Ataque extremista na França atinge sentimento de Liberdade em todo o mundo

0701_653_charbonnierUm ataque à sede da revista francesa Charlie Hebdo deixou, até o fim da tarde desta quarta-feira (7), 12 pessoas mortas e outras 11 feridas, quatro em estado grave. De acordo com autoridades francesas, por volta das 11h30 (8h30 em Brasília) ao menos três homens chegaram encapuzados e armados com um fuzil AK-47 e um lança-foguetes até a portaria do edifício onde funcionava a revista, atiraram em um funcionário e fizeram outro refém no segundo andar do prédio, onde uma equipe do jornal realizava uma reunião de pauta.

Os assassinos então invadiram a sala onde estavam os funcionários e, após mandarem todos os presentes se identificarem, deram início a um intenso tiroteio. Lá foram mortas 10 pessoas: oito jornalistas, um convidado e um policial que realizava a segurança do escritório. Quatro pessoas ficaram gravemente feridas. Dois homens chegaram a ser filmados durante a fuga por pessoas que trabalham nas proximidades do prédio enquanto atacavam um segundo policial, que também acabou morto e efetuando vários disparos de fuzil, enquanto gritavam “Alá é grande” e “o profeta foi vingado”. Segundo a polícia francesa, eles entraram em um carro onde estaria um quarto integrante do grupo.

Apesar das informações preliminares, a polícia francesa ainda não sabe precisar ainda quantas pessoas participaram do ataque à Charlie Hebdo, mas a motivação não é nenhum mistério. A revista semanal foi alvo de constantes ameaças desde 2006, quando republicou uma charge de um jornal dinamarquês com uma figura satírica de Alá, que provocou indignação dos muçulmanos, que são avessos a qualquer tipo de representação de seu Deus. Diversos grupos extremistas realizaram convocações para atacar os franceses e Charbonnier, então editor da revista, ameaçado publicamente a decapitação no início de 2014.

Em 2011, o prédio foi incendiado, supostamente por uma bomba. Ninguém morreu ou ficou ferido, mas todo o interior do prédio foi destruído e o conteúdo produzido e arquivado foi perdido. O site da Charlie Hebdo também foi invadido, seu conteúdo foi apagado e uma mensagem dizia “Nenhum Deus além de Alá”. Ainda assim, a publicação manteve o teor das charges.

No ataque desta quarta-feira, foram mortos os quatro principais cartunistas da revista, George Wolinski, Jean Cabut (Cabu), Stephane Charbonnier (Charb) e Bernard Verlhac, conhecido como Tignous, além do economista e vice-editor da revista, Bernard Maris.

O presidente francês François Hollande, em pronunciamento oficial, classificou o ataque como de “cunho terrorista” e disse que todo o país se encontra em estado de choque. Ele também reconheceu que o risco de um ataque do gênero era de conhecimento do governo francês e afirmou que “as instituições de proteção da nação desbarataram várias tentativas de atentados terroristas nas últimas semanas”.

O governo convocou uma reunião de emergência foi convocada para às 14h (11h em Brasília) para tratar do ataque e o nível de alerta para ataques terroristas foi elevado para o nível máximo em todo o território francês. A polícia efetua intensas buscas por pelo menos três suspeitos.

Rapidamente milhares de pessoas se reuniram em várias cidades francesas para homenagear os mortos no massacre de Paris e também protestar contra o extremismo religioso. Na capital, milhares de pessoas foram até a Praça da República, no centro parisiense, próximo ao local do atentado. Em todo o país e nas redes sociais, a frase “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”) e “Nous sommes tous des Charlie” (Todos somos de Charlie) estão presentes de forma massiva.

O pernambucano Jorge Waquim, que mora em paris há 15 anos, esteve na Praça da República e enviou um vídeo para a Folha de Pernambuco através do Whatsapp (+55 81 81879290), falando sobre o clima na cidade após o atentado.

Por todo o mundo, chefes de estado e entidades se manifestaram contra o ataque à Charlie Hebdo. A presidente Dilma Rousseff divulgou uma nota, dizendo estar “indignada com este ataque terrorista e sangrento, um ato de barbárie, que, além das perdas humanas lastimáveis, é um ato inaceitável de ataque a um calor fundamental das sociedades democráticas, a liberdade de imprensa”, afirmou.

O Papa Francisco II, através de um porta-voz, condenou firmemente o que considerou como “ato terrorista abominável” e pediu a todos os católicos que não perpetuem o ódio ou qualquer forma de violência e intolerância, mas que ofereçam sua solidariedade espiritual a todas as vítimas”, pontuou o Vaticano. A Santa Sé também declarou que o ataque é uma “dupla forma de violência, que ataca não só a vida, como também a liberdade de imprensa”, destacou.

O presidente norte-americano Barack Obama também se utilizou de seu porta-voz para condenar “da mais forte forma” o ataque desta quarta-feira e que “os Estados Unidos se solidarizam com a família de todos os mortos e feridos, além de disponibilizar seu contato com as autoridades francesas solicitarem toda e qualquer ajuda necessária para que os terroristas sejam levados à Justiça”, declarou a Casa Branca.

No Reino Unido, o primeiro-ministro David Cameron disse que “a Grã-Bretanha está ao lado da França na luta contra o terrorismo” e classificou o ataque como “um ato doentio”.
Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel declarou publicamente que o ataque contra a revista francesa “vai além da violência contra cidadãos franceses, mas também é um atentado sem precedentes contra a liberdade de imprensa e de expressão, fundamento da cultura livre e democrática”, além de declarar apoio ao povo francês.

O presidente russo Vladimir Putin, por sua vez, expressou condolências ao povo francês e que “condena energicamente o terrorismo em todas as suas formas”, disse em comunicado.

Entidades Islâmicas também se pronunciaram diante do acontecimento. O Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) condenou o ataque e afirmou que “o ataque bárbaro de extrema gravidade desta quarta-feira também é um ataque à Democracia e à Liberdade de Imprensa, em nome dos quase 5 milhões de muçulmanos da França”, declarou a entidade. A principal autoridade sunita, a Al Azhar, afirmou que “o atentado é um ato criminoso e que o Islã denuncia qualquer tipo de violência”.

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Ban Ki-moon, disse que “nada justifica este crime horrendo, a sangue-frio e irreparável”, afirmou o Secretário.

Outros países e entidades como a Unesco, Acnur, Comissão Europeia, Unasul, Otan, Itália, Canadá, Japão, Espanha, Israel, Turquia, Jordânia, Marrocos, Egito, Arábia Saudita, Argentina, Bélgica, Austrália, Portugal, China e África do Sul também manifestaram apoio e condolências ao povo francês bem como condenaram o ataque.

Fonte: Folhape

Blog do Deputado Federal Gonzaga Patriota (PSB/PE)

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