Mundo celebra o Dia do Voluntariado

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No Haiti há mais de 750 orfanatos e que quase 80% das crianças que estão nessas instituições têm ao menos um dos pais vivosUnir o interesse pessoal ao espírito cívico, dedicando boa parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades ligadas ao bem estar social, é como a Organização das Nações Unidas (ONU) define o que é ser voluntário. Na próxima quarta-feira (5), é celebrado em todo o planeta o Dia Internacional do Voluntariado (no Brasil, a data instituída pela lei nº 7.352, é dia 28 de agosto) com objetivo de promover a solidariedade nas pessoas em colaborar com o desenvolvimento social e sustentável do mundo.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017, 7,4 milhões de pessoas realizaram trabalho voluntário, o que representa 4,4% da população brasileira. Um aumento de 12,9% em relação ao ano anterior. Em Pernambuco o cenário também foi de crescimento, segundo informações da plataforma Transforma Recife. Na Capital, 130 mil pessoas prestam algum tipo de serviço voluntário, o que equivale a 8% da população, acima da média nacional. “Não acho que antes as pessoas não queriam ajudar ou estavam alheias a servir. Na verdade elas não sabiam como e onde procurar. Em uma tragédia, ou em ações de Natal, por exemplo, os pontos de doação e agenda de ações estão mais acessíveis. Mas, e durante o ano todo?”, questionou o presidente do Porto Social Fabio Silva. Para ter esse direcionamento sobre o perfil de quem quer fazer um trabalho voluntário com as ONGs que disponibilizam vagas em diversas áreas, o Transforma Recife surgiu como uma ferramenta para cruzar esses dados e incentivar o engajamento cívico.

A iniciativa deu tão certo, que justamente no Dia Internacional do Voluntariado (5), será assinado na cidade de Santigo, no Chile, o termo de intenções para a criação do Transforma Chile.“Quem faz trabalho voluntário uma única vez, de forma pontual, tem dois caminhos. O de ter vivido uma experiência marcante para o resto da vida, mesmo que isso não vire um estilo de vida. Ou de transformar essa experiência em uma mudança radical, tanto na forma de consumir produtos e serviços, como no modo de se relacionar e até na profissão”, comentou Fábio.

Turismo Social

Foi justamente nesse contato com realidades totalmente diferentes e na busca por transformar a vida do próximo, que Mariana Serra idealizou a Volunteer Vacations (VV). Formada em Relações Internacionais (ESPM-RJ), ela tinha um desejo: aliar férias tradicionais com a possibilidade de praticar ações sociais voluntariamente. “Estava fazendo o MBA de Gestão de Negócios e comecei a pensar sobre os caminhos que você deve seguir e o que poderia dar um sentido para minha vida. Queria dar um propósito diferente durante as minhas férias”, afirmou.

Mas, Mariana se deparou com inúmeras empresas brasileiras que ofertavam apenas o modelo de intercambio tradicional no período de estudo de três a seis meses. “Nenhuma delas tinha como foco a ajuda humanitária em um curto prazo”, declarou. A partir destes questionamentos, em 2014, a VV saiu do papel e passou a ser referencia no turismo de voluntariado e empreendedorismo social com parceria de algumas das ONGs mais relevantes no mundo, dando inicio a missões de solidariedade em países como Quênia, Gana, Jamaica, Tanzânia e Haiti. Este último, devastado em 2010 por um terremoto que afetou mais de três milhões de pessoas, receberá em janeiro do ano que vem a #SemanaVV. A ação em grupo conta com voluntários que irão colaborar com experiências ligadas a área de educação, saúde e comunicação em três orfanatos no País. “Sempre vi nos meus pais esse olhar da empatia, do amor ao próximo. E a VV tem como objetivo o impacto social na vida destas pessoas”, declarou.

Nesta ação, o fotojornalista da Folha de Pernambuco Anderson Stevens participará pela primeira vez, promovendo um workshop para os voluntários. “Conheci a VV em uma ação na Ilha de Deus e a troca de experiências foi incrível. Há dois anos tenho tido a oportunidade de participar de ações voluntárias em creches e ONGs oferecendo todo meu conhecimento no que sei fazer, que é registrar e documentar as histórias”, afirmou.

