Grande cantora de voz expressiva e grave, Célia sai de cena aos 70 anos

Por Mauro Ferreira e foto de Jair de Assis

É difícil dimensionar a expressividade do canto de Célia Regina Cruz (8 de setembro de 1947 – 29 de setembro de 2017) em época em que a voz muitas vezes é acessório descartável na engrenagem que move a indústria da música. Célia – que saiu de cena na noite de ontem em hospital da cidade natal de São Paulo (SP), aos 70 anos, vítima de câncer – tinha voz grave, afinada e eloquente.

Célia foi uma grande cantora do Brasil que pegou o público pela palavra. Basta ouvir a gravação de Mudou (Taiguara, 1972), lançada há seis anos no álbum A voz da mulher na obra de Taiguara (2011), para identificar uma intérprete que expressava o sentido de cada verso da letra de música que, no caso, jazia esquecida.

Quem também ouviu Vidas inteiras (Adriana Calcanhotto, 2008), em gravação de 2010, percebeu a grandeza do canto de Célia. Mas nem todo mundo ouviu, pois o público da cantora foi maior nos anos 1970, década em que Célia lançou pela extinta gravadora Continental álbuns relevantes no embalo da projeção obtida em 1970 no programa de TV Um instante, maestro!, comandado pelo apresentador Flávio Cavalcanti (1923 – 1986).

No primeiro deles, Célia (1971), havia três composições da ainda pouco conhecida Joyce Moreno – Abrace Paul McCartney, Blues (parceria bissexta da compositora carioca com José Carlos Capinam) e To be – no repertório em que sobressaiu regravação de Adeus, batucada (Synval Silva, 1935), samba do repertório da matricial Carmen Miranda (1909 – 1955). O segundo, também intitulado Célia (1972), apresentou música inédita de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, A hora é essa. E assim seguiu Célia pelos anos 1970, gravando compositores como Francis Hime, Ivan Lins e Tito Madi.

O sucesso da regravação de outro samba de tempos antigos – Onde estão os tamborins? (Pedro Caetano, 1946), destaque do álbum de 1975, novamente intitulado Célia – motivou em 1977 a gravação e o lançamento de um álbum (outra vez chamado de Célia) dedicado ao samba. Só que a repercussão já foi mais rarefeita.

Começou então período de menor visibilidade para Célia que durou 30 anos. Eventuais discos foram lançados – Amor (1982), Meu caro (1983) e Louca de saudade (1993) – com a manutenção do alto nível do repertório. Contudo, a carreira fonográfica de Célia somente entrou novamente nos trilhos a partir de 2007, quando lançou Faço no tempo soar minha sílaba, o primeiro dos três álbuns que gravou sob a batuta do produtor Thiago Marques Luiz.

O último, Aquilo que a gente diz (2015), saiu há dois anos com música do rapper Criolo (Não existe amor em SP, de 2006) e gerou, em abril de 2016, a gravação do ainda inédito primeira DVD da cantora, Célia – O que não pode mais se calar.

E, se há algo que não pode mais ser calado, é a tristeza pelo fato de uma intérprete com a expressividade de Célia não ter alcançado um público maior, condizente com o tamanho da eloquência do canto dessa artista que jamais fez concessões ao escolher repertório. Célia vai-se embora. Mas fica a incerteza se todo mundo vai de fato valorizar a batucada, a obra e o canto bamba de Célia Regina Cruz. Onde é que estão os tamborins, ó nega?

Informações: G1

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