Pernambucano estreia em Londres nesta sexta-feira
LONDRES – Nascido cego, numa família pobre em Orocó, Sertão do São Francisco, Raimundo Nonato cresceu tendo uma vida sofrida, como boa parte dos nordestinos. Ajudou os pais na lavoura, teve dificuldade para se alfabetizar e achava ser utopia se tornar um jogador de futebol, como toda criança sonha.
Mas em pouco mais de um ano, sua vida mudou. Graças ao esporte. E nesta sexta-feira (31/8) realiza um dos desejos, na estreia do Brasil no futebol para cegos, nos Jogos Paralímpicos de Londres, diante da França.
A habilidade que obteve brincando com amigos no campinho de terra batida, perto do sítio onde cresceu, o ajudou a superar obstáculos. Hoje, aos 25 anos, mora numa república com amigos, em Petrolina, onde pratica o esporte. Já conheceu dois países, projeta estudar inglês e entrar numa universidade. E, tudo isso, com uma medalha paralímpica como recordação.
“O futebol me deu uma perspectiva muito boa. Me acordou para a vida”, enfatizou o pernambucano, complementando que a Terra da Rainha o inspirou. “Achei bem legal as pessoas falando outras línguas. Me despertou o interesse em aprender inglês.”
Quando criança e durante a adolescência, Raimundo costumava trocar passes e dar chutes a gol com vizinhos e amigos. Escutava o som da bola arrastando na areia e sabia se estava próxima a seus pés. E foi desenvolvendo a percepção. Hoje fica mais simples jogar o futebol para cegos, pois a bola possui guizos, para auxiliar os atletas. “Agora é bem mais fácil, né?”, brinca.
“Eu sempre gostei de bater bola. Nunca fui sedentário. Corria, nadava. Mas não conhecia o esporte adaptado. Achava que seria impossível ser um jogador. Até por morar no interior. Mas agora os sonhos estão se realizando”, vibrou.
Raimundo não começa jogando. Até mesmo porque é um dos novatos da seleção brasileira, onde chegou apenas no ano passado. Mas deve entrar durante a partida. “Ele é muito habilidoso. Cresceu muito rápido”, destaca o zagueiro Emerson, um dos veteranos da equipe bicampeã paralímpica. E favorita para conquistar o terceiro ouro seguido.
A estreia diante da França está prevista para as 5h (horário do Brasil). Domingo, na mesma hora, duelo contra a Turquia. Na terça, último jogo da fase classificatória, ante a China. Os dois primeiros da chave avançam às semifinais.
“Infelizmente, contra o Brasil, todos estão jogando atrás”, destacou o técnico Ricardo Robertes, que manda a campo, na Arena Riverbank, equipe com dois zagueiros e dois atacantes. Na modalidade, apenas o goleiro não é deficiente visual. Os demais jogam com venda nos olhos, pois há atletas com baixa visão.
Fonte: Jornal do Commercio
Blog do Deputado Federal GONZAGA PATRIOTA (PSB/PE)





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