Apneia do sono pode ser evitada com uso de equipamento

Uma placa desenvolvida em Minas Gerais, por dois cirurgiões-dentistas, pode ajudar pessoas que sofrem de apneia do sono. O dispositivo, chamado placa lateroprotrusiva (PLP), possibilita o avanço gradual da mandíbula, favorecendo os movimentos de lateralidade, que são desejados para uma melhor adaptação articular e muscular. A síndrome de apneia obstrutiva do sono (Saos) é um mal que atinge mais de 4% da população mundial. A doença afeta 4% das mulheres adultas, até 9% dos homens adultos e 25% dos idosos, principalmente obesos e maiores de 35 anos, e pode se manifestar em qualquer idade, além de ser multifatorial. Ela ocorre quando a língua e o palato mole (continuação do céu da boca, este chamado palato duro) obstruem a parte de trás da garganta e bloqueiam a passagem do ar, restringindo o fluxo de oxigênio no organismo. Ao cair o nível de oxigênio, o cérebro sai do sono profundo e a pessoa desperta parcialmente ou totalmente, pois tem falta de ar. Geralmente, somente depois de um forte suspiro o fluxo de ar recomeça. Em seguida, o indivíduo volta a entrar em sono profundo. Esse episódio pode ocorrer várias vezes durante a noite atrapalhando a qualidade de sono da pessoa.

De acordo com a odontologista Beatriz Gonçalves Peixoto, há dois tipos de apneia do sono: central e obstrutiva. “Central é aquela na qual o cérebro deixa de enviar ordem aos músculos do tórax responsáveis pela respiração e, portanto, não há esforço respiratório nem no tórax nem no abdômen. A obstrutiva é aquela em que, apesar dos movimentos torácicos presentes, a via aérea superior (a faringe) está obstruída, bloqueada. Ela é mais frequente que a apneia central e está, na grande maioria dos casos, associada com ronco alto e contínuo durante o sono”, explica ela, que trabalha na área da odontologia do sono, é especialista em ortodontia e também na prevenção de distúrbios respiratórios por meio da ortopedia funcional dos maxilares (OFM).

“A apneia ocorre em todos os grupos etários e de ambos os sexos, mas é mais comum em homens. Na meia idade, 4% dos homens e 2% das mulheres sofrem da doença. As pessoas mais susceptíveis de ter ou desenvolver a apneia são as que apresentam ronco alto, quem está com sobrepeso, tem pressão arterial elevada ou alguma anormalidade física no nariz, garganta ou outras áreas das vias aéreas superiores. Como parece estar presente em algumas famílias, sugere uma possível base genética”, acrescenta Maria de Lourdes Rabelo Guimarães, especialista em odontologia do trabalho e dentista do sono, certificada pela Associação Brasileira de Sono.

Com a ajuda do colega Jubert Júnior, especialista em próteses, Maria de Lourdes criou a placa lateroprotrusiva, à base de acrílico acetato e parafusos de metal. “Ela ajuda a promover uma movimentação maior e melhor dos músculos que compõem a mandíbula. Esses movimentos se tornam possíveis graças à nova configuração dada pela placa, que tem como grandes diferenciais ser pequena e de fácil adaptação, o que gera alto índice de adesão dos pacientes ao tratamento”, diz Maria de Lourdes.

A especialista ressalta que a doença é causada por determinados problemas mecânicos e estruturais das vias aéreas, que geram interrupções da respiração durante o sono. “Em algumas pessoas, a apneia ocorre quando os músculos do palato mole, da base da língua e da úvula (campainha) relaxam, bloqueando, parcialmente, a abertura das vias aéreas. A respiração se torna laboriosa e ruidosa e pode, até mesmo, ser interrompida completamente”. Pessoas obesas, que concentram quantidade excessiva de tecido gorduroso nas vias aéreas, tornando-as mais estreitas, também podem sofrer de apneia.

“O estreitamento das vias aéreas dificulta o fluxo de entrada e de saída de oxigênio tanto pela boca quanto pelo nariz, exigindo do indivíduo um esforço maior para respirar. Esse processo resulta em fortes roncos, em lapsos da respiração e em despertares frequentes (mudanças bruscas entre o estado de sono profundo e sono leve). A ingestão de álcool e de medicação para dormir aumenta a frequência e a duração das pausas respiratórias nas pessoas que sofrem de apneia do sono”, acrescenta Maria de Lourdes.

