Emoção e homenagem, mas, também, claros interesses políticos marcam reverências a Eduardo

1A cerimônia em homenagem ao ex-governador Eduardo Campos, que completaria 50 anos ontem, mostrou que o PSB continua sendo uma legenda com inserção em todas as forças partidárias e cobiçada por lideranças nacionais. Em um momento de segregação na conjuntura política, o ato em homenagem ao socialista conseguiu reunir PT e PSDB no mesmo palanque.

Principais lideranças do PSDB cogitadas para as eleições presidenciais de 2018, o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin não pouparam afagos ao PSB. “O Brasil precisa muito do PSB, do seu ideário, do seu programa, do seu espírito público e do seu talento”, elogiou Alckmin. Já Aécio Neves fez questão de enaltecer as principais lideranças do partido, os ex-governadores Miguel Arraes de Alencar e Eduardo Campos. O mineiro lembrou que, assim como ele herdou características do avô Tancredo Neves, Campos também demonstrou semelhanças com Arraes.

“Se, em qualquer tempo e em qualquer País, homens de qualidades, experiência e responsabilidade fazem falta, hoje, no momento pelo qual o Brasil passa – e todos nós nos preocupamos cada vez mais com o futuro que está por vir, a ausência de Eduardo se torna ainda maior e quase que insubstituível”, elogiou.

Representando o Governo Federal, o ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT) afirmou que o ex-governador Eduardo Campos buscou construir pontes com diferentes segmentos partidários e era conhecida pela capacidade de diálogo. Ele também utilizou um bordão do líder socialista para sair em defesa da gestão da presidente Dilma Rousseff (PT). “Eduardo também enfrentou derrotas e vitórias, mas nunca desistiu porque quem trabalha por um ideal não desiste nunca. E por isso a frase dele de que não vamos desistir do Brasil, porque nós temos um trabalho”.

Apesar da abrangência suprapartidária do evento, o encontro mostrou um PSB mais próximo do PSDB e mais afastado do PT. A tendência começou a ser construída no segundo turno das eleições presidenciais, quando a sigla decidiu apoiar o candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) em detrimento da reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Representado pelo ministro da Defesa, Jacques Wagner (PT), amigo pessoal de Campos, e o senador Humberto Costa (PT), as demais lideranças nacionais do PT levaram falta na homenagem. Uma das ausências mais notadas foi a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que mantinha uma relação de pai e filho até o rompimento entre PSB e PT no último pleito.

O vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), adiantou que defenderá a aproximação do seu partido com o PSDB do seu aliado, Geraldo Alckmin. “Se depender de mim, estreitaremos nossa relação com o governador Geraldo Alckmin. Aécio também é uma pessoa a quem admiro. Ambos são pessoas extraordinárias, cada um com seu mérito, mas é claro que não tem comparação. O governador (Geraldo Alckmin) governa o maior estado do País pela quarta vez, é um homem reto, integro e muito conciso, muito criterioso, não tem falha. Tem 64 anos, maduro suficiente para exercer a função que ele achar melhor”, defendeu.

Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira adotou um tom conciliador e afirmou que o partido defende uma solução para a crise do País que esteja acima das correntes partidárias. Segundo ele deverá surgir uma liderança com capacidade de unir o Brasil para superar a crise. No entanto, a liderança não citou nenhum nome. “Nossa preocupação é unir forças políticas acima das colorações partidárias para encontrar uma solução com quem tenha legitimidade para representar essa solução no plano nacional”, destacou.

“As homenagens nos sustentam”

A ex-primeira dama Renata Campos convocou as lideranças presentes a levar adiante os ideias do ex-marido. “Dudu tinha o desejo de fazer pelo Brasil a revolução que fez em Pernambuco. Sabíamos que sua capacidade de diálogo, de realizar, faria diferença. Infelizmente, nossas vidas saíram do roteiro, porque a tragédia não estava no script. Nos resta levar seus ideais adiante. Essa é a maior homenagem que podemos fazer a ele”, afirmou.

A socialista agradeceu o apoio que sua família vem recebendo nos últimos meses e enfatizou que “foi doído” passar o primeiro dia dos pais e a data em que completaria 50 anos sem ele. “A quantidade de homenagens que temos recebido é muito grande. Isso é o que nos sustenta”, enfatizou.

Mãe do ex-governador, a ministra do Tribunal de Contas da União, Ana Arraes, ressaltou o legado do filho. “Sinto saudade e, ao mesmo tempo, me sinto feliz de tanta gente estar aqui homenageando uma vida que foi útil ao Estado de Pernambuco, ao povo pernambucano“. Além dela, o advogado Antônio Campos (irmão),e os filhos do exgovernador, Maria Eduarda, João, Pedro, José e Miguel, participaram do ato.

Fonte: Folha de PE

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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