Mais de 10 milhões de latinos desperdiçam direito de votar nos EUA

Eleitora latina / APDisputada pelos dois candidatos à presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, que tenta a reeleição, e o republicano Mitt Romney, que ensaia a primeira ida à Casa Branca, a comunidade latina é, apesar de seu tamanho, uma das que menos comparece às urnas.

Embora 23,7 milhões de latinos tenham o direito de votar (4,2 milhões a mais do que no último pleito presidencial de 2008), nem todos devem se inscrever para ir às urnas. Pesquisadores calculam que o total de eleitores latinos registrados deve ficar entre 10 e 13,5 milhões.

Diretor associado do Centro Pew, uma das mais conhecidas entidades responsáveis por pesquisas de intenção de voto nos EUA, o pesquisador Mark Hugo López destaca que, além do número reduzido de eleitores registrados, a comunidade latina também tem um índice baixo de participação nas eleições.

“O problema é que os latinos raramente votam em números que refletem seu potencial”, disse López à BBC Mundo. “Há quatro anos, apenas metade dos eleitores registrados compareceram às urnas, contra 65% dos negros e 66% dos brancos.”

Para reverter tal quadro, voluntários de organizações sem fins lucrativos vêm, desde o início do ano, tomando as ruas das principais cidades americanas para promover a participação cívica da comunidade latina.

Uma delas é a “Mi Familia Vota”, que se define como uma organização sem fins lucrativos que trabalha para “unir a comunidade latina e seus aliados para promover justiça econômica e social por meio de uma crescente participação civil”.

Francisco Heredia, diretor do braço da entidade para o Estado americano do Arizona, vangloria-se de já ter batido em mais de 55 mil portas nos últimos cinco meses. Seu objetivo é convencer os latinos, casa por casa, de que seu voto “faz diferença”.

“É uma estratégia muito básica. Eu bato em portas e vou às lojas de latinos para registrar aqueles que estão aptos a votar”, disse Heredia à BBC Mundo.

Nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório, é preciso que o eleitor se registre antes caso queira votar.

Desafio

Ajuda brasileira

No estado de Massachusetts, na costa leste dos EUA, entidades de apoio ao imigrante contam com uma ajuda brasileira. Até o dia 17 de outubro, quando expirou o prazo para novos registros, a organização sem fins lucrativos Brazilian Women’s Group ajudou a registrar 130 novos eleitores, a sua maioria imigrantes recém-naturalizados americanos.

Segundo disse à BBC Brasil a brasileira Heloísa Galvão, diretora-executiva da entidade e há 24 anos nos EUA, o objetivo é ampliar a consciência política do imigrante.

“Somos um movimento apartidário cujo intuito é informar o imigrante naturalizado americano sobre a importância de seu voto, que pode ser um meio para uma mudança social”, afirmou.

(Luís Guilherme Barrucho)

Adrián Landa é outro que está envolvido em uma missão semelhante: ele passa horas no porão de uma casa no leste de Los Angeles, onde funciona os escritórios da ONG Innercity Struggle.

Ali, junto com um grupo de mais de 20 pessoas, ele passa horas ao telefone, buscando mobilizar eleitores de sua comunidade.

“As pessoas normalmente estão abertas a nos ouvir; elas querem ver mudanças”, afirmou Landa. “Mas não sabem ou não tem informações suficientes sobre o processo eleitoral”, acrescenta o voluntário, cuja equipe entrou em contato com mais de 10 mil pessoas em apenas um mês.

Enquanto uns trabalham para registrar novos eleitores, outros lembram aos já registrados para usar seu direito de voto. Ao fim e ao cabo, o objetivo é o mesmo: ampliar o peso do voto latino nas eleições americanas e, com isso, aumentar o poder de barganha da comunidade sobre o candidato eleito.

O desafio é grande. Segundo López, do Centro Pew, um relatório desenvolvido por ele e publicado há poucos dias dá dimensão do que pode acontecer no próximo dia 6 de novembro: uma diferença gritante entre os latinos que estão aptos a votar e os que realmente comparecerão às urnas.

Dados da pesquisa mostram que três em cada quatro que estão inscritos dizem ter “certeza absoluta” que vão votar.

Imigrantes nos EUA / GettyApesar de numerosa, comunidade latina não comparece às urnas nos EUA

A taxa, entretanto, não é tão alta quanto parece. A média nacional, por exemplo, é de 89%.

Outro obstáculo é o índice de eleitores registrados dentro da comunidade.

“Enquanto 74% da população anglo-saxã é registrada, a proporção entre os latinos é inferior a 55%”, diz Michael Munger, cientista político da Duke University.

Em outras palavras: não apenas menos latinos se registram para votar como os já registrados também participam menos do processo eleitoral.