O diagnóstico se baseia nos resultados de um estudo do sono do paciente durante uma noite inteira, chamado de polissonografia (PSG), que também determina o grau de gravidade da doença. Outros fatores de determinação da síndrome são a avaliação clínica e a história do paciente.

Beatriz Peixoto salienta que, por muitas vezes, são os cônjuges os primeiros a suspeitar que algo está errado, geralmente a partir de um ronco alto e aparente luta para respirar por parte do companheiro. “Colegas ou amigos do paciente apneico podem perceber que ele dorme durante o dia em situações inadequadas, tais como ao dirigir um veículo, no horário de trabalho ou mesmo ao falar ao telefone. O apneico, muitas vezes, não sabe que tem o problema e pode não acreditar quando lhe falam disso. A pessoa que sofre de apneia do sono pode experimentar dor de cabeça nas primeiras horas da manhã, sonolência diurna excessiva e, por vezes, insônia. É importante que ela consulte um médico para avaliar o nível de comprometimento do seu sono”, pontua a odontologista.


Mudar hábitos é importante

Maria de Lourdes esclarece que o tratamento é determinado pela combinação da história clínica, do exame físico e dos resultados do estudo do sono – polissonografia (PSG) – a que foi submetido o paciente. “O foco deve ser a eliminação dos eventos respiratórios obstrutivos, na restauração do padrão de sono normal e no restabelecimento da adequada oxigenação sanguínea”, diz. Na maioria dos casos, medicamentos não são eficazes no tratamento da apneia do sono. Uma das formas de tratar a síndrome é por meio da terapia comportamental. Em alguns casos leves, mudando alguns itens da vida da pessoa, como restringir o consumo de álcool, de tabaco, mudar a posição de dormir ou fazer uma dieta para perder peso é possível diminuir as pausas da respiração.

“O uso do continuous positive airway pressur (CPAP), aparelho que promove a pressão positiva contínua nas vias aéreas do paciente, é o tratamento mais comum no mercado atualmente. Já os aparelhos orais, como o que desenvolvemos, são outro método de tratamento. Eles reposicionam a mandíbula e a língua de modo a abrir as vias respiratórias. Eles têm se mostrado mais eficientes em pacientes com apneia do sono leve a moderada, ou em indivíduos que roncam mas não têm apneia. Existem ainda inúmeras cirurgias empregadas no tratamento da doença”, diz Maria de Lourdes.

Medicamentos não têm eficácia sobre a síndrome. “O controle é feito por meio do CPAP ou aparelhos intraorais. Mas se o paciente deixar de usá-los, terá novamente os eventos de apneia”, observa Beatriz Peixoto, salientando que a terapia com os aparelhos orais envolve etapas de seleção, concepção, colocação e uso dos dispositivos, que são personalizados para cada paciente.

A escolha da terapia mais indicada para o tratamento da apneia do sono só pode ser feita em consulta ao dentista e ao médico. “O programa terapêutico tem início depois de criteriosa avaliação clínica e radiográfica do paciente, por meio das quais são identificadas suas particularidades e limitações. Ele deve ser usado sempre que o paciente for dormir. É necessário fazer um acompanhamento com o dentista e uma polissonografia de controle para ter certeza do sucesso do tratamento, ou seja, de ele ter provocado a diminuição dos eventos de apneia, melhorado a oxigenação sanguínea e a qualidade do sono da pessoa”, finaliza Beatriz.

Principais sintomas

> Ronco alto e frequente

> Engasgos e sufocação durante o sono

> Sonolência exagerada durante o dia

> Cansaço ao acordar

> Dor de cabeça ao acordar

> Dificuldade de memória

> Dificuldade de concentração

> Irritabilidade e depressão

> Obesidade

> Pressão alta e impotência sexual


Como tratar a apneia do sono

Mudança comportamental: perder peso; treinar a posição de dormir nos casos em que as apneias ocorrem mais em decúbito dorsal; evitar uso de álcool e medicamentos sedativos.

Uso de aparelho nasal para dormir, por onde o ar passa através de uma máscara nasal. Esse método tem sido muito usado. A máscara
colocada sobre o nariz mantém a faringe aberta, prevenindo as apneias.

Aparelhos odontológicos, para usar durante o sono, podem ser
indicados em alguns casos, sempre com avaliação médica prévia.

Tratamento cirúrgico específico; cirurgia para correção da
obstrução nasal e cirurgia estética facial para correção óssea da
maxila e mandíbula podem ser indicados em alguns casos.

Fonte: Estado de Minas

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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