Natureza

Quando o voluntariado transforma não só olhar caridoso com o próximo, mas impacta diretamente no ambiente que vivemos? Com experiência em diversos trabalhos voluntários desde criança, a estudante de psicologia e serviço social Bárbara Lima resolveu criar a ação Pernambuco Sem Lixo. A angustia ao ver as constantes agressões que ameaçam a biodiversidade do planeta, principalmente por causa de todo o lixo que é jogado na natureza, fez com que a estudante  começasse a engajar as pessoas dentro da sua cidade.

“Percebi que muitas pessoas tinham vontade de ajudar o meio ambiente. Coloquei no whatsapp quem teria interesse em participar de ações mensais de limpeza de praias e ruas. Na hora 20 pessoas responderam positivamente”. Para a surpresa de Bárbara, a primeira ação realizada no último de 10, na praia de Boa Viagem, contou com 60 voluntários. “Esse impacto foi muito legal, conseguimos recolher 1.800 bitucas de cigarro, 800 canundos plásticos. Foi algo importante para uma primeira ação”.

O próximo evento será no dia 15 de dezembro, na comunidade da Ilha de Deus, no bairro do Pina. “Não se trata apenas de coleta de lixo, nós temos que conscientizar as pessoas. Então na Ilha, queremos promover a consciência ambiental batendo de casa em casa. As pessoas as vezes não quer sair do seu comodismo, mas aqueles que saem despertam esse interesse no outro criando uma rede de colaboração”, explicou.

Poder da Fé

A fé também tem sido um importante instrumento de mobilização para o voluntariado. Há três anos, a Venerável Ordem Terceira do Carmo do Recife organiza uma ceia para centenas de pessoas em situação de rua. Coordenado pelo Frei Adalgiso da Silva Ferreira, a ação foi idealizada pelos irmãos terceiros Aldir Maia e Luciana Helena Sampaio. “Deus habita em todos nós e a experiência que promovemos é incrível com um trabalho cada vez mais sólido e mais aceito pelas pessoas”, declarou Aldir. Ser voluntária não é algo novo na vida da empresária Marcela Sotero, da Cena Comunica. É o sentimento de gratidão por tudo que alcançou a sua vida que a fez querer retribuir estas conquistas através do trabalho voluntário.

“É uma oportunidade de oferecer um pouco disso (material e não material – saúde, família, etc) a quem não tem nada ou quase nada. Ainda que de forma singela. Sou movida pela fé e é com ela que aprendo muito e “sinto na pele” que tudo só acontece no tempo de Deus. Além disso, ao ajudar o próximo, venho cumprindo meu papel enquanto cristã e cidadã”, afirmou.

Ela e vários outros voluntários estiveram neste domingo (2) na celebração do Natal da Venerável Ordem Terceira do Carmo do Recife. A ação aconteceu em dois momentos: às 10h, nos jardins da Igreja de Santa Tereza, haverá cortes de cabelos e de unhas e aferição de pressão; às 17h, houve a celebração da palavra, na Basílica do Carmo do Recife, e logo em seguida foi servido o jantar para cerca de 500 pessoas nos jardins do convento, que também contou com decoração especial natalina. Os espaços ficam no Pátio do Carmo, na Avenida Dantas Barreto, no Bairro de Santo Antônio.

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Decreto de Bolsonaro cria polêmica em universidades

