiro, como fica?”, questiona.

O Nordeste, aponta o professor, é a principal área de perigo de abalos do país, em especial o Rio Grande do Norte, onde foi identificada a chamada Falha da Samambaia, que atinge João Câmara e tem 40 quilômetros de extensão, a maior falha sismogênica mapeada no Brasil. “A única explicação para a atividade sísmica no Nordeste é que existem zonas de fraqueza que podem ser inclusive antigas falhas, que entram em atividade sob ação do campo de esforços atual, ou seja, há rochas na superfície que estão sob pressão. Vai chegar um momento em que não vai suportar tensão e se desloca. O sismo é um pequeno movimento. Em João Câmara, o movimento era de 3,5 centímetros”, detalha o professor.

A ausência de assuntos como esse nos livros didáticos colaboram para que as pessoas não estejam preparadas quando passam pelos tremores, aponta. “É necessário um programa de preparação e convívio com esse fenômeno. Os livros de geografia têm que estar escrito que tem tremor de terra no Brasil, aqui no Nordeste especificamente é possível”, afirma o professor.

Um exemplo de conscientização é a cidade de Caruaru, no Agreste de Pernambuco. “Em 1967, teve um terremoto em Caruaru que fez quase metade da população ir embora. O que faz a população sair não é um grande abalo, mas sim quando você tem uma série de tremores, isso mexe com o psicológico das pessoas. Tivemos novos abalos em 1984 e 2002, mas você não viu a população sair correndo”, explica.

Um abalo em Sobral, no Ceará, em 2008, teve magnitude de 4.2 e moveu telhas, mas a população da região já está também habituada a tremores. “O que temos feito e é o que funciona é divulgar para a população. Claro que se a coisa ficar feia, tem que entrar com a barraca de lona e tentar acalmar a população, jamais pode dizer que não tem perigo. Você não pode garantir, não se sabe o que pode acontecer”, ressalta.

Os tremores que acontecem no Brasil, explica Ferreira, são intraplaca, ou seja, dentro das chamadas placas tectônicas, por isso são menos frequentes que os do Japão, por exemplo. “Dizer que um sismo intraplaca não é perigoso não pode. Eles acontecem com menos frequência, mas podem ser mais danosos porque a rigidez das rochas é maior. Com isso, elas absorvem menos as ondas sísmicas e o estrago pode ser maior”, detalha.

Em Pernambuco, algumas cidades como Caruaru, Belo Jardim, São Caetano, Cupira e Agrestina já tiveram monitoramentos mais de perto do grupo. “Para podermos estudar abalos sísmicos, é preciso que eles estejam ocorrendo durante alguns meses. Temos estações de monitoramento espalhadas, de forma que estamos sempre estudando”, explica o professor. “Estamos fazendo agora um trabalho conjunto para o Brasil, com o pessoal da USP fazendo do Sul e Sudeste. É a parte de zoneamento e perigo sísmico no Brasil”, adianta.

Através de um blog na internet, o professor e a equipe com que trabalha divulgam as informações sobre abalos, uma forma de conscientização da população e desmistificação dos terremotos. “Nós começamos com levantamento de dados, monitoramento por estações sismográficas em escala regional e estudos utilizando redes locais. A rede RSISNE tem monitoramento desde o Ceará até a Bahia, ela tem uma cobertura boa das principais áreas sísmicas do Nordeste do Brasil, no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia. Nos últimos 40 anos, tivemos três tremores com magnitude acima de cinco”, aponta o professor.

Fonte: G1 PE

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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