‘Eu tenho um programa de metas, o Lula tem outro’, diz Haddad

'Gosto disso aqui', disse sobre ficar 8 anos na Prefeitura - Robson Fernandjes/Estadão Em entrevista ao Estado, Fernando Haddad (PT) adota o discurso de que não tem tempo para pensar em seu futuro político e minimiza seu papel na reeleição da presidente Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, torna-se peça mais importante do tabuleiro político nacional, seja ao adiar o reajuste da tarifa de ônibus para segurar a inflação, ao assumir a dianteira das renegociações das dívidas dos municípios ou a emparedar o governador Geraldo Alckmin (PSDB) para adotar o bilhete único mensal.

O ex-presidente Lula disse que a prioridade do PT para 2014 é reeleger a presidente Dilma. O que o senhor fará para ajudar a cumprir a meta?
Então, eu tenho um programa de metas, e ele (Lula) tem outro. Se cada um cumprir o seu.

Mas o senhor tem um peso grande no partido por ser prefeito da maior cidade do País.
Eu como prefeito tenho um plano de metas. A melhor coisa que posso fazer pelo meu partido, pela presidente, pelos candidatos das nossas coligações é fazer o trabalho que estou procurando realizar.

O senhor conversa com o ex-presidente Lula? Ele tem influência na gestão da cidade?
Bem, na verdade, não. A gente está conversando mais sobre política. Ele me fez uma visita de cortesia aqui com o pessoal do instituto, uma conversa rápida e agradável, mas tratamos mais de política.

Assuntos nacionais?
Não, o que se discute são teses mais gerais, da importância da parceria para São Paulo, o exemplo que São Paulo pode dar no sentido de criar vitrines de políticas públicas.

O senhor tem negociado com o governo federal a questão da dívida dos municípios. O prefeito de São Paulo deve ter um papel de liderança?
O prefeito de São Paulo, assim como o das capitais em geral, de São Paulo e Rio, em particular, tem até o dever de contribuir com o debate político em torno da relação federativa.

É uma maneira de a imagem do senhor ser nacionalizada, até para o seu futuro político?
Não, estou três meses administrando a cidade. Estou pensando no meu presente, que já está bastante complicado (risos).

E em relação à eleição para o governo estadual, como o senhor acha que sua atuação influencia?
Eu pretendo colaborar com o partido, tenho reflexões próprias, independentes, de alguém que deseja sucesso, o melhor. Mas, em primeiro lugar, isso tem local e data para acontecer. E não é agora.

Há fatores que podem influenciar na eleição. Um deles é adoção do bilhete único mensal pelo Metrô. O senhor não tem medo de sofrer o mesmo que a ex-prefeita Marta Suplicy sofreu ao não conseguir que o governo estadual fizesse a integração?
A situação é inversa agora. Porque a Marta implantou bilhete único depois da eleição para o governo do Estado. Então, não era um assunto estadual, era um assunto local. O governador já estava eleito. Agora a situação é inversa.

O senhor acha que o governador pode ser cobrado nas eleições se não adotar?
Você está me perguntando e estou te respondendo. Você está fazendo uma comparação que não cabe porque a situação é inversa. Até por justiça tenho de dizer: não me parece que o governador tenha pautado suas decisões pelo cálculo eleitoral. Nesses primeiros meses, tenho tido apoio dele, que tem sido decidido por critérios técnicos.

O senhor mudou a Operação Delegada, a Prefeitura não pretende continuar com as tendas para moradores de ruas, mudou o esquema da inspeção veicular. Foram várias bandeiras do ex-prefeito Gilberto Kassab que saíram do foco da Prefeitura.
E outras que foram mantidas, sempre elogiei as intervenções nas áreas de mananciais, urbanização de favelas, em Heliópolis.

O senhor acha que para imprimir sua marca tem de enterrar a do Kassab?
Eu não vejo assim. Acho que para imprimir uma marca você tem de cumprir o que prometeu fazer, independentemente de ser de continuidade ou não. Um projeto de urbanização de favelas em áreas de mananciais seria contraditório se eu abortasse esse projeto. Agora, se eu mantivesse a taxa de inspeção as pessoas iriam me cobrar na rua. Eu tenho de ser coerente com as ideias que eu defendi, sem me preocupar se isso agrada ou desagrada ex-prefeitos em geral, não é só o anterior, qualquer prefeito que me antecedeu.

A oposição acusa o senhor de eliminar projetos e não colocar nada no lugar, como no caso da revitalização da cracolândia.
O problema do PSDB é que ele vive um momento difícil. Tem um discurso na Assembleia Legislativa e um diferente na Câmara Municipal. No caso da inspeção isso ficou claro, assim como no caso da Casa Paulista (órgão do governo do Estado que fará parceria com a Prefeitura para habitação popular no centro). Em vez de o PSDB da Câmara elogiar a parceria inédita para trazer morador para o centro, ele critica, e não estamos falando das 2 mil habitações da Nova Luz, estamos falando de 20 mil.

