Aos poucos, ‘amarelinhos’ vão ganhando mais respeito de condutores recifenses
- By : Assessoria de Comunicação do Deputado Gonzaga Patriota
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Ainda falta muito, mas, aos poucos, os orientadores de trânsito que atuam na educação de condutores e pedestres nas ruas do Recife vão ganhando mais respeito. Principalmente porque eles não têm poder de multar, ainda há dificuldade. A constatação é dos próprios ‘amarelinhos’, da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) e da Serttel, empresa contratada para terceirizar o serviço iniciado há um ano e meio. Ao todo, há, em dezenas de cruzamentos, 455 profissionais – número maior do que o de agentes de trânsito, que é de 426.
A ideia do projeto é promover a conscientização. Porém, isso não era o que se via no início. De um lado, os orientadores eram criticados por posturas como apitar em excesso em áreas residenciais. Do outro, condutores não se deixavam educar, desodecendo às orientações de não parar fechando os cruzamentos e aguardar a travessia dos pedestres, por exemplo.
Tanto tempo depois, mesmo com menos queixas, os comportamentos se repetem. “Se você vai à Avenida Abdias de Carvalho (na Zona Oeste), cedo e à noite, vê que a prefeitura está gastando dinheiro para colocar uma pessoa dizendo que temos que cumprir a lei, mas a culpa é dos motoristas. O que eles podem fazer? Para cumprir as regras, só na multa. Tem gente fechando o cruzamento todos os dias. Eles tentam organizar e ninguém obedece, por isso alguns ficam só olhando. O problema do trânsito é a falta de educação das pessoas”, opina a funcionária pública Ana Moura, 57 anos.
O projeto custa R$ 15 milhões por ano à Prefeitura do Recife. O dinheiro repassado à Serttel é usado para pagar o salário de 372 orientadores – 44 deles motociclistas os outros fixos nos semáforos -, 12 inspetores, 12 inspetores auxiliares, quatro motoristas, um gerente operacional, um engenheiro e três auxiliares administrativos, além de combustível e manutenção para os veículos usados.
O valor gasto com a folha de pagamentos dos agentes foi de R$ 1.677.390,34 só em maio deste ano. A CTTU frisa que, por serem terceirizados, os ‘amarelinhos’ não têm vínculos trabalhistas com a gestão municipal, o que, segundo o órgão, reduz custos.
O orientador Alex Silva, 31 anos, que atua na função desde o início do projeto, concorda com Ana. O ‘amarelinho’ cita casos de motoristas que passam falando ao celular, querendo fazer conversão à esquerda proibida ou colocando em perigo os pedestres que tentam atravessar o cruzamento entre as avenidas Norte e João de Barros, na Zona Oeste. Ao chamar a atenção desses condutores, muitas vezes é ignorado ou xingado. “É normal xingar. É como árbitro de futebol, tem que ter uma mãe em casa e outra no trânsito”, brinca.
No entanto, o gestor de Planejamento de Trânsito da CTTU, Fabiano Ferraz, adverte que, dependendo da situação, o desrespeito pode virar caso de polícia. “Cabe, sim, representação na delegacia. O fato de ele não multar não dá direito de as pessoas desrespeitaram. Muitas vezes são os apressados, as pessoas que se atrasam e querem ganhar esse tempo cometendo infrações”, afirma. “O orientador está ali para orientar e dar fluidez ao trânsito.”
O orientador Alex Silva frisa, porém, que o desrespeito tem diminuído. “Posso dizer que mudou 60% para melhor, com dificuldades. Antes era um projeto muito embrionário. As pessoas não entendiam e os orientadores não tinham tanta noção técnica”, justifica.
Para os órgãos responsáveis pelo trabalho, o projeto se consolidou. “A realidade atual é muito positiva e a população passou a respeitá-los. O fato de eles não multarem não justifica a desobediência do motorista”, afirma Fabiano Ferraz. “Os motoristas hoje veem mais o orientador como uma ajuda e não cumprem só o trabalho de fiscalização”, diz o diretor de Operações da Serttel, Flávio Leite. No entanto, os dois admitem que ainda é preciso uma evolução.
O gestor de Planejamento de Trânsito admite que um dos motivos para isso é o fato de os orientadores não poderem aplicar multas. Cabe a eles dar informação aos condutores, educá-los e corrigir comportamentos que vão de encontro ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Na prática, atuam no desvio do fluxo e no apoio em casos de travessia de pedestres, quedas de árvores e protestos, por exemplo. A função dos guardas é atuar na elaboração de boletins de ocorrência e em fiscalizações, além da educação no trânsito.
Se orientadores e agentes não estiverem cumprindo essas responsabilidades, a denúncia pode ser feita pelo 0800.081.1078. Segundo a CTTU, são feitas rondas para coibir desvios de conduta. “Dependendo, o orientador é automaticamente desligado, se não estiver correspondendo com as condições exigidas pela CTTU. Eles trabalham das 7h às 13h (no primeiro turno, enquanto o segundo é das 14h às 20h), mas o rádio é recolhido às 12h45 e depois disso eles se ausentam do posto. Isso é muito grave”, explica Fabiano Ferraz.
A Serttel afirma que, para evitar isso, alguns profissionais costumam ser selecionados para passar por reciclagem. O curso de capacitação é feito no início do trabalho. A empresa não divulgou quantos orientadores foram desligados desde que o projeto foi iniciado.
Fonte: NE10
Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)





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