Falhas na infraestrutura urbana explicam proliferação do Aedes aegypti

20160107212759597838oPernambuco está em situação de emergência devido ao alto índice de infestações causadas pelo mosquito Aedes aegypti e, por consequência, pelas doenças causadas pelo inseto. Mesmo com o reforço do Exército e com as parcerias estabelecidas pela gestão pública para exterminar os focos do mosquito, a população sofre os danos causados por uma tragédia anunciada. As sequelas já causam luto na sociedade e serão sentidas pelas próximas gerações.

De acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, com dados coletados até o dia 2 de janeiro, as notificações de microcefalia já alcançam 151 dos 185 municípios do estado. Foram notificados 1.185 casos suspeitos e quatro mortes estão sendo investigadas. No país, já são 3.174 casos em 684 cidades de 21 estados.

Nesta quarta-feira, uma índia Xucuru morreu com diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré com histórico de febre chikungunya. Esse pode ser o primeiro óbito causado pela doença registrado em Pernambuco.

A convocação urgente da população e de instituições públicas e privadas para combater o mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus (comprovadamente ligado à epidemia de microcefalia) esconde uma série de falhas históricas na infraestrutura urbana. Erros causados por uma gestão que há décadas trata com descaso uma questão essencial para a qualidade de vida da população: o saneamento básico. Segundo a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), o Recife amarga a estatística de só ter 37% de seus bairros saneados. Em áreas como Dois Irmãos, Alto do Mandu, Alto Santa Terezinha, Córrego do Jenipapo, Bomba do Hemetério, Caxangá, Morro da Conceição, Cidade Universitária, Guabiraba, Linha do Tiro e Jordão, a taxa é de 0%.

Para o engenheiro sanitarista e professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Clifford Ericson, o contexto geral é ainda mais preocupante. “É importante entender saneamento como uma ação muito mais ampla do que apenas coleta de esgoto. Envolve, pelo menos, cinco atividades importantes: abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo, drenagem de água pluvial e controle de vetores”, explica. “Nos países desenvolvidos, é água 24h por dia. Aqui, não temos um suprimento de água permanente. A população precisa de reservatórios para estocar e esse é apenas um dos problemas porque o mosquito gosta de água para se proliferar”.

O abastecimento irregular se soma a complicações de raízes administrativas e de consciência ambiental. “O esgotamento sanitário acontece de forma muito precária. O município oferece coleta de lixo razoável, mas as pessoas não têm educação. E ainda tem o caos que é nossa drenagem. O canal da Avenida Agamenon Magalhães, por exemplo, é destinado a água de chuva e é basicamente só esgoto”, ressalta o especialista. Considerando a oferta insuficiente de abastecimento de água, coleta de esgoto, recolhimento de lixo e sistema de drenagem, o que sobra para evitar epidemias é o controle de vetores. “Nenhum desses problemas pode ser resolvido do dia para a noite. A bomba já explodiu e estamos perdendo essa guerra. É mais rápido convocar o Exército e voluntários para exterminar os focos do que fazer toda a reestruturação do sistema”, critica.

A relação de causa e efeito se torna evidente ao se analisar as notificações das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti por bairro – guardando as devidas proporções de área e quantidade de imóveis atendidos. Afogados concentra a maior parte das notificações, são 270 casos de dengue, 58 de chikungunya e 14 de microcefalia. O bairro abriga 5.187 imóveis e só é 44% saneado. Se verificados os registros de notificações sobre microcefalia, o bairro do Ibura lidera o ranking com 18 casos, sendo que apenas 11% do bairro é saneado O segundo lugar fica com a Várzea: 12 casos, 6% de área saneada. A Cohab, Dois Unidos e Nova Descoberta ficam em terceiro lugar com 10 casos, cada. Eles têm, respectivamente, 16%, 5% e 1% de cobertura de saneamento.

Ajustar o passado, transformar o presente

Para a médica infectologista Ângela Rocha, coordenadora da Infectologia Pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, referência no atendimento aos pacientes com microcefalia, na atual circunstância, somente com uma atuação integrada será possível conter o avanço das notificações. “O combate ao vetor é fundamental. É preciso acabar com o Aedes aegypti. As pessoas têm que ter cuidado nas residências, não podem deixar criadouros de mosquito, lixo, água parada e é bom utilizar repelente, mosqueteiro e instalar telas nas janelas. Cada um tem que fazer a sua parte, a população e a saúde pública”, ressalta.

O engenheiro sanitarista Clifford Ericson lembra ainda que as ausências na prestação do serviço de saneamento acarretam outros transtornos de saúde pública. “O Aedes aegypti é muito democrático. Ele pica o pobre, o rico, brancos, negros, índios e deixa todos debilitados. Mas também é importante pensar na quantidade de crianças que morrem de verminoses todos os anos por falta de esgotamento sanitário, por exemplo. O problema é grave e muito maior do que o que está se pensando”.

O melhor caminho para reverter a situação e evitar problemas futuros é ajustar o passado e transformar o presente. “A gente precisa de projetos conscientes de infraestrutura para as nossas cidades. Temos que continuar apagando o fogo, mas a solução é estrutural. Ao longo das últimas três décadas, muito pouco foi feito em relação ao saneamento. As obras no nosso país não são feitas para durar, não têm manutenção e nem qualidade. Essa tragédia foi anunciada há muito tempo e pode ficar pior”, observa o sanitarista.

Subnotificações por semelhança de sintomas

A falta de informação sobre as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti alavancaram as estatísticas sobre dengue e minimizaram as graves consequências do surto das demais doenças que, enquanto isso, cresciam silenciosas no país. Em 2015, as notificações por dengue chegaram a 3,5 mil em uma semana em Pernambuco. O que não se sabia, até então, é que nem tudo era dengue.

O país já havia registrado três casos de febre chikungunya em 2010, mas a doença havia sido contraída no exterior. Em 2013, ela começou a se alastrar pelo Caribe e países vizinhos. Um ano depois, em setembro de 2014, o Ministério da Saúde confirmou os dois primeiros casos autóctones no Amapá. Na época, o então secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, atual presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, adiantou que estava se preparando para o pior cenário. Por sua vez, o Zika foi identificado em 1947 em macacos da Uganda, mas só foi notificado no Brasil em maio de 2015, na Bahia.

A confusão nas notificações é justificada pela semelhança entre os sintomas. “As três têm quadros muito parecidos. A dengue pode ser leve ou hemorrágica e os sintomas variam por isso. Normalmente causa moleza e febre. O Zika vírus é o mais leve (aparentemente) e causa febre baixa, dores na articulações, manchas na pele, mas em menor quantidade. Já a chikungunya causa dores fortes nas articulações que são sentidas por muito mais tempo, febre alta e edemas”, esclareceu a infectologista Ângela Rocha.

Fonte: DP

 Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

 

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