
É hora de recriar o movimento, de reestabelecer a confiança do mercado. O ano de 2016 inicia com uma economia estagnada e inflação oficial na casa dos 10,67%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (INPCA) de dezembro de 2015, até aí nenhuma novidade. O turismo interno se aquece diante do verão, das férias, do carnaval e da alta do dólar, mas são situações que irão passar e temos que continuar trabalhando a sazonalidade diante das incertezas. Como planejar diante de tantas variáveis?
É hora de rever o posicionamento, de investir em novos mercados, de reestruturar e focar. O turismo de incentivo e lazer ganha força na medida em que os investimentos em feiras e congressos estão conservadores. As empresas estão extremamente céticas e retraídas, diante da instabilidade política e econômica do país.
A título de informação, 35% dos eventos captados em 2015 acontecerão em 2017 contra 24% em 2016. Na pauta de 2016 temos 12 eventos que são itinerantes e que serão realizados em Pernambuco, dos quais 75% foram captados através do Recife Convention & Visitors Bureau. Os eventos do interior do estado, os fixos do calendário, e os novos equipamentos como o Centro de Convenções de Caruaru devem movimentar a economia discretamente, mas o segundo semestre é que trará a energia pra roda voltar a girar, ainda que lentamente.
Muito já se falou sobre o Centro de Convenções de Pernambuco, porém, nunca é demais salientar a importância dos investimentos neste equipamento que alavanca a economia, é estratégico, e que gera emprego e renda para toda comunidade. A cada evento realizado é movimentada uma cadeia produtiva com mais de 50 nichos da economia, fora os empregos informais que são fomentados, desde o pipoqueiro à manicure, do verdureiro ao incremento das corridas de táxi.
Para crescer, precisamos pensar nas necessidades do nosso cliente. Os tomadores de decisões são extremamente exigentes e temos que estar conscientes que não competimos somente com Salvador ou Fortaleza, Rio ou São Paulo. Já perdemos eventos para a Argentina e para a Coreia do Sul. A concorrência não tem fronteiras. As cidades estão cada vez mais estruturadas e ganhar a confiança baseada na simpatia ou na praia como atrativo já está obsoleto.
Temos que oferecer uma rede de facilidades que está muito além de uma hotelaria profissionalizada. Devemos ofertar “experiência”, pois o básico nas negociações já não atende. Além disso, reduzir os custos com os deslocamentos é uma das maiores preocupações dos organizadores e promotores de eventos. Assim, o hub da TAM, por exemplo, faria uma grande diferença para nossa competitividade.
Manter o posicionamento que Pernambuco já conquistou exige esforços imediatos, a sinergia entre o público e o privado anunciada por todos tem que sair dos discursos e tornar-se realidade através de ações efetivas e de investimentos contínuos. Ou trabalhamos para recriar o movimento, ou no início de 2017 teremos que refletir sobre a nossa (in)capacidade de nos reinventar como destino de eventos.
Fonte: DP
Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)
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