Alta do dólar vai encarecer pão, bebidas e até o Natal

A alta do dólar frente ao real nos últimos meses não afeta apenas o preço das viagens internacionais, mas também impacta o bolso do consumidor nos supermercados. Especialistas ouvidos pelo R7 já preveem aumento de preços de até 13% nas prateleiras em agosto e até mesmo produtos natalinos mais caros em dezembro.

O vice-presidente da área de alimentos da Abba (Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Bebidas e Alimentos), Sydney Bratt, afirma que a subida de preços pode chegar a 13% e vai atingir todas as mercadorias importadas, como bacalhau e vinhos.

— Em agosto, aquele estoque antigo que vários importadores tinham vai ter terminado e [eles] vão ser obrigados a colocar todo esse incremento… Agora não vejo por que afeta mais o trigo do que o chocolate… Eles todos entram no Brasil, tem que fechar um câmbio, trocar para real e esse aumento da moeda afeta todo e qualquer produto.

Já o presidente do conselho da Abba, Adilson Carvalhal, prevê um impacto maior no óleo de soja, no azeite de oliva e na farinha. Esses são derivados do trigo e da soja, que assim como o milho, são commodities (bens comercializados globalmente e que tem seu preço cotado em moeda estrangeira).

Ele também enxerga um aumento mais contido nas prateleiras de até 8% no próximo mês, se o dólar continuar no patamar acima de R$ 2,10. Atualmente, a moeda americana está cotada em R$ 2,24.

O professor de economia do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) Mauro Rochlin enxerga uma alta de até 10% no preço do trigo.

Segundo ele, um terço do consumo desse cereal vem por importações. Ou seja, como o Brasil compra parte do material de fabricação do pão, macarrão e do biscoito, esses produtos devem ficar mais caros nos supermercados já no mês que vem.

— O repasse para o preço do pão, macarrão não é de 10%, é muito menor do que isso, mas vai haver um impacto sim.

Apesar das previsões, as padarias do País afirmam que vão assimilar o reajuste e prometem barrar o repasse para o consumidor.

Alta da moeda americana

A alta da moeda americana já supera os 13% nos últimos meses. No dia 1º de março deste ano, o dólar estava cotado em R$ 1,98. No dia 25 de julho, porém, fechou em R$ 2,24. 

Essa subida apenas será sentida nos alimentos no próximo mês. Segundo Carvalhal, os preços não sobem automaticamente devido aos estoques.

— Como o mercado é muito volátil, às vezes você tem uma flutuação de câmbio que não se concretiza para longo prazo. Os importadores, as próprias marcas tentam tomar um pouco de cuidado.

Natal mais caro

Se o câmbio permanecer nesse patamar, até mesmo as mercadorias importadas natalinas, como o panetone, vinho e bacalhau, serão afetadas, segundo Sydney Bratt, da Abba.

— Vão com certeza afetar os produtos de Natal. Produtos natalinos são comprados agora [pelo varejo] para chegar em agosto e setembro. Panetones importados chegam em setembro, outubro e são comprados em agosto. Evidentemente vão ser afetados por esse câmbio.

Fonte: R7

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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