Quebra-cabeça étnico lança dúvidas sobre futuro da Crimeia

140307220533_graffiti_crimea_624x351_ap_nocreditUma multidão hasteava bandeiras russas e cantava músicas pop do país, feliz pela região, com seu novo governo regional, ser agora parte da Federação Russa.

A lei havia passado rapidamente pelo Parlamento da província autônoma, com 79 dos 81 votos apoiando a proposta de se separar da Ucrânia.

Existe ainda, é claro, um referendo a ser realizado sobre a questão, que foi adiantado para 16 de março.

O vice-primeiro-ministro da Crimeia, Rustam Termirgaliev, disse à BBC estar certo da vitória.

“Aqui, os cidadãos ucranianos se tornarão russos”, afirmou. “Ganharemos essa votação com 70% a 75% dos votos. O referendo é legítimo.”

Mas Kiev discorda. O novo primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, considerou o referendo “ilegítimo e sem base legal”, já que a constituição da Ucrânia afirma que qualquer mudança em suas fronteiras deve ser aprovada por todo o país.

Uma guerra verbal está em curso entre Kiev e a Crimeia, com o governo autônomo insistindo que a revolução em Kiev é que é ilegítima e que só o Parlamento da Crimeia representa a vontade de seu povo.

Identidade

Mas quão justificada é a confiança das autoridades da Crimeia de que as pessoas da Crimeia querem mudar de país?

Em manifestações como a que ocorreu do lado de fora do Parlamento, há um claro fervor nacionalista. “Queremos ir para a Rússia e não para a União Europeia”, diz um estudante. “Os russos são nossos irmãos e irmãs – e isso é uma ótima ideia.”

É uma visão bastante comum entre grupos étnicos russos, que são maioria na Crimeia. Eles têm realizado protestos diários contra os “fascistas e nacionalistas” que tomaram o poder em Kiev. Muitos ucranianos sentem-se ameaçados pela revolução, com medo de que a aproximação ao Ocidente coloque em risco seu idioma e sua identidade.

Mas, ao longo de uma semana de reportagens na Crimeia, a BBC conversou com inúmeros russos que pensam diferente, em favor de uma maior autonomia dentro da Ucrânia em vez de uma mudança de país.

Entre eles está Lena e sua família – membros de grupos étnicos russos que receberam a reportagem em seu apartamento em Simferopol enquanto seu filho de um ano de idade brincava. Eles acham que o menino deve crescer como um cidadão ucraniano.

“Fico triste e desapontada com essa movimentação”, diz Lena. “A Crimeia é minha terra natal. Não seria feliz vivendo na Rússia – é um país estrangeiro para mim.”

Seu marido, Dima, também votaria contra a separação no referendo. Mas, diz, o problema é que a Crimeia ainda está buscando sua própria identidade. “Sou russo, mas não um cidadão da Federação Russa. Somos povos diferentes”, ele diz. “Quero me sentir um cidadão da Crimeia, mas até quando digito isso no meu computador o corretor ortográfico diz que estas palavras não estão corretas.”

Os russos da Crimeia estão divididos, talvez por gerações. A mãe de Lena, Irina, lembra de 1954, quando a Crimeia foi dada à Ucrânia pelo ex-líder soviético Khruschev, algo de que muitos ainda se ressentem. “Votaria pela separação”, ela afirma. “A Crimeia sempre foi uma terra russa, e não tenho nenhum laço emocional com a Ucrânia.”

Além dos russos, há uma comunidade de ucranianos étnicos e tártaros de tamanho respeitável, que juntos respondem por 40% da população. Eles certamente rejeitariam a mudança de nacionalidade.

Os tártaros foram deportados para a Ásia central por Stálin em 1944, em punição pela suposta colaboração de alguns com os nazistas. Muitos morreram e, mesmo depois de alguns retornarem, permaneceram anti-Rússia.

E esse é o problema. Nesta pequena e atribulada península, as divisões são tão profundas que nada irá satisfazer a todos.

Desafio

Assim como no resto da Ucrânia, a divisão na Crimeia se dá por gerações

Entre aqueles que só conheceram uma Ucrânia unida e independente, a reportagem encontrou uma ampla oposição à separação territorial.

Na escola técnica da Crimeia em Simferopol, a classe de inglês tem 19 alunos, todos nascidos depois de 1991, quando os ucranianos votaram pela separação da União Soviética – apesar de a maioria ter sido obtida por uma margem mínima na Crimeia. Todos os estudantes dizem querer que a província continue a ser parte da Ucrânia e apenas desejam paz.

“Nasci na Ucrânia, sinto-me ucraniano e morrerei na Ucrânia”, diz um aluno. “O que está acontecendo não é normal. Não quero tropas russas no meu país.”

Mas é difícil obter um retrato preciso do apoio geral à separação – ou anexação – por Moscou. Na Crimeia, poucos acreditam nas pesquisas de opinião, e com Kiev e os governos ocidentais anunciando que o referendo não será legal ou reconhecido, sequer há certeza de que ele ocorrerá.

A Crimeia desafia o governo ucraniano. A integridade territorial do país está ameaçada – e as fronteiras da Europa podem ser novamente retraçadas neste disputado canto do continente.

Fonte: BBC

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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