Programa reduz 80% dos casos de leishmaniose em cidades de Pernambuco

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Investimento em prevenção e controle. Foi com essa receita simples que o Programa Multidisciplinar de Saúde elaborado pelo Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães de Pernambuco conseguiu reduzir em 80% o número de casos de leishmaniose em cinco cidades do Estado. A doença integra a lista das infecções mais negligenciadas no mundo e em menos de dez anos atingiu cerca de 600 mil pessoas no Brasil. O resultado dessa pesquisa foi exposto nesta quarta-feira (15) no Congresso Mundial de Leishmaniose, realizado em Porto de Galinhas, Litoral Sul de Pernambuco.

Causada por um protozoário transmitido pela picada do mosquito palha, a leishmaniose possui duas diferentes formas. A tegumentar americana – foco da pesquisa – se manifesta através de feridas na pele, enquanto a visceral, também conhecida como calazar, é a forma mais grave, atacando principalmente fígado e baço, podendo levar à morte. Em Pernambuco, há ocorrências das duas formas, sendo a tegumentar de maior incidência na Zona da Mata e a visceral no Agreste.

90% dos casos registrados na América Latina estão no Brasil
600 mil casos foram registrados no País entre 1992 a 2011
71% dos doentes no Brasil estão no Norte e Nordeste
As 27 unidades federativas do País têm registro da doença
Os estados com maior número de mortos foram Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul

A pesquisa foi conduzida pela bióloga Otamires Silva, do Aggeu Magalhães e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a indústria de medicamentos Sanofi. Em 2003, quando começou a implantar o projeto, a pesquisadora se deparou principalmente com problemas estruturais que dificultavam o acesso das equipes aos pacientes, a ida destes aos três centros de referência para o tratamento, Hospital Oswaldo Cruz, Hospital das Clínicas e Imip, todos no Recife.


Bióloga Otamires Silva e Robert Sabbag, representante da Sanofi, apresentaram os resultados da pesquisa no Congresso (Foto: Tom Cabral/ Divulgação)

A união do setor privado com o centro de pesquisa permitiu a chegada dos pesquisadores aos locais para o mapeamento da doença e o transporte dos infectados a esses centros. “Quando se faz o remédio não se responsabiliza para que ele chegue às pessoas. Esse tipo de projeto leva o remédio diretamente às pessoas”, explica Robert Sabbag, vice-presidente do Programa de Acesso a Medicamentos da Sanofi.

Apesar de estar presente em vários municípios pernambucanos (assunto tratado na reportagem especial “Expedições – Doenças em fim” publicado em 2012 no Jornal do Commercio), a escolha das cidades para participar da pesquisa ocorreu de acordo com a importância da incidência e da disponibilidade das prefeituras em participar. Foram selecionadas São Vicente Férrer, Macaparana, Goiana, Água Preta e Timbaúba, todas da Zona da Mata Norte do Estado.


Acompanhamento e prevenção da doença conseguiu grande redução da incidência em todas as cidades (Imagem: Divulgação)

As secretarias de saúde e de educação participaram disponibilizando seus agentes de saúde para treinamento e capacitação e cedendo o espaço das escolas para campanhas de informação da população sobre a doença. Além de distribuir panfletos e orientações, os agentes também observam a presença de cães nas residências. Os animais participam como hospedeiros do parasitas depois de serem picados pelo mesmo mosquito que transmite a doença para o homem.

Enquanto isso, os pesquisadores localizaram os pacientes e os acompanharam durante todo o tratamento. “É importante dizer que acompanhamos durante e depois, para garantir que estava se medicando corretamente e ver se não haveria o retorno da doença”, explica Otamires.

Além das medidas de conscientização e acompanhamento, houve também o investimento para agilizar o diagnóstico da doença. O tempo para obter o resultado sorológico, que antes podia chegar a três meses, hoje é obtido de poucos minutos a até 48 horas, dependendo do tipo do exame.

Ao final de quase dez anos de pesquisa, que teve início em datas diferentes em cada cidade, foram realizadas 200 visitas às casas de pacientes e outras 70 aos postos de saúde. Mais de 1.200 pacientes foram beneficiados e 800 profissionais de saúde receberam treinamento.

Apesar da pesquisa contemplar especificamente as cinco cidades da Zona da Mata, o Aggeu Magalhães já capacitou profissionais e levou sua campanha de informação a outras cidades de Pernambuco, como Cupira, Panela e Caruaru, no Agreste. Segundo Otamires, o essencial é que as prefeituras tenham interesse e busquem o centro de pesquisa para implementar as medidas, que não representam custo para o município.

EXPANSÃO – Com o sucesso dos dez anos anos da pesquisa, o Aggeu Magalhães através da Fiocruz, e a Sanofi levam este ano o projeto para duas cidades do Ceará. Baturité e Pacoti terão, além da estrutura implementada em Pernambuco, ganharão um laboratório dedicado ao diagnóstico e dois módulos de capacitação profissional online. A ideia é que o programa continue a se expandir por outros estados do País que registrem índices significativos da doença.

PERSPECTIVA – A Sanofi é a responsável pela fabricação do medicamento utilizado no tratamento da leishmaniose, o Glucantime. A droga injetável é fabricada no País e distribuída pelo Governo Federal pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas a empresa está investindo em pesquisas junto com a Universidade Fedral do Rio de Janeiro (UFRJ) para desenvolver uma versão tópica (em pomada ou gel) do medicamento, o que facilitaria o acesso dos infectados ao tratamento e a própria aplicação. O estudo, que ainda está na fase pré-clínica, já apresenta resultados promissores.

Fonte: NE10

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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