A pernambucanidade ortodoxa de Marcos Vinicios Vilaça
- By : Assessoria de Comunicação do Deputado Gonzaga Patriota
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“Sou um pernambucano ortodoxo, um pernambucano xiita e até um pernambucano terrorista mesmo”. É assim que se intitula o escritor, professor, ensaísta e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) Marcos Vinicios Vilaça, um dos nomes responsáveis por dar maior abertura e visibilidade a instituição fundada por Machado de Assis no Brasil. Presidente por duas vezes na casa, entre 2006 e 2007 e entre 2010 e 2011, o autor agora programa dois novos livros para este semestre, enquanto aguarda a posse do também pernambucano Geraldo Holanda Cavalcanti na presidência da academia.
Nascido em Nazaré da Mata, filho do professor e político Antônio Vilaça, ele chegou ao Recife na década de 1950, para fazer o ensino clássico, hoje, equivalente ao ensino médio. Ficaria na capital para fazer Direito – terminou ministro e presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) – e se inserir na vida literária, publicando ensaios como Conceito de verdade, A escola e Limoeiro e o relato de viagens Americanas. Um dos seus principais livros, Coronel, coronéis (1965), ensaio e reportagem feita com Roberto Cavalcanti de Albuquerque com entrevistas com os protagonistas do coronelismo em Pernambuco, foi gestado e escrito nesse período, sob forte influência do pensamento do amigo Gilberto Freyre – assumidamente a maior referência para o imortal da ABL.
“Sempre quis escrever sobre inúmeros assuntos. Eu sou muito pretensioso, acho que tudo me interessa”, conta o escritor, aos 74 anos. Em março, vai lançar um livro de teoria jurídica, para dar maior circulação aos seus votos no TCU nos últimos anos. O prefácio é de Eros Graus, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal. Ainda neste semestre, prepara a publicação de O livro dos prefácios, que vai reunir textos esparsos do pernambucano com apresentação do colega de ABL Ivo Pitanguy.
Quer também recuperar a história familiar. Este ano, para celebrar o centenário do pai, vai publicar uma série de artigos no JC para recordar a trajetória de Antônio Vilaça. É ela, a memória, que ele considera um atributo muito desprezado pelos pernambucanos. “Como dizia Gilberto Freyre, o nosso Estado só é generoso no enterro. Depois esquece”, vaticina.
É esse esquecimento do passado, unido a uma política cultural que não dá visibilidade ao que é produzido aqui para fora de Pernambuco, que o preocupa. “Não podemos ser uma autarquia cultural. Não devemos só preservar e cuidar da nossa cultura, mas também divulgá-la”, defende. “Temos bons escritores, por exemplo, mas já fomos oito pernambucanos na ABL e hoje só somos quatro. Seria preciso valorizar os nossos escritores. Eu gostaria de dar aos futuros pernambucanos na casa o meu voto, e não a minha vaga”, avisa. Apesar disso, mantém seu pernambucanismo radical, com bom-humor: “Acredito que Pernambuco é o umbigo do mundo. E acho que só eu posso criticar coisas nossas, claro, e só entre conterrâneos”.
Fonte: JC
Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)





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