Comércio recorre às liquidações para desafogar estoques altos
- By : Assessoria de Comunicação do Deputado Gonzaga Patriota
- Category : Clipping
As placas anunciando descontos e liquidações nos shoppings centers e comércio de rua do Recife se tornaram comuns nos últimos meses. Basta olhar as vitrines dos estabelecimentos para a cena denunciar que as ofertas estão diretamente ligadas a um fenômeno: estoques em alta. O cenário é preocupante, uma vez que o comércio varejista, não apenas em Pernambuco, mas em todo o Brasil, registrou queda de 4,3% nas vendas em 2015, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), depois de 11 anos de crescimento ininterrupto.
De acordo com órgão, este foi o pior resultado anual desde o início da série criada em 2001 e o primeiro recuo desde 2003, cuja redução foi de 3,7%. Pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, que mensalmente mostra o panorama do segmento, em Pernambuco o índice negativo atingiu 7,7% no acumulado do ano passado. Não houve saída para os lojistas evitarem a redução nas vendas diante de uma economia estagnada, restrição do crédito, juros batendo recordes sucessivos de aumento e a inflação em dois dígitos, de 10,68%, segundo o próprio IBGE. Outro indicador do mercado, o MasterCard SpendingPulse, seguiu a linha e mostrou queda de 4,7% em 2015, no pior desempenho da série histórica iniciada em 2008. Agora, prestes a entrarem no terceiro mês de 2016, resta aos comerciantes, na avaliação de analistas e órgãos do setor, prestarem muita atenção nos números, diga-se na quantidade de pedidos de produtos para reposição, manutenção ou esvaziamento dos estoques, além do caixa, fazendo o dinheiro girar mesmo com uma margem de lucro pequena ou quase inexistente. As fontes são praticamente unânimes em um ponto: 2016 deve mesmo ser o ano das liquidações para evitar um colapso ainda maior no comércio.
“A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nos dá uma noção de como está o segmento nestes últimos três anos em relação à percepção dos empresários. Há um indicador cuja escala vai de zero a 200. Abaixo de 100 é considerado um resultado ruim. Neste último ano, o percentual ficou em 80%, ou seja, 20% abaixo do mínimo de segurança. A consequência direta disso, quando não há fechamento de lojas e demissões de funcionários, são as promoções, mesmo que reduzam em muito a margem de lucro dos comerciantes”, explica Rafael Ramos, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco (Fecomércio-PE).
O gestor de marcas Bruno Frota, 33, trabalhava, até poucos meses atrás, na gestão e representação de conhecidas grifes do grupo de vestuário, percorrendo a Região Nordeste. Ele migrou para o ramo de calçados, que aparentemente tem vendas mais elevadas (por não ser um bem durável, por exemplo) mas mesmo assim afirma que quem atua no segmento está cauteloso diante do cenário da economia, que reflete no quesito estoque.
“O grupo de roupas, digamos, se sobressai até mesmo neste momento, pois dependendo da marca ela tem um giro constante de reposição de estoque e de vendas, até por que existem as cotas anuais de comercialização. Algumas delas, mesmo na crise, elevaram as vendas em cerca de 40%. O de calçados segue, talvez, a mesma tendência do cenário atual, de cautela. Não falamos em crise quando visitamos um cliente para evitar falta de pedidos. Tentamos achar maneiras onde o cliente se ajuste ao orçamento da loja, mesmo com um pedido mínimo de peças. No comércio, é preciso ter estoque renovado, pois o consumidor busca algo novo. Nunca via tantas promoções no setor do ano passado para cá”, pontua Frota.
O gestor de marcas parece estar certo quanto às frequentes queimas de estoque no comércio varejista. “Geralmente, quando uma mercadoria fica 120 dias estocada o comerciante precisa recorrer, de alguma forma, a soluções como promoções para girar o capital e pagar, no mínimo, a alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é antecipada. O que temos percebido é que as liquidações migraram dos períodos clássicos, como após o fim do ano ou datas comemorativas, por exemplo, e ocorrem com certa frequência. Os lojistas solicitam essas queimas para evitar perdas maiores diante da retração e procuramos atendê-los no sentido de fazer o comércio girar”, justifica Eduardo Catão, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL-Recife).
Fonte: DP
Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)





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