Preferência da Eletrobras será fazer usinas com reservatórios, diz diretor da estatal

Rio de Janeiro – O diretor de Geração da Eletrobras, Valter Cardeal de Souza, defendeu ontem (19), no Rio de Janeiro, a volta da construção de usinas hidrelétricas com reservatórios no Brasil. Cardeal diz que a estratégia da Eletrobras é fazer usinas de fontes renováveis. “A preferência sempre será de usinas com reservatórios”.

O diretor da Eletrobras disse que 88% da matriz elétrica nacional provêm de fontes que não emitem gases de efeito estufa. A energia hidrelétrica, de acordo com estudo da Agência Internacional de Energia, é a que menos emite. “São 6 quilos de gás carbônico por megawatt-hora [MWh]. Depois, vem a eólica, com 13 quilos por MWh, chegando no carvão a quase uma tonelada”.

 Cardeal representa o presidente da estatal, José da Costa Carvalho Neto, na sessão especial do 24º Fórum Nacional, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. O diretor da Eletrobras explicou que não se trata de briga entre usinas a fio d’água e com reservatório, mas “de uma forma inteligente de discutir como se faz”. Ele disse que o lago formado pelos reservatórios é uma fonte de vida. “O lago produz mais alimentos que o rio. Obviamente, ele avança um pouco na bacia de acumulação e alaga algumas terras adicionais, mas, nesse lago, a aquicultura é uma realidade internacional.

Podemos produzir proteína para o mundo todo”. Cardeal disse que a Usina de Tucuruí (PA) produz proteína que é levada para o Peru e, depois, para o Japão. “Produz mais peixe que o próprio rio”. Cardeal disse que a Eletrobras está estudando todos os rios. “Estamos estudando mais de 40 mil MW”. O diretor, entretanto, não quis citar quais os rios a estatal está avaliando. “Não quero provocar os ambientalistas, porque eles também são pessoas inteligentes e competentes.

Estão preservando o lago, a natureza, e nós temos, de forma inteligente, que produzir energia limpa e renovável, hidrelétrica preferencialmente, sem agredir o meio ambiente. Ou seja, mitigar e compensar corretamente”. O diretor da Eletrobras esquivou-se de dizer que as usinas a fio d’água, sem reservatórios, como é o caso da Hidrelétrica de Belo Monte, em construção no Rio Xingu, no Pará, foram um equívoco. “Não é que foi um erro. A vida é um aperfeiçoamento contínuo”.

Cardeal disse que o Brasil se tornou um país com rígidas legislações socioambientais. “Tivemos que aceitar o que foi possível fazer, as usinas hidrelétricas a fio d’água”. O secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Altino Ventura, também presente à sessão especial do fórum nacional, esclareceu, porém, que “para fazer [usinas com] reservatórios, é preciso que os locais físicos comportem reservatórios”. Por essa razão, ele descartou que usinas desse tipo sejam construídas na região norte amazônica, que é uma área de planície.

 “A construção de grandes reservatórios é problemática, porque inunda áreas muito grandes”. Ventura admitiu que “o desejável” é que não se fizessem somente usinas a fio d’água. O secretário esclareceu que a não existência de reservatórios não tem implicação somente na energia elétrica produzida nessas bacias. “Tem implicação também no controle de cheia e na navegação do rio. Porque, para fazer o controle de cheia de uma bacia hidrográfica, é preciso ter reservatórios, locais onde possa armazenar à água”.

Ventura disse que para permitir que o rio seja navegável durante todo o ano, é preciso que no período seco exista reservatório, “onde se possa soltar a cheia”. O secretário chamou a atenção que as usinas a fio d’água devem ser olhadas pela relação custo/benefício. Essa escolha viabiliza os empreendimentos do ponto de vista ambiental, em um ecossistema, que é a Amazônia, “que o Brasil tem todo interesse em preservar”. Trata-se, segundo Ventura, de uma opção que a sociedade fez.

Os reservatórios existentes no Nordeste e no Sudeste podem contrabalançar, segundo ele, eventuais períodos de seca na Região Norte. “Não vai resolver o problema mas, com medidas operativas, pode-se ter alguns ganhos em relação a esse aspecto”, disse. O diretor de Geração da Eletrobras, Valter Cardeal de Souza, disse que é importante se fazer uma combinação de usinas hidrelétricas com reservatórios com energia eólica (dos ventos). “É isso que nós estamos pesquisando”, disse Cardeal. “Substitui integralmente [as usinas térmicas]. Se eu tenho uma hidrelétrica com reservatório e mais eólica, combinação melhor Deus não podia disponibilizar”.

Fonte: Agência Brasil

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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