
O aumento do desemprego está cada vez mais devastador: no trimestre encerrado em abril já eram 11,4 milhões de pessoas sem trabalho no país. É o pior resultado da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012. A taxa de desocupação é de 11,2% da população ativa.
A recepcionista Jaqueline Pereira, 20 anos, está sem trabalho há três meses. Morando com uma tia, é a mãe que arca com a contribuição que ela costumava dar todos mês ao orçamento. “Eu estudo para tentar um emprego público, mas tive que trancar o curso, porque não conseguia pagar. Tenho várias dívidas no cartão de crédito. Espero que nos próximos dias eu consiga um emprego. Acredito que vai dar certo”, afirmou.
Família atingida
Outro que está com muitas contas para pagar é Joaquim Alves dos Santos, 55 anos, desempregado há mais de um ano. Ele era terceirizado no Palácio do Planalto e está vivendo no limite do orçamento. No ano passado, teve que vender o imóvel em que morava para quitar dívidas. Agora paga aluguel. “Lá em casa, ninguém pode ficar parado. Minha esposa e minhas filhas trabalham para não ficarmos endividados. Às vezes, para ganhar dinheiro extra, tento fazer uns bicos como garçom nos piores meses”, contou Joaquim.
O economista sênior da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fabio Bentes prevê um cenário ainda pior para o emprego neste ano. “O desempenho na economia vai ser muito parecido com o do ano passado. Só o setor de serviços deverá extinguir 900 mil postos até dezembro. Foram 500 mil em 2105”, afirmou. “Enquanto não houver recuperação da confiança do setor produtivo, será difícil reverter esse quadro”, completou.
Pesquisas mostram reação na confiança da indústria devido, principalmente, às exportações. Isso ainda é, porém, insuficiente para reverter o quadro do desemprego ainda neste ano na avaliação do gerente executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. “A confiança melhorou, mas ainda está bem abaixo dos patamares em que se considera o empresário confiante. É urgente a retomada da governabilidade com o controle das contas públicas, com uma radical revisão dos gastos públicos. Esperamos que o presidente interino Michel Temer tenha mais comprometimento com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, do que a Dilma teve com o Joaquim Levy”, ressaltou.
Fonte: DP
Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)
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