Justiça Federal deve ouvir mais oito réus da Operação Monte Carlo

33Mais oito réus da Operação Monte Carlo devem ser ouvidos na audiência de instrução desta terça-feira (27), na sede da Justiça Federal, em Goiânia. Entre eles estão o ex-diretor da Construtora Delta Cláudio Dias de Abreu e o ex-comandante do policiamento militar de Goiânia coronel Massatoshi Sérgio Katayama, que respondem ao processo por envolvimento na exploração ilegal de jogos e corrupção em Goiás e no Distrito Federal, comandado pelo empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

No total, 50 pessoas envolvidas no esquema devem depor esta semana. Cachoeira, que já foi condenado pelo esquema, mas recorreu da sentença e segue em liberdade, não está entre eles. Segundo a Justiça Federal, o juiz Francisco Vieira Neto também deve interrogar nesta tarde Marco Antônio de Almeida Ramos, irmão de Cachoeira, além de Aredes Correia Pires, delegado aposentado que teria concedido informações privilegiadas ao grupo criminoso.

Cláudio Abreu, que era dirigente da construtora Delta, ligada ao grupo de Cachoeira, é acusado pela Polícia Federal de tentar subornar o então prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT),  para obter um crédito no valor de R$ 20 milhões. O dinheiro seria usado para que a empresa adquirisse outra construtora. Além disso, segundo as investigações, ele teria participação ativa na máfia das explorações de caça-níqueis.

G1 tentou contato com a defesa de Cláudio Abreu, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

Já o coronel Massatoshi Sérgio Katayama, que comandava a Polícia Militar de Goiânia e foi afastado do cargo em 2012, depois de ter sido citado na Operação Monte Carlo, é acusado de repassar informações privilegiadas ao grupo criminoso sobre as operações de combate aos jogos ilegais no estado. Ele teria, inclusive, recebido um rádio Nextel das mãos de Cláudio Abreu, pelo qual se comunicava diretamente com Cachoeira.

Ao G1, o advogado de Katayama, Maurício de Melo Cardoso, afirmou que não existem provas contra o ex-comandante da PM e que toda a investigação foi baseada apenas em interpretações de ligações telefônicas. “Vamos analisar minuciosamente todos os diálogos apresentados pela denúncia e provar que eles estão fora de contexto. As acusações são todas baseadas na interpretação dessas falas, das quais tentam entender que houve corrupção”, destacou.

Ainda segundo Cardoso, apesar da alegação de que informações sobre operações policiais eram repassadas ao grupo de Cachoeira, a PF não chegou a provar tais favorecimentos. “Tanto que nenhuma operação de combate aos caça-níqueis foram prejudicadas no estado”, concluiu.

A audiência segue até a próxima quinta-feira (29). Ainda estão previstas as oitivas de Arnaldo Rúbio Júnior, Fernando César da Silva, João de Deus Teixeira Barbosa e José Luis Martins. Todos os envolvidos são acusados do crime de formação de quadrilha e, em alguns casos, de corrupção passiva e ativa.

Primeiro dia
Os depoimentos dos reús começaram na segunda-feira (26), com a participação de 11 pessoas. De todas elas, apenas uma, o corretor de imóveis Francisco Marcelo de Sousa Queiroga, confessou participação no esquema de jogos ilegais. Outros seis negaram envolvimento com a quadrilha e quatro utilizaram o direito constitucional de permanecer calado.

Quando questionado pelo juiz se tinha envolvimento na exploração de jogos ilegais, Queiroga surpreendeu e respondeu positivamente. “Eu tinha minha loja de máquinas caça-níqueis, mas não conheço o Cachoeira”, disse.

O corretor informou que prestava conta e repassava 60% do faturamento ao irmão, José Olímpio de Queiroga Neto, considerado um dos homens de confiança de Cachoeira e responsável por gerenciar as casas de jogos e já julgado pela Justiça. Confiante de que não será condenado, ele afirma que não se entregou buscando uma possível redução de pena: “Só falei a verdade”.

Além de Queiroga, também foram ouvidos dois policiais militares – sendo um afastado do serviço – um aposentado, um eletricista e uma técnica em eletrônica. Todos afirmaram ser inocentes. Um advogado que é ex-cunhado de Cachoeira também negou ter feito parte do esquema.

As outras quatro pessoas, sendo três autônomos e um desempregado, decidiram ficar em silêncio e não responderam aos questionamentos. Segundo a denúncia, eles são acusados de trabalhar na parte logística da quadrilha, recolhendo os valores das máquinas e repassando-os para a quadrilha.

Para o procurador da República Marcelo Ribeiro de Oliveira, que representa o Ministério Público Federal (MPF), a variedade de ocupações dos réus comprova o quanto a quadrilha era organizada. Ele acredita que as provas que constam nos autos são suficientes para condenar todos os envolvidos. “Elas [provas] já tiveram sua legalidade reconhecida. As audiências estão sendo produtivas no sentido de que não afetam as escutas telefônicas, as avaliações de patrimônio e quebras de sigilo fiscal e bancário”, enumera.

Audiência de instrução
Os depoimentos das testemunhas começaram na semana passada. Segundo a Justiça Federal, no total, o processo foi dividido em três partes. A primeira fase, realizada em dezembro de 2012, condenou oito réus apontados como centrais no esquema, incluindo Cachoeira. Todos os envolvidos recorreram da sentença e aguardam em liberdade.

A segunda fase é realizada agora e, ao término dos trabalhos, o juiz irá definir se os acusados irão a julgamento. Já a terceira fase está prevista ainda para este ano, mas sem data precisa, quando serão interrogados outros 21 réus, entre eles policiais federais acusados de favorecer a máfia de jogos ilegais.

Operação Monte Carlo
Carlinhos Cachoeira é acusado de chefiar um esquema de exploração de jogos ilegais e corrupção em Goiás e no Distrito Federal. Ele foi preso em 29 de fevereiro de 2012, quando a Operação Monte Carlo foi deflagrada pela PF e Ministério Público Federal (MPF). O empresário foi condenado a 39 anos e 8 meses de prisão pelos crimes de peculato, corrupção, violação de sigilo e formação de quadrilha. Ele recorreu da sentença e aguarda pela decisão em liberdade.

Além dele, outras sete pessoas também foram condenadas por crimes de quadrilha, corrupção ativa, violação de sigilo funcional, advocacia administrativa, peculato e furto. São elas: Lenine Araújo, a 24 anos e 4 meses de prisão; José Olímpio Queiroga Neto, a 23 anos e 4 meses; Idalberto Matias, o Dadá, a 19 anos e três meses; Geovani Pereira da Silva, a 13 anos e 4 meses; Raimundo Queiroga, a 12 anos e 8 meses; Gleyb Ferreira da Cruz, a 7 anos e 8 meses; e Wladimir Garcêz, a 7 anos. Todos ganharam o direito de recorrer da sentença em liberdade.

O nome de Cachoeira também aparece envolvido em outra operação da Polícia Federal, a Saint Michel, um desdobramento da Operação Monte Carlo, que apurou o envolvimento de agentes públicos e empresários em uma quadrilha que explorava o jogo ilegal e tráfico de influência em Goiás.

O bicheiro obteve liberdade em 11 de dezembro de 2012, dias depois de ser preso em razão de sua condenação. Antes, ele havia ficado preso no presídio da Papuda, em Brasília, por nove meses.

Fonte: G1

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

 

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