Decreto assinado nesta semana pelo governo Jair Bolsonaro tem causado polêmica sobre possíveis implicações nas escolhas para funções de direção dentro das universidades federais. O texto se refere a nomeações para cargos em comissão e funções de confiança em órgãos ligados à administração federal. Segundo o governo, o decreto não altera os procedimentos nas instituições de ensino. Embora não mencione explicitamente as instituições de ensino superior, um dos artigos do decreto dá poder ao ministro da Casa Civil para fazer nomeações dos chamados cargos de nível 5 e 6 do grupo DAS (Direção e Assessoramento Superiores). Nas universidades, estes são cargos de alto escalão. Até então, essas nomeações eram de competência do reitor. Especialista em Direito Constitucional, a professora da Universidade de São Paulo (USP) Nina Ranieri diz que o decreto altera a forma de nomeação de lideranças nas universidades. “Reitores e diretores (de faculdades) não estão no decreto, mas qualquer outra nomeação para função ou cargo de confiança é alcançada (pelo texto).” Segundo ela, especialista em autonomia universitária, o decreto pode mudar a forma de escolha de nomes para cargos como os de coordenadores de cursos e pró-reitores, que são os responsáveis por coordenar áreas como a pesquisa e a graduação. O decreto também dá poderes à Secretaria de Governo (Segov), hoje comandada pelo ministro Santos Cruz, para avaliar as indicações aos cargos e “decidir pela conveniência e oportunidade administrativa quanto à liberação ou não das indicações submetidas à sua avaliação”. Segundo Rubens Glezer, professor de Direito Constitucional da Fundação Getulio Vargas (FGV), “o impacto do decreto é tornar mais eficiente e sistematizado o controle político sobre a burocracia das universidades”. Ele entende que, por meio do decreto, a Segov ou o Ministério da Educação (MEC) poderão avalizar nomes indicados para cargos de gestão – até mesmo para reitor – e vetá-los. Caso o decreto seja aplicado às universidades, pode ser considerado inconstitucional, segundo especialistas. A Carta de 1988 garante que as instituições tenham autonomia administrativa e de gestão. “É um nível de controle altíssimo. Toda a administração pública no mundo vai se descentralizando e aqui vemos um movimento contrário, que é a centralização na Presidência de todos os funcionários em cargos de confiança do governo federal, incluindo os da universidade”, diz Nina. Até então, os nomes escolhidos para cargos de chefia dentro das universidades não passavam pelo crivo do governo federal. As instituições de ensino têm órgãos internos para avaliar as nomeações. Já o secretário executivo do MEC, Antonio Vogel, afirmou anteontem que o texto não muda a prática – apenas regulamenta procedimentos que já existem. “Os sistemas para nomeações de pessoal já existiam. A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e CGU (Controladoria-Geral da União) já são consultadas há anos para nomeações, elas fazem análise formal. Já passa na Segov há anos, inclusive nos governos anteriores. É rigorosamente a mesma coisa.”

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Após crise hídrica, reservatório no DF chega a 100% da capacidade

O reservatório de Santa Maria, no Distrito Federal, chegou a 100% de sua capacidade hoje (19). A informação foi dada pela Agência Reguladora das Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa). O reservatório de Santa Maria é responsável pelo abastecimento da maior parte da área central da capital, chamada de Plano Piloto. Em 2017, no que a Adasa chama de “período de escassez”, ele chegou a ter apenas 21,8% da capacidade. Esse período levou a uma crise hídrica que atingiu Brasília fortemente. Períodos sem água em algumas regiões geraram transtorno aos moradores. O governo do Distrito Federal promoveu campanhas de redução do consumo para lidar com o abastecimento deficiente pelo baixo volume dos reservatórios. Desde 2017, os reservatórios passaram a se recuperar. Segundo a Adasa, o de Santa Maria retomou índices mais elevados da capacidade de forma mais lenta. – o que ocorreu por características próprias do reservatório, como o fato de ser abastecido por pequenos riachos. Em 2018, ele atingiu 50% do volume em abril. Apesar da recuperação, a Adasa segue orientando os moradores a manter práticas de redução de consumo.

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Ministério confirma participação em evento sobre mudanças climáticas

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nota hoje (19) confirmando a participação na Semana do Clima da América Latina e Caribe, a ser realizada de 19 a 23 de agosto na cidade de Salvador.  A semana é uma iniciativa da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e funciona como preparação para a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25), que ocorrerá em dezembro deste ano no Chile. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, era contrário à realização do evento – José Cruz/Agência Brasil Na última semana, o ministro da pasta, Ricardo Salles, havia se posicionado de forma contrária à realização do evento no Brasil. Segundo a nota publicada no site do ministério, o governo federal vai apresentar uma proposta para debate nas atividades da semana, que reunirá representações de diversos países para discutir desafios relacionados ao fenômeno das mudanças climáticas na região. O Executivo “decidiu formular proposta com ênfase na Agenda de Qualidade Ambiental Urbana e no Pagamento por Serviços Ambientais, através de instrumentos financeiros que visem dar efetividade econômica às atuais e futuras ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas no Brasil”, diz o comunicado. A intenção é apresentar pautas até a realização da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-25), em dezembro. O Brasil sediaria o evento, mas desistiu no ano passado.