Sobre a inspeção veicular, quem não passa tem de pagar. Dá para dizer que a taxa acabou?
Dá para dizer que estamos isentando uma inspeção de cada. Imagine alguém que precisa de dez inspeções para passar? É justo com aquele que regulou seu motor? Não é razoável.

O senhor fez um plano de metas menor que o plano de governo. Ainda vai cumprir todas as promessas de campanha?
Eu deixei claro na entrevista de lançamento que um documento não substitui o outro.

O dinheiro do Metrô, que o senhor havia prometido na campanha, não está no plano.
Temos de estabelecer em que bases. O que eu dizia na campanha? Que nós não podemos simplesmente repassar recurso para o Metrô e ver isso aplicado no sistema financeiro.

Nesses primeiros meses, há dias em que a agenda do senhor começa às 6h e acaba às 20h. Aguenta ainda uns 8 anos à frente da Prefeitura?
Rapaz, se eu te contar que quando eu chego em casa ainda trabalho um pouco. Eu gosto disso aqui.

Fonte: Estadão

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Clipping
Presidente: aumento do Auxílio Brasil pode superar efeitos da pandemia

O presidente Jair Bolsonaro disse ontem (24) que o aumento dos índices de inflação tem, entre suas causas, problemas decorrentes do isolamento social, medida de combate à pandemia que, segundo ele, acabou por prejudicar a economia do país. Segundo o presidente, uma medida que pode ajudar na superação desses efeitos negativos causados pela pandemia na economia é o aumento no valor do Auxílio Brasil, de R$ 400 para R$ 600. As declarações foram feitas durante a cerimônia de inauguração dos Residenciais Canaã I e II, em João Pessoa (PB). De acordo com pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial, está acumulado em 12,04%, nos últimos 12 meses.

Clipping
Saúde amplia público da campanha de vacinação contra gripe

O Ministério da Saúde informou que a partir de amanhã (25) os estados e municípios poderão ampliar a campanha contra a gripe para toda a população a partir de 6 meses de vida, enquanto durarem os estoques da vacina contra a influenza. Segundo o ministério, a ideia é que a ampliação na vacinação evite casos de complicações decorrentes da doença e impeça eventuais mortes e uma possível “pressão sobre o sistema de saúde”. A campanha nacional de imunização contra a influenza começou no dia 4 de abril. O Ministério da Saúde já distribuiu para estados e o Distrito Federal as 80 milhões de doses contratadas para imunizar a população brasileira. Até o momento, a mobilização contra a doença atingiu 53,5% de cobertura vacinal. Hoje (24), os pontos de vacinação atenderam exclusivamente pessoas que pertencem ao público-alvo da campanha, entre crianças de seis meses a menores de cinco anos, trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas, indígenas e idosos. Quem faz parte do público-alvo e ainda não se imunizou, também poderá se vacinar após a ampliação da campanha. Para tomar o imunizante da gripe, basta ir a qualquer posto de vacinação. Fonte: EBC

Clipping
Aneel mantém bandeira tarifária verde para julho

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira verde em julho para todos os consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com a decisão, não haverá cobrança extra na conta de luz no próximo mês. É o terceiro o anúncio de bandeira verde realizado pela Aneel desde o fim da Bandeira Escassez Hídrica, que durou de setembro de 2021 até meados de abril deste ano. Segundo a Aneel, na ocasião, a bandeira verde foi escolhida devido às condições favoráveis de geração de energia. Caso houvesse a instituição das outras bandeiras, a conta de luz refletiria o reajuste de até 64% das bandeiras tarifárias aprovado nesta semana pela Aneel. Segundo a agência, os aumentos são devido à inflação e ao maior custo das usinas termelétricas neste ano, decorrente do encarecimento do petróleo e do gás natural nos últimos meses. Bandeiras Tarifárias Criadas em 2015 pela Aneel, as bandeiras tarifárias refletem os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em níveis, as bandeiras indicam quanto está custando para o SIN gerar a energia usada nas casas, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias. Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, significa que a conta não sofre qualquer acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a conta sofre acréscimos que variam de R$ 2,989 (bandeira amarela) a R$ 9,795 (bandeira vermelha patamar 2) a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. O Sistema Interligado Nacional é dividido em quatro subsistemas: Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte. Praticamente todo o país é coberto pelo SIN. A exceção são algumas partes de estados da Região Norte e de Mato Grosso, além de todo o estado de Roraima. Atualmente, há 212 localidades isoladas do SIN, nas quais o consumo é baixo e representa menos de 1% da carga total do país. A demanda por energia nessas regiões é suprida, principalmente, por térmicas a óleo diesel. Fonte: UOL