Queda de avião no Recife teve falhas mecânicas, humanas e de treinamento

Falhas mecânicas, humanas e de treinamento contribuíram para a queda da aeronave LET-410 da Nordeste Aviação Regional Linhas Aéreas (Noar Linhas Aéreas), que caiu a cem metros da praia de Boa Viagem, Zona Sul Recife, matando 16 pessoas, em julho de 2011. O relatório final das investigações sobre as causas do acidente com o bimotor foi apresentado nesta sexta-feira (19) pelo chefe da investigação do acidente da Noar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa), coronel Fernando Camargo.
Ele conversou com a imprensa em um hotel, no Recife, após reunião de mais de cinco horas com familiares das vítimas. Como o Cenipa trabalha com hipóteses e apenas depoimentos voluntários, o coronel destaca que não cabe ao órgão definir culpados ou pesos para os fatores que contribuíram de alguma forma para o acidente. “A finalidade da investigação é impedir que novos acidentes como esse aconteçam, através da prevenção. O inquérito policial é o responsável por identificar causas, apontar culpados”, explicou.

“Nós listamos todos os fatores que pudemos comprovar, independente do grau de contribuição, além de outros fatores que não conseguimos comprovar, chamados de indeterminados. Quando eu acho que contribuiu, mas não tenho como comprovar, digo que é indeterminado. O que contribuiu não significa mais que o indeterminado, apenas que não pudemos provar”, afirmou o chefe do Cenipa.

As investigações apontaram que houve falhas no treinamento. “O que podemos afirmar é que não encontramos evidência abundamente de treinamento. Não encontramos evidência de treinamento por parte do copiloto. Encontramos evidência de treinamento do piloto, mas diferente do encontrado no programa da Noar, o que pode ter contribuído”, disse o coronel Fernando Camargo.
O primeiro evento que desencadeou os seguintes, apontam as investigações, foi fadiga precoce da aleta 27 do motor esquerdo, que causou a parada da turbina esquerda durante a decolagem. “Mas se a aleta não tivesse quebrado, a aeronave teria seguido no destino. Agora, a partir do momento que a palheta fraturou, o que poderia ter acontecido diferente? Uma infinidade de coisas. Agora, por que a tripulação agiu como agiu? Tem uma série de aspectos por trás disso, que envolve treinamento, experiência, perfil psicológico, ambiente em que se trabalhava”, apontou o chefe das investigações.

Excesso de peso não afetou desempenho Ainda segundo o Cenipa, durante as investigações foi descoberto que o programa utilizado pela empresa calculava o peso da aeronave de forma diferente, originando assim sobrepeso. Com isso, acredita-se que o avião estava com 72 quilos a mais.

“O erro nascia no softwarte. A empresa adquiriu o software acreditando que ele dava o limite, o mesmo utilizado por outras operadoras. Foi uma questão de erro no programa que gerava esse excesso de peso, mas vimos que esse excesso não afetou o desempenho da aeronave de forma alguma, já que ela continuou subindo”, explicou o coronel Fernando Camargo.

Na conclusão das investigações, o processo decisório, a dinâmica de equipe, a formação, capacitação e treinamento da equipe e a cultura organizacional contribuíram, como aspectos psicológicos, para que o acidente acontecesse, conforme o órgão. Do ponto de vista operacional, a aplicação de comandos, a coordenação de cabine, a instrução, o julgamento de pilotagem e a supervisão gerencial contribuíram de forma comprovada para a queda do bimotor.

Uma cópia do relatório será encaminhada para a Polícia Federal (PF), que conduz o inquérito que apura as responsabilidades dos envolvidos no acidente. De acordo com a assessoria de comunicação da PF, a investigação ocorre em segredo de Justiça e está adiantada, devendo ser concluída até o final deste ano.

Sofrimento sem fimA busca por respostas ainda não terminou, garante a professora Roseane Oliveira, que perdeu a irmã no acidente. “A parte do Cenipa ele fez, que é muito técnica, mas o sentimento de dúvida permanece. Esclarece alguns pontos, a partir das recomendações, mas existem algumas questões que precisam ser esclarecidas, a culpabilidade do acidente”, afirmou.

O dentista Edson Andrade, que perdeu o enteado Raul Farias na queda do avião, disse que a Associação de Famílias e Amigos das Vítimas do acidente da Noar (Afav-Noar) pretende analisar com cuidado o relatório final e elaborar uma carta, que deve ser entregue de volta ao Cenipa. “São mais questionamentos nossos e também recomendações que acreditamos que possam ser feitas. Esperamos que muitas respostas que aguardamos surjam também das investigações da Polícia Federal”, acrescentou Andrade.
Noar discorda de pontos apresentados pelo Cenipa Representante da Noar, o comandante Ricardo Miguel, último piloto a pousar o avião na véspera do acidente, discordou de alguns pontos apresentados no relatório do Cenipa, embora tenha ressaltado respeito ao órgão. “A gente concorda e muito. Só que o Cenipa trabalha com hipóteses e prudência, a gente tem que respeitar. Entretanto, alguns pontos não foram bem reais. Por exemplo: programa de treinamento. Não teve falha de treinamento, apesar de ser do fabricante”, defendeu.

O comandante ressaltou que passou pelo treinamento e que, na ficha do piloto que comandava o bimotor no momento do acidente, consta “treinamento com monomotor”, mas não há detalhamento.

“O que é mais difícil, você fazer um treinamento no solo ou a dois mil pés? Essa foi a divergência entre o programa de treinamento original e o que o instrutor do fabricante fez. Ele [o instrutor] me ensinou no treinamento como fazer no solo, ele não usou dois mil pés. A bandeira primeira do Cenipa é a prudência, entretanto muito mais real que se faça no solo como fizemos”, acredita o piloto Ricardo Miguel.

Tendo acompanhado as investigações de perto, o representante da Noar afirmou ainda que o acidente aconteceu independente da tripulação. “Eu tenho convicção que outro piloto, outros dois, eles teriam pousado fora ou teriam morrido, mas não teriam sucesso. […] Houve uma falha de motor, [tanto] que nós estamos condenando essa aeronave, tanto que perdemos essa confiança e não vamos mais voar essa aeronave”, explicou o comandante.

Ao todo, o Cenipa emitiu 23 recomendações a partir do acidente, sendo oito delas no último ano de investigação. “Essas recomendações visam evitar que aconteça outro caso como esse. São aprendizados que fazemos a partir de qualquer caso”, ponderou o coronel Fernando Camargo

Fonte: G1 PE

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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