Mulheres ainda têm dificuldade de conseguir emprego no Grande Recife

O bom momento da economia vivido por Pernambuco não é sinônimo de igualdade de condições entre homens e mulheres no mercado de trabalho na Região Metropolitana do Recife. A conclusão é apontada por pesquisa realizada pela Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco Condepe/Fidem e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), feita por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta quinta-feira (8).

Comparando 2010 e 2011, foram gerados 49 mil postos de trabalho para homens e 43 mil para mulheres. “Isso significa que todos os dois gêneros se apropriaram do crescimento no mercado de trabalho, mas o sexo masculino foi o mais beneficiado. As taxas de participação da mulher no mercado de trabalho ainda são menores que o dos homens, sendo de 64,8% para eles e de 45,7% para elas”, explica o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas pela Agência Condepe/Fidem, Rodolfo Guimarães.

O desemprego recuou de 16,2% para 13,5% na RMR comparado com 2010, mas o índice das mulheres continua sendo superior que o dos homens. “É preciso lembrar que essa taxa é calculada pelo número de pessoas que procuraram trabalhos. Um contingente mais expressivo de mulheres está procurando trabalho e não encontrando que o dos homens. Enquanto 16,7% das mulheres procuraram trabalho e não encontraram, entre os homens esse índice é de 10,7%”, afirma Guimarães.

O setor onde houve o maior avanço no aumento da ocupação para as mulheres foi o comércio, com crescimento de 8,5%. Um dos exemplos é Rosana Marques, que procurou emprego por mais de um ano, até conseguir um posto em uma loja de roupas no Centro do Recife. “Surgiu também uma proposta para trabalhar em salão [de beleza], mas o comércio é melhor”, acredita Rosana.

Porém, esse aumento no índice de ocupação não se reflete nos salários. As mulheres recebem 75,6% do rendimento médio real por hora de trabalho do recebido por homens no comércio. “Meu marido também é vendedor, mas tenho sempre a impressão de que ele e os amigos acabam ganhando mais do que nós”, reclama a vendedora Cristiane Ferreira.

O setor onde há menos diferença salarial é o de serviços, onde as mulheres recebem 93,6% do recebido pelos homens. “Em serviços está o setor público, que é onde há menos diferenças. Se tirássemos o setor público, provavelmente esse quadro seria bem diferente”, pondera Guimarães.

O rendimento médio das mulheres passou de R$ 778 em 2010 para R$ 829, um crescimento de 6,6%, enquanto o dos homens passou de R$ 1.086 para R$ 1.162, aumento de 7%. Além disso, as mulheres apresentam rendimentos menores do que o dos homens em todos os setores. “A sociedade ainda não conseguiu mudar a composição setorial, passaram décadas e as mulheres entram no comércio, no serviço, mas sem mudanças de fato”, lembra a analista de dados da pesquisa, Milena Prado.

Outro ponto levantado é que o trabalho da mulher é visto como renda complementar e trabalho secundário. “Muitas vezes, é como se, para completar a renda da família, você se submetesse a um salário menor. Fora aqueles que fazem parte de um negócio de família e não recebem, necessariamente, uma remuneração por esse trabalho”, lembra Guimarães.

A dupla jornada costuma ser uma rotina na vida dessas mulheres. Há anos a vendedora autônoma Deusa Souza acorda logo cedo para deixar tudo pronto para a família e depois sair para trabalhar. “Eu complemento a renda do meu marido, sou autônoma e dona de casa, tenho que deixar a comida pronta antes de sair”, conta Deusa.

O serviço doméstico é um dos pontos que também foi destacado pela pesquisa. Dentre as modalidades de inserção profissional, houve um aumento de 14,7% no volume de empregadas domésticas diaristas e de 15,9% entre as trabalhadoras familiares. “São duas posições de vulnerabilidade. Essa pesquisa mostra que evoluímos, mas ainda temos um grande desafio pela frente”, acredita Jackeline Natal, supervisora do escritório regional de Pernambuco do Dieese.

Apesar de alguns dados preocupantes, há um ponto que as mulheres podem comemorar. Houve um crescimento de 12,7% no contingente assalariado feminino – contra 8,9% no masculino. Mesmo assim, são necessárias outras mudanças. “Apesar de termos tido uma evolução nos indicadores econômicos, nós ainda não conseguimos alterar a relação estrutural que separa homens e mulheres no mercado de trabalho”, pondera o presidente da Agência Condepe/Fidem.

A expectativa de mudança conta com políticas e intevenções dos governos, mas também precisa do apoio dos empresários, como lembra a representante da Secretaria Especial da Mulher, Alessandra Rios. “A cada ano que passa, as pesquisas apontam que essas igualdades de gênero não mudam. O mercado é sexista, é complicado. A gente tem esse desafio de inserir a mulher no mercado de trabalho, através de políticas governamentais, cursos profissionalizantes, mas os empresários precisam mudar também”, defende Alessandra.

Fonte: G1 PE

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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