Petróleo impõe revés ao comércio Brasil-EUA

O deficit comercial do Brasil com os EUA – a diferença entre o que o país comprou dos americanos e o que vendeu para eles – já superou, só nos seis primeiros meses deste ano, o volume acumulado em todo o ano passado, revelam os números mais recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. De janeiro a junho, as exportações para os EUA somaram U$ 11,5 bilhões (R$ 26 bilhões), enquanto as importações se aproximaram de US$ 17,5 bilhões (R$ 39,4 bilhões) – saldo negativo de mais de US$ 6 bilhões (R$ 13 bilhões).

Nos primeiros seis meses do ano passado, esse mesmo deficit alcançava US$ 3,6 bilhões (R$ 8,1 bilhões). Em todo o ano, chegou a US$ 5,7 bilhões (R$ 12,9 bilhões). A piora nos termos de comércio para o Brasil é um dos efeitos imediatos da tão propagada “revolução energética” iniciada com a expansão do gás de xisto americano, que reduziu drasticamente a demanda dos EUA por petróleo.

Só no mês de junho, por exemplo, a importação de petróleo americana do exterior se situou em um patamar 18% menor que no mesmo mês de 2012. Para o Brasil, o resultado é que as vendas de combustível para os EUA entre janeiro e junho deste ano ficaram 58% abaixo das registradas no mesmo período do ano passado. As exportações somaram US$ 1,5 bilhão (R$ 3,4 bilhões), contra US$ 3,7 bilhões (R$ 8,3 bilhões) nos seis primeiros meses de 2012. Sozinha, a redução neste único item foi responsável por quase toda a queda de 16,5% nas exportações do Brasil para os EUA de janeiro a junho.

Recuperar manufaturados 

Entretanto, especialistas também indicam que a forte participação do petróleo na pauta Brasil-EUA – no ano passado, a commodity respondeu por um quinto das vendas nacionais para os americanos – de certa forma vinha mudando o foco da relação comercial entre os dois países, tradicionalmente marcada pela troca de produtos manufaturados. No passado, as principais exportações do Brasil para os EUA eram produtos siderúrgicos, sucos de frutas, partes e peças de componentes, aviões, entre outros. Grande parte da demanda criada dentro da própria cadeia das indústrias multinacionais.

“O principal produto exportado pelo Brasil para os EUA nunca foi petróleo. Então agora existe um espaço para tentar recuperar mais as exportações de manufaturas para os EUA”, disse à BBC Brasil a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, Lia Valls Pereira. O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, disse que no início da década passada sete dos dez produtos mais vendidos pelo Brasil para os EUA eram manufaturados e três eram commodities. Hoje, a relação se inverteu.

Ao longo da última década, o país perdeu espaço no mercado americano para manufaturados da China e nunca resolveu os velhos gargalos aos quais se atribui a sua falta de competitividade: carga tributária elevada, estrutura logística deficiente e, nos anos mais recentes, alguma elevação no custo unitário da mão de obra. Os obstáculo também oferecem uma explicação para o fato de o Brasil permanecer estancado há anos na participação mundial das exportações manufatureiras – em torno de 0,9%.

Mercado cambial

Junte-se a isto a conjuntura de instabilidade do mercado cambial, que em vez de incentivar as vendas externas, age como fator de cautela para exportadores que preferem ficar à espera de uma sinalização mais clara. Mas mesmo um real desvalorizado, acredita Augusto de Castro, terá pouco efeito nas exportações, considerando que os preços são negociados em dólar no mercado internacional.

“Eu sempre digo que a taxa de câmbio na exportação de commodities é um fator de rentabilidade para o exportador, não de competitividade”, diz. “O exportador ganha mais se o dólar está mais alto, mas por outro lado os compradores externos, sabendo disso, também pedem desconto.” A AEB espera que o câmbio influencie significativamente não as exportações, mas as importações brasileiras – a partir do ano que vem. O dólar mais caro, o consumo das famílias em queda e a criação de empregos estancada devem contribuir para reduzir as compras externas do país.

A entidade pretende divulgar na semana que vem as novas projeções para a balança comercial brasileira. Em dezembro passado, a previsão era de um superávit de US$ 14 bilhões (R$ 31,6 bilhões) em 2013 – a nova revisão pode reduzir o superávit para US$ 5 bilhões (R$ 11,3 bilhões) ou até mesmo para um deficit no mesmo valor. No início deste mês, o Ministério informou que o país fechou o mês de junho com um superávit comercial de US$ 2,4 bilhões (R$ 5,4 bilhões) – que o governo interpretou como um passo “rumo ao superávit” neste ano. Porém, o desempenho para o semestre foi o pior desde 1995.

Fonte: Diário de Pernambuco

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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