Indústria deve representar 28% da economia de PE em 2014, diz estudo

Antônio Alexandre ressalta bom momento vivido pela economia. (Foto: Katherine Coutinho / G1)Os grandes empreendimentos que vêm chegando a Pernambuco têm contribuído para uma mudança no perfil da economia do estado nos últimos anos. Um estudo elaborado pela Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem) aponta para uma mudança principalmente no setor da indústria, que deve chegar a 28% de participação na economia estadual até 2014.

O estudo intitulado “Impactos dos Investimentos na Economia Pernambucana” analisa os impactos e influências dos investimentos da Refinaria Abreu e Lima, PetroquímicaSuape, Estaleiro Atlântico Sul, Hemobrás e as duas unidades da BR Foods, em Vitória de Santo Antão e em Bom Conselho. “Um dos pontos que se destaca nesse estudo é que, em 2014, vamos estar com a economia quase 50% maior do que estaria sem esses cinco empreendimentos”, afirma o presidente da Agência Condepe/Fidem, Antônio Alexandre.

O impacto analisado na economia foi de 2007 a 2014. O estudo indica que, em 2014, com a influência desses cinco empreendimentos, o setor industrial saia de 21,8% da economia do estado para 28%, a agropecuária de 5,4% para 4,5% e o de serviços de 72,8% para 67,5%. “O choque total de demanda é de R$ 66,52 bilhões entre 2007 e 2014”, explica Wilson Grimaldi, coordenador técnico da pesquisa. O choque de demanda é definido como o movimento de fatores que afetam a demanda e a oferta no consumo, investimentos, gastos do governo, exportações, importações e até mesmo na produção.

Geraldo Júlio lembra que novos desafios estão surgindo. (Foto: Katherine Coutinho / G1)Geraldo Júlio lembra que novos desafios estão surgindo. (Foto: Katherine Coutinho / G1)

O crescimento expressivo do estado a partir desses empreendimentos é uma das coisas destacadas pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Júlio. “Não convivíamos com essa cadeia de petróleo e gás, mas com a refinaria passamos a lidar e é preciso conhecer para sabermos como agir. A gente está entrando em um cenário de competitividade global. As tecnologias aplicadas são as mais modernas, não aquelas que eles instalariam há 20 anos em um país desenvolvido”, lembra o secretário.

Desenvolvido a partir de um modelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) adaptado para a realidade local, o estudo destrincha a influência na cadeia produtiva do estado dos cinco empreendimentos, ponderando não apenas o impacto da fase de construção, mas também na fase de operação. “A refinaria gera 543 mil postos de trabalho, mas não apenas na refinaria, na sua construção ou operação, mas sim na economia pernambucana. É esse impacto que estamos observando”, diz Grimaldi.

Os postos de trabalho gerados no período, tanto direto como indiretamente, pelos empreendimentos são estimados em 1,2 milhão, sendo o maior impacto o da refinaria, com 44,3% do total e a Petroquímica, com 26,1% do total. “É preciso atentar que isso não significa novos empregos. Uma pessoa pode ocupar dois, três postos”, avisa Grimaldi.

Além de apresentar números sobre a economia do estado, a pesquisa estabelece um mapa de quais são os principais investimentos, quais são as principais políticas públicas que precisam ser implementadas no estado, acredita Alexandre. “É o meio para que a gente possa aproveitar da melhor forma esse processo de desenvolvimento, para que atinja todos os pernambucanos em todas as regiões do estado. […]Os cinco empreendimentos provocam uma mudança no perfil da economia pernambucana. O principal setor beneficiado é a indústria, principalmente a de transformação”, pondera o presidente.

O atual ciclo de industrialização, aponta o estudo, não apenas reforça as cadeias produtivas já existentes no estado, mas também abre espaço para novas cadeias, inclusive conectadas a uma escala global. “Nós estamos falando da indústria do petróleo, da petroquímica, da indústria naval, da biotecnologia, setor de alimentos forte e pungente. Esses números trazem uma alegria para o povo pernambucano, mas também uma grande responsabilidade de estar preparado para responder a esse desenvolvimento”, defende Alexandre.

Renda familiar
O impacto sobre a renda das famílias pernambucanas é outro fator que foi analisado durante a pesquisa. A perspectiva é de que, no período analisado, o impacto seja de R$ 20,5 bilhões, sendo R$ 5,7 bilhões na fase de construção dessas empresas e R$ 14,8 bilhões na de operação. “Os maiores são os da PetroquímicaSuape, que representa 32,4% do total, e o do Estaleiro Atlântico Sul, com 31,1%”, conta Grimaldi.

Quando analisados os impactos por cada R$ 1 milhão investido, o destaque fica para o Estaleiro, seguido pela BR Foods em sua fase de operação. “A fase de operação é quando a unidade começar a produzir. Cada uma tem um tipo de produto e cada produto reflete de uma forma na economia pernambucana. Buscamos traçar todos os efeitos na cadeia produtiva, tanto antes quanto depois de produzidos”, detalha Grimaldi.

Fábrica da Fiat
O estudo não inclui investimentos mais recentes na economia estadual, como a fábrica de automóveis da Fiat, que deve ser construída em Goiana, na Zona da Mata Norte. “A Fiat vai chegar em um momento que a economia de Pernambuco vai estar diferente de quando esses cinco empreendimentos começaram a se instalar aqui no estado. Isso faz com que a gente precise olhar a Fiat a partir de outras variáveis, quais são aquelas empresas que vão atuar junto a ela”, justifica o presidente da agência.

Fonte: G1

Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)

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