Situação irregular

Além disso, especialistas acrescentam outro dado importante. Mais da metade dos latinos que mora nos Estados Unidos está fora da disputa porque não tem cidadania, estão em situação irregular ou tem apenas uma autorização temporária de residência.

Mas como explicar o distanciamento da principal comunidade de imigrantes do processo político nos Estados Unidos?

Especialistas creditam parte da resposta ao questionamento a uma característica demográfica: os jovens.

A maioria dos eleitores latinos ainda é nova, ou seja, habilitada para participar pela primeira vez neste ano, e tem entre 18 a 29 anos.

Nessa parcela da população, lembram os estudiosos, existe um interesse pela política menor do que no eleitorado mais velho.

Brasileiro registrando-se para eleição americana / Heloisa GalvãoBrasileira naturalizada americana registra-se para eleição dos EUA

“É um processo longo; é preciso convencer esses eleitores de que seu voto pode afetar seu cotidiano”, afirmou Maria Duarte, da organização Galeo, responsável pela campanha “Orale!” para incentivar a participação latina a comparecer às urnas.

Outro fator provável, apontam os especialistas, é de natureza regional: cerca de 50% dos eleitores latinos moram no Texas e na Califórnia, dois Estados que não recebem muita atenção dos candidatos porque seus resultados já são historicamente conhecidos antes das eleições. O Texas tem uma inclinação republicana enquanto a Califórnia é considerada um reduto democrata.

“(Texas e Califórnia) não são considerados Estados pêndulo e, portanto, neles há menor esforço de mobilização de eleitores por partidos”, diz López, do Centro Pew.

Economia

Outros analistas, no entanto, atribuem a menor participação eleitoral dos latinos especialmente à economia: o desemprego e a crise imobiliária têm forçado muitos latinos a se mudar. Assim, muitos acabam perdendo o registro quando expira o prazo para alteração do endereço de residência.

E ainda há um grupo de especialistas que creditam o fenômeno ao próprio “desencantamento” da comunidade com o futuro do país, depois de uma série de ajustes em planos sociais dos quais muitos eram beneficiários.

O desgaste sofrido pelo presidente Obama em seus primeiros quatro anos de mandato tem cobrado seu preço: os latinos que, tradicionalmente, votam em candidatos democratas, nesta campanha, não se reuniram em torno do nome do presidente americano, que não conseguiu atingir os níveis de adesão na comunidade como em 2008.

Os últimos levantamentos do Pew revelam, no entanto, que o voto latino dificilmente traria surpresas no dia da eleição: de cada quatro integrantes da comunidade registrados, três afirmaram que votarão em Obama, contra apenas um em Romney.

Fonte: BBC Brasil

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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Governo conclui pagamento da parcela de junho do Auxílio Brasil

A Caixa Econômica Federal conclui hoje (30) o pagamento da parcela de junho do programa Auxílio Brasil. Recebem nesta quinta-feira os beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 0. O valor mínimo do benefício é R$ 400. As datas seguem o modelo do Bolsa Família que pagava nos dez últimos dias úteis do mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas em dois aplicativos: Auxílio Brasil, desenvolvido para o programa social, e Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco. Atualmente, 17,5 milhões de famílias são atendidas pelo programa. No início do ano, 3 milhões foram incluídas no Auxílio Brasil.  Veja o calendário: NIS jun jul ago set out nov dez 1 17/06 18/07 18/08 19/09 18/10 17/11 12/12 2 20/06 19/07 19/08 20/09 19/10 18/11 13/12 3 21/06 20/07 22/08 21/09 20/10 21/11 14/12 4 22/06 21/07 23/08 22/09 21/10 22/11 15/12 5 23/06 22/07 24/08 23/09 24/10 23/11 16/12 6 24/06 25/07 25/08 26/09 25/10 24/11 19/12 7 27/06 26/07 26/08 27/09 26/10 25/11 20/12 8 28/06 27/07 29/08 28/09 27/10 28/11 21/12 9 29/06 28/07 30/08 29/09 28/10 29/11 22/12 0 30/06 29/07 31/08 30/09 31/10 30/11 23/12 Auxílio Gás Termina também hoje o pagamento da parcela de abril do Auxílio Gás. Recebem as famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com NIS final 0. O benefício segue o calendário regular de pagamentos do Auxílio Brasil. Com duração prevista de cinco anos, o programa beneficiará 5,5 milhões de famílias até o fim de 2026, com o pagamento de 50% do preço médio do botijão de 13 quilos, conforme valor calculado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Neste mês, o benefício corresponde a R$ 53. Pago a cada dois meses, o Auxílio Gás tem orçamento de R$ 1,9 bilhão para este ano. Só pode fazer parte do programa quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica. Benefícios básicos O Auxílio Brasil tem três benefícios básicos e seis suplementares, que podem ser adicionados caso o beneficiário consiga emprego ou tenha filho que se destaque em competições esportivas, científicas ou acadêmicas. Podem receber o benefício as famílias com renda per capita até R$ 100, consideradas em situação de extrema pobreza, e até R$ 200, em condição de pobreza. A Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o Auxílio Brasil. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para integrar o programa social e o detalhamento dos nove tipos diferentes de benefícios. * O Auxílio Brasil é coordenado pelo Ministério da Cidadania, responsável por gerenciar os benefícios do programa e pelo envio dos recursos para pagamento da Caixa. Fonte: uol

