
Em bela tarde do mês de dezembro, nos reunimos na Academia Pernambucana de Letras para celebrar o nome do escritor Mário Sette. Embora, a data do seu nascimento tenha ocorrido em 19 de abril de 1886, o ano literário de 2015, a ele, foi dedicado.
Mário Sette nasceu no Recife, aqui, deixou a marca da sua pernambucanidade. Por sua produção histórica e literária foi um polígrafo na completa acepção do termo.
Eleito em 1921 para a Academia Pernambucana de Letras, é o patrono da cadeira de nº 29, a que modestamente ocupo. Romancista, memorialista, pesquisador, cronista, além de professor catedrático na Faculdade de Filosofia do Recife. Pioneiro da literatura de ficção entre seus livros mais conhecidos estão: Palanquim Dourado, A Filha de Dona Sinhá, Arruar, Maxambombas e Maracatus, Seu Candinho da Farmácia, este uma história de amor romanesca do Recife.
O livro Terra Pernambucana, obra adotada anteriormente nas escolas públicas e particulares do Recife. Que os livros de Mário Sette, e de outros escritores pernambucanos, venham a ser anexados na programação dos colégios e escolas públicas do estado.
Ligado ao ciclo da cana-de-açúcar, não sendo um menino de engenho, Mário Sette escreveu um canto de exaltação aos engenhos em terras pernambucanas. Lendo o romance Senhora de Engenho, senti de perto quando menina, esse modo de vida rural, nas casas-grandes dos engenhos Santa Cruz e Independência, dos meus avós, em Bom Jardim, assistindo novenas, procissões, serenatas e brincadeiras de salão. Vendo as tias tocarem o piano e suspirarem por paixões guardadas e noivados desfeito, tal qual a linda e suave Maria Bethania, personagem de relevância do livro Senhora de Engenho, que padeceu de frustração amorosa.
Procedente dessa época, muitas meninas receberam no batismo o nome de Maria Bethania, ou simplesmente Bethania. Meu primo, o compositor Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa) compôs o seu primeiro sucesso nacional, com a música Maria Bethania, cantada por Nelson Gonçalves, (o cantor das multidões.) Capiba musicou poemas de Ascenço Ferreira, Manuel Bandeira, João Cabral, Carlos Pena, Mauro Mota, Carlos Drumonnd, entre outros poetas. Compôs para graduação dos médicos da turma de 1932, a Valsa das Esmeraldas, cujo título foi trocado por Valsa Verde, por sugestão do seu amigo Mauro Mota. Valsa tocada, pela brilhante pianista Josephina Aguiar, minha confreira da Academia de Letras e Artes de Pernambuco.
Amava os livros e personagens de Mário Sette. Há nos seus livros como nos de Eça de Queiroz, muito mais que discrição. Eles nos fazem ver telas, dos lugares e paisagens que descrevem. Eça, lá do seu canto, sugeriu-me pintar as Cenas Ecianas, em 12 quadros que permanecem em exposição, no Museu Municipal de Etinografia e História na Póvoa de Varzim, berço de Eça de Queiroz. Procurei conhecer em Ipojuca a casa-grande do Engenho São Francisco, onde nasci. Percorri caminhos de terra, com velhas porteiras gemendo ao abrir e fechar, só partidos de canas nas colinas e planícies, daquele verde e doce mundo. O poeta João Cabral completaria: (…) Mais não avisto ninguém / só folha de cana fina / somente ali a distância / aquele bueiro de usina.
Em Casa Forte, das minhas janelas avizinho-me do Poço da Panela, do verde do arvoredo, da bela casa da amiga escritora Luzilá Gonçalves, da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, do sobrado ocupado pelos personagens do livro de Mário Sette: Os Azevedos do Poço, escrito no ano de 1938 e definido pelo autor: Ao mesmo tempo obra de ficção autobiográfica e reconstituição de uma época.
Mauro Mota na sua coluna Agenda, Diario de Pernambuco, em 7 de maio de 1963 escreve: O livro de Mário Sette, Terra Pernambucana é sem embargo das outras obras, de crônicas e romances, um dos mais importantes que ele escreveu, pela leveza de botá-los em movimento, a magia de fazer a gente, além de ler ver as coisas os ambientes, Nada de coquetel de datas, e nomes de estilo servil de relatórios. Até a sétima edição que guardo com amor, pela dedicatória do autor. Olho na banca onde escrevo, o retrato de Mário Sette. Digo-lhe que ele nunca esteve tão vivo do que agora, que não se morre nunca deixando à sua gente, num livro como ARRUAR..
Fonte: DP
Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)
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