#ElasNãoSeCalam: histórias de mulheres que denunciam seus agressores
- By : Assessoria de Comunicação do Deputado Gonzaga Patriota
- Category : Clipping
“Manda ela chamar ‘os homem’ pra mim que eu vou pisar no pescoço dela”, disse um ex-marido e pai antes da ex-mulher e filha irem denunciar as ameaças e agressões diárias. Isso não as impediu. Outro, já dentro do camburão na própria delegacia, gritou: “quando eu sair daqui vou matar ela”. A mulher, contudo, seguiu prestando queixa. Durante as duas horas dentro da Primeira Delegacia da Mulher, localizada no bairro de Santo Amaro, Centro do Recife, diversas vítimas denunciavam seus cônjuges, ex-companheiros, filhos, padrastos. Homens. A grande quantidade de agredidas se justifica, segundo os funcionários do local, pelo dia: “é segunda-feira; depois do final de semana de bebedeiras aqui fica cheio. Agora de manhã e durante feriados no período da noite é assim também.”
“Sheila”, 25 anos –
“Desde 2009 que eu presto queixa. Hoje de madrugada ele tentou me matar: botou a arma na minha cabeça e apertou o gatilho”. Por sorte da vítima, a arma não disparou. Sobre o flagrante policial – que garantiria a prisão imediata do agressor -, ela disse que até chamou a polícia, mas eles não chegaram. “Eles nunca vem. Quando vem chegar, se chegar, é duas, três horas depois. Ai a gente já tá morta no chão”.Um e-mail foi enviado à Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco questionando como é feita a escolha dos funcionários (agentes, delegados, comissários) para a Delegacia da Mulher e se existe alguma sensibilização para estes com o tema. Estamos aguardando e assim que recebermos retorno este trecho da matéria será atualizado.
PARA DENÚNCIAR – A mulher pode conseguir um flagrante, que garante a prisão imediata do agressor, ligando para o 190 da Polícia Militar. O 180 é um disque-denuncia exclusivo para casos de violência contra a mulher, que pode ser usado não só pela agredida, mas por familiares e vizinhos. Outra alternativa é ir para alguma unidade da Delegacia da Mulher e registrar um Boletim de Ocorrência (BO) e pedir uma medida protetiva contra o agressor. A medida é deferida por uma juíza e pode afastar o agressor; impede até mesmo que ele fale com a vítima. Uma alternativa mais extrema, para mulheres que só tem a casa do cônjuge e não estão seguras neste local, é o programa de abrigamento, que as mulheres são encaminhadas pela própria delegacia para estes locais. O sigilo do endereço é garantido.
PROTAGONISMO – Quando uma empregada doméstica de 24 anos resolveu filmar e denunciar abusos sexuais feitos pelo chefe, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife, na semana passada, talvez não tenha tido a consciência do papel de protagonismo que assumiu, inspirando várias mulheres a seguir o mesmo caminho.
Eliane Rodrigues é exemplo de protagonismo feminino em Nazaré da MataFoto: acervo pessoal
Caminho trilhado há 27 anos por Eliane Rodrigues, idealizadora e fundadora da Associação das Mulheres de Nazaré da Mata (Amunam). “Sou de zona rural e via na época o que minhas amigas passavam com os maridos e resolvi ocupar um espaço que é nosso por direito”, relembra Eliane, que já recebeu várias ameaças de morte após defender mulheres agredidas no município. A associação atende cerca de 150 pessoas por semana, mulheres e crianças a partir de 8 anos e também homens. “Não adianta discutir o fortalecimento das mulheres, se não inserimos também os homens na discussão. É uma questão cultural, arraigada, que precisa ser combatida continuamente, da raiz”, ensina. A Amunam oferece oficinas e cursos profissionalizantes, possui uma rádio comunitária e grupos de maracatu de baque solto e coco, exclusivos de mulheres, entre outras atividades de fortalecimento das mulheres.
Blog do Deputado Federal Gonzaga Patriota (PSB/PE)





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