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Receita paga hoje restituições do segundo lote do IR 2022

A Receita Federal paga nesta quinta-feira (30) as restituições do segundo lote do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) 2022. O lote também contemplará restituições de anos anteriores. Ao todo, 4.250.448 contribuintes receberão R$ 6,3 bilhões. Desse total, 2.776.808 são contribuintes não prioritários que entregaram declarações de exercícios anteriores até 19 de março deste ano. O restante tem prioridade legal, sendo 87.401 idosos acima de 80 anos; 675.495 entre 60 e 79 anos; 48.913 contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou doença grave e 661.831 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério. Inicialmente prevista para terminar em 29 de abril, o prazo de entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física foi adiado para 31 de maio, a fim de diminuir os efeitos da pandemia de covid-19 que pudessem prejudicar o envio, como atraso na obtenção de comprovantes. Apesar do adiamento, o calendário original de restituição foi mantido, com cinco lotes a serem pagos entre maio e setembro, sempre no último dia útil de cada mês. Como consultar A consulta pode ser feita na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar no campo Meu Imposto de Renda e, em seguida, Consultar Restituição. A consulta também pode ser feita no aplicativo Meu Imposto de Renda, disponível para os smartphones dos sistemas Android e iOS. Quem não está na lista pode consultar o extrato da declaração para verificar eventuais pendências. Nesse caso, o contribuinte deverá entrar na página do Centro Virtual de Atendimento da Receita (e-CAC) e verificar se há inconsistências de dados. Nessa hipótese, o contribuinte pode avaliar as inconsistências e fazer a autorregularização, mediante entrega de declaração retificadora. A restituição fica disponível no banco durante um ano. Caso o valor não seja creditado, o contribuinte poderá contatar pessoalmente qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para a Central de Atendimento da Receita por meio do telefone 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) para agendar o crédito em conta corrente ou poupança, em seu nome, em qualquer banco. Fonte: EBC

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Milhões correm risco de desnutrição com alta do preço do trigo

A guerra na Ucrânia, que paralisou as exportações de trigo do país, manterá os preços globais altos na temporada 2022/23, colocando milhões de pessoas em risco de desnutrição, disseram a agência de alimentos da Organização das Nações Unidas e a OCDE nesta quarta-feira (29). A Rússia e a Ucrânia são o primeiro e o quinto maiores exportadores de trigo do mundo, respondendo por 20% e 10% das vendas globais, respectivamente, mas a invasão da Ucrânia pela Rússia e o fechamento do Mar de Azov e do Mar Negro praticamente interromperam as exportações. As exportações de grãos da Ucrânia estão atualmente em apenas 20% da capacidade, já que os canais alternativos, como ferroviário e rodoviário, não são tão eficientes quanto as rotas marítimas, disseram a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As projeções da FAO/OCDE sugerem que os preços do trigo em 2022/23 podem ficar 19% acima dos níveis pré-guerra se a Ucrânia perder totalmente sua capacidade de exportação e 34% mais altos se, além disso, as exportações da Rússia forem reduzidas pela metade. A temporada 2022/23 começa em 1º de julho no Hemisfério Norte. “Com a segurança alimentar já sob pressão, as consequências seriam terríveis, especialmente para os mais vulneráveis”, disse o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, durante uma apresentação do FAO/OCDE Agricultural Outlook 2022-2031. Cerca de 20 milhões de toneladas de grãos deveriam deixar a Ucrânia até o final do próximo mês para dar espaço às safras deste ano e evitar a escassez de alimentos na África, disse a Comissão Europeia no mês passado. As negociações diplomáticas estão em andamento para abrir uma rota marítima alternativa. Se as exportações russas fossem afetadas, a desnutrição aumentaria cerca de 1% globalmente em 2022/23, o equivalente a cerca de 8 milhões a 13 milhões de pessoas, dependendo da suposta gravidade da redução das exportações, disse a FAO em um estudo separado. Um cenário que simula um grave déficit de exportação da Ucrânia e da Rússia continuando em 2022/23 e 2023/24, e assumindo nenhuma resposta de produção global, sugere um aumento no número de desnutridos em cerca de 19 milhões de pessoas em 